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CINEMA

Alain Guiraudie incomoda em Na Vertical, do Festival Varilux

Longa será exibido no domingo (18/6), no Cinema da Fundação/Museu, em Casa Forte

Publicado em 16/06/2017, às 05h52

Damien Bonnard, numa cena de Na Vertical / Zeta Filmes/Divulgação
Damien Bonnard, numa cena de Na Vertical
Zeta Filmes/Divulgação
Ernesto Barros

Entre os 19 longas-metragens do Festival Varilux de Cinema Francês, nenhum outro é mais radical e incômodo que Na Vertical, o sexto longa-metragem de Alain Guiraudie, o segundo a ser lançado comercialmente no Brasil. Com um carreira iniciada no começo dos anos 1990, Guiraudie só saiu do círculo restrito dos filmes de arte e ensaio em 2013, quando conquistou o prêmio de Melhor Direção da mostra Un Certain Regard por Um Estranho no Lago, que também ganhou a Palma Queer, no Festival de Cannes. Neste domingo (18/6), Na Vertical será exibido às 20h10, no Cinema da Fundação/Museu, em Casa Forte.

O ator principal do filme, o cineasta Léo, é interpretado por Damien Bonnard, uma das novas caras do cinema francês. Ele esteve no Rio, na semana passada, na comitiva de artistas que veio ao Brasil acompanhar o lançamento do Varilux. “Eu conheci Alain durante um teste de elenco, mas já tinha visto alguns curtas dele e o longa O Rei da Fuga. Nessa época, além de ator, eu também colava cartazes – colei, inclusive, os cartazes de Um Estranho no Lago”, relembra o ator. “O Rei da Fuga foi um filme que me impactou muito e eu cheguei a enviar uma carta para Alain, mas ele disse que não lembrava se recebeu. Na carta, eu escrevi que faria até o papel de uma arbusto falante em algum filme dele”.

Damien Bonnard e Alain Guiraudie têm em comum o fato de terem nascido e vivido no campo. Só adultos é que foram morar numa cidade grande. Ele disse que a relação entre os dois foi de muita cumplicidade e sem estresse, até durante os ensaios. “Eu não me preparei muito, foi uma coisa mais intuitiva. Fiz essa escolha para que me sentisse dizendo as falas como se fosse sempre a primeira vez, porque a relação do meu personagem com os outros é muito espontânea. Naturalmente, decorei as falas. O principal pedido de Alain foi que eu pegasse um bronzeado integral, então eu visitei minha mãe no campo e fiquei tomando sol”, ressaltou Damien.

Quem viu Um Estranho no Lago vai perceber que Na Vertical é um filme diferente daquele. Mas quem viu os filmes anteriores de Guiraudie – exibidos numa retrospectiva do Festival do Rio, no ano passado –, vai sacar que o segundo tem mais a ver com o corpo de sua obra. Não que Um Estranho no Lago seja tão estranho e diverso assim, ao contrário, é que este traz alguns elementos, como o suspense, por exemplo, que não está na base do cinema dele. Entretanto, juntos, os dois filmes dão uma ideia muito justa de suas motivações, já que ele faz um cinema em que sexo e política não se separam.



HOMOEROTISMO

“A questão do homoerotismo não me atraiu tanto assim. O que gosto em Alain é a loucura do universo dele. Eu vejo muita beleza nas relações entre os personagens dos seus filmes. Ele traz para o cinema a necessidade sexual de homens mais velhos, uma questão que não é tocada por outros diretores. Nos filmes dele, o real se mistura com o sonho e o pesadelo. Muitas vezes você não sabe onde começa um termina o outro, porque ele inverte essas noções. Em Na Vertical, eu achei muito rico o fato de o meu personagem ser um intruso bem-intencionado, que vaga procurando algo que não sabe o que é, até que finalmente encontra o que queria”, explica o ator.

Com um pé firmado no surrealismo e outro na vida simples da zona rural da França, Guiraudie acompanha os altos e baixos do cineasta durante o processo de escrita de um roteiro. Embora o registro seja realista, Léo se envolve em situações absurdas e estranhas, como cuidar de um filho sozinho e se envolver sexualmente com um idoso à beira da morte. Várias vezes, o filme arranca risos nervosos do público, em virtude de imagens inesperadas e aparentemente gratuitas, como a filmagem de um parto ou quando o personagem é atacado por moradores de rua.

Depois desse filme, o cacife de Damien Bonnard foi às alturas. Só este ano, ele está presente em quatro longas-metragens. O primeiro foi Thirst Street, do americano Nathan Silver, que estreou nos Estados Unidos em abril passado. Até o final do ano, Damien vai aparecer ainda em D’Après une Histoire Vrai, de Roman Polansky, que foi exibido fora da competição no último Festival de Cannes. E também em Dunkirk, a superprodução de Christopher Nolan que estreia no final de julho, inclusive no Brasil. Neste filme, sobre uma batalha durante a Segunda Guerra Mundial, Damien faz um soldado francês. Mas o que ele mais gostou de fazer foi Neuf Doigts, de F. J. Ossang. “Ele é um cineasta culto, pertencente à linhagem de Luís Buñuel e David Lynch”, afirma o ator.





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