Jornal do Commercio
EXPECTATIVA

Scorsese defende espiritualidade ao apresentar seu novo filme, Silence

Silence, baseado na obra de Shusaku Endo, foi rodado em Taiwan e narra as dificuldades de jesuítas no Japão do século 18

Publicado em 13/01/2017, às 14h15

Liam Neeson interpreta o papel principal em Silence / Divulgação
Liam Neeson interpreta o papel principal em Silence
Divulgação
AFP

O mundo não deve abandonar a espiritualidade, apesar dos atuais "acontecimentos terríveis", afirmou, em Paris, Martin Scorsese, ao apresentar Silence, talvez seu filme mais pessoal, que planejou realizar durante décadas.

Rodado em Taiwan, o filme se baseia na obra histórica homônima do japonês Shusaku Endo e narra as dificuldades dos missionários jesuítas no Japão no século 18.

Com Silence, Scorsese, que se define como um católico não praticante, pretende "abrir um diálogo" com o espectador e mostrar "até que ponto a espiritualidade é parte integrante do ser humano", explicou à imprensa.

O premiado diretor americano fez e desfez este filme em sua cabeça por décadas, mudando, inclusive, o elenco, porque os atores "iam envelhecendo".

ELENCO

Convencer Hollywood tampouco foi fácil. Ele precisou superar "problemas financeiros e legais" e "três ou quartos grandes intérpretes" rejeitaram atuar porque "a religião não fazia parte de sua vida". 



Um deles chegou a descartar o filme durante as filmagens do Lobo de Wall Street, protagonizado por Leonardo DiCaprio, embora Scorsese não tenha esclarecido de quem falava.

Em Hollywood são necessários "atores que atraiam dinheiro", mas, então, corre-se o risco de trabalhar com quem "não acredita no projeto", declarou o diretor de Taxi Driver e A Última tentação de Cristo, entre outros. 

Adam Driver e Liam Neeson aceitaram o projeto.

Aos 74 anos, Scorsese assegurou que já "não tem nada a esconder", nem precisa "demonstrar que sabe utilizar uma câmera". "Este filme é o que sou agora. Não sigo a moda", destacou.

"De alguma forma, este é o filme que mais se entrelaçou com a minha vida pessoal", admitiu.

Até mesmo as filmagens na natureza, que disse tê-lo feito descobrir, por exemplo, o som das marés, foi uma "experiência mística". "Sou nova-iorquino, alérgico a tudo (...) e de repente me encontrei no topo de uma montanha", explicou.

"Vimos do silêncio e é para lá que vamos. Deveríamos aprender a nos sentir confortáveis com isso", disse, em alusão ao título do filme.

Em novembro, ele apresentou Silence no Vaticano, logo após se reunir com o papa Francisco.


Palavras-chave




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Especial educação Especial educação
E se você descobrisse que o futuro ligado às tendências que irão norteá-lo já chegou? O mundo hoje é um mar de oportunidades, para conhecimento, informação e inovação. Cada vez mais o profissional precisa evoluir. Por isso veja o caminho a seguir
A revolução da ciclomobilidade: o exemplo de Fortaleza A revolução da ciclomobilidade: o exemplo de Fortaleza
A capital cearense, diferentemente da pernambucana – embora nordestina também – deu um salto na infraestrutura viária voltada para as bicicletas. A cidade está repleta de ciclofaixas. Por toda parte. E a grande maioria conectada
Cantos e Recantos Cantos e Recantos
A temporada de sol está nos espreitando, e a Praia de Boa Viagem é sempre uma opção de passeio. Mas que tal ousar um pouquinho na quilometragem e desbravar outros destinos? Pernambuco tem muitos lugares fantásticos e você vai adorar o roteiro que o JC fe

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM