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CINEMA

Cinema pernambucano pede ajuda ao investidor amigo

Jovens cineastas estão fazendo filmes por meio de financiamento coletivo

Publicado em 13/07/2015, às 05h41

Olavo de Carvalho e Josias Teófilo / Matheus Bazzo/Divulgação
Olavo de Carvalho e Josias Teófilo
Matheus Bazzo/Divulgação
Ernesto Barros

Ferramenta utilizada para a realização de projetos artísticos e de empreendedorismo, o financiamento coletivo – conhecido como crowdfunding – tem atraído vários cineastas pernambucanos. Ao contrário de esperar por financiamento estatal, os jovens realizadores fazem seus primeiros filmes com a cara, a coragem e uma pequena ajuda dos amigos (leia-se: a futura plateia).

Apesar de novo, o mecanismo parece se adequar bastante à histórica brodagem do cinema pernambucano. A novidade, agora, é que, além dos amigos, o espectador pode ajudar um filme a nascer – e ainda ter seu nome nos créditos. Dependendo do valor investido, os produtores prometem brindes exclusivos (como pôsteres e DVDs), ingressos para a primeira exibição e, caso o espectador se torne patrocinador - ao investir uma grana maior -, ele tem o nome nos créditos iniciais.

Os projetos têm pipocado em duas plataformas. A Kickante (www.kickante.com.br) – mais flexível – permite que os proponentes arrecadam dinheiro sem a obrigatoriedade de atingir a meta estabelecida. Na plataforma internacional Catarse (www.catarse.me), mais tradicional e mais antiga, só são aprovados os projetos que atingem 100% da meta. Como nem sempre isso acontece, tem sido evitada.

No Kickante, há três projetos de curtas-metragens na reta final de campanha. Alguns diretores adiantam a produção e só usam o dinheiro arrecadado na finalização. Foi assim com o curta Rua Cuba, de Filipe Marcena, que iniciou a produção com recursos próprios. A quantia estabelecida – R$ 4 mil – servirá cobrir gastos de pós-produção e pagar cachês simbólicos aos atores. “Como é um filme muito simples em termos de produção – foi todo rodado onde moro – e a equipe é formada por amigos, decidi filmar antes de iniciar o crowdfunding. Assim, tive material para mostrar aos possíveis investidores”, explica Filipe, que se formou em cinema na UFPE.



Procedimento semelhante aconteceu com a realização de Objeto Voador Não Identificado, do estudante de jornalismo da UFPE César Castanha, que também iniciou a produção com a campanha em andamento. “Eu fiz assistência de direção no curta Feliz Ano Novo, de Felipe André, que também foi produzido em parte com recursos viabilizados pelo Kickante. A produção do meu também é modesta, mas tentei evitar criar dívidas pessoais ao garantir uma grana para a finalização e para cachês simbólicos da equipe”, avisa César.

Já o ator e cineasta Jota Bosco, do Cineclube Toca o Terror, está em campanha para realizar o curta Domingos. Para ele, o aproveitamento do dinheiro pode ser bem diferente. “A ideia original é que o crowdfunding permita a compra de uma câmera, pois, com ela, faremos não só este como outros curtas que temos no papel. Também vai servir para os custos de produção”, acredita.

Há casos em que os proponentes criam campanhas sem a ajuda das plataformas e criam sites específicos para as doações, com a produção do documentário de longa-metragem O Jardim das Aflições, de Josias Teófilo, sobre a trajetória e as ideias do filósofo Olavo de Carvalho. “Assim, não pagamos taxa de administração e o dinheiro vem direto para a produção. Graças a isso, já fizemos uma viagem aos Estados Unidos para conversar com Olavo”, explica Josias. Com a meta estabelecida em R$ 252.500,00, a campanha já arrecadou até R$ 57.747,00 a última sexta-feira.

PARA COLABORAR:

O Jardim das Aflições  - http://ojardimdasaflicoes.com.br

Objeto Voador Não Identificado - http://www.kickante.com.br/campanhas/objeto-voador-nao-identificado

Rua Cuba - http://www.kickante.com.br/campanhas/rua-cuba-financie-nosso-filme

Domingos - http://www.kickante.com.br/campanhas/domingos





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