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Vida ou Morte

Documentário 'Plantão Judiciário' aborda a judicialização da saúde

Varando a madrugada no órgão jurídico que dá nome ao filme, o jornalista Daniel Brunet aborda casos de vida ou morte que precisam de resoluções urgentes

Publicado em 09/05/2018, às 09h43

O documentário 'Plantão Judicário' retrata casos de vida ou morte em órgão jurídico / Foto: Divulgação
O documentário 'Plantão Judicário' retrata casos de vida ou morte em órgão jurídico
Foto: Divulgação
Rostand Tiago

Ao cair da noite, as portas dos tribunais já estão fechadas, mas a necessidade de decisões judiciais imediatas também podem surgir nesse período, quando grande parte das togas já estão guardadas.

Para essas ocasiões, há um desconhecido órgão que atravessa a madrugada resolvendo, ou tentando resolver, as pendências. Ele dá nome ao documentário Plantão Judiciário, do jornalista Daniel Brunet, a ser exibido no próximo Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, a ser realizado neste mês.

Mesmo se passando dentro de um órgão judicial, a produção tem como objetivo discutir as falhas no sistema de saúde, já que muitos casos de vida ou morte são levados para lá.

Justiça e saúde de mãos dadas

Repórter há 10 anos no jornal O Globo, Daniel costuma cobrir a área de saúde, surgindo daí a visão sobre um mecanismo que julga ser tão importante quanto desconhecido. "Eu levei o documentário para uma faculdade de direito no Rio e, das 160 pessoas presentes, apenas duas conheciam o Plantão Judiciário. Muitos casos em que vidas estão em risco começam a ser resolvidos lá, como internações que precisam de autorização judicial urgente, podendo levar à perda de um membro ou até a morte de alguém", conta Brunet.

O documentário de 15 minutos foi gravado durante uma madrugada no Plantão Judiciário do Rio de Janeiro, com pouco trabalho de pré-produção e uma equipe reduzida, que contava com duas pessoas responsáveis pelas câmeras, uma pelo áudio e outra pela produção.



Vararam a noite abordando aqueles que esperavam atendimento e descobrindo histórias. A equipe não cobrou para trabalhar com Daniel, juntando-se ao repórter apenas pelo interesse na pauta. "A gente não tinha personagens acertados, então eu estava muito preocupado se realmente iria encontrar histórias por lá, já que a gravação foi condensada em uma noite. Conseguimos personagens impactantes, em um dia rotineiro, casos terríveis acontecem", explica Daniel.

Histórias na madrugada

Entre os casos documentados está o de um jovem que é baleado ao fugir de um assalto, precisando ser avaliado com urgência por um neurologista para seguir com o procedimento de remoção da bala. Também o de um casal que tenta internar um bebê nos primeiros anos de vida. Em sua forma, o documentário concilia interação com observação, em que o jornalista utiliza sua experiência profissional para alcançar, da melhor forma possível, pessoas em situações delicadas. "A maior preocupação era com o resultado final. Estava receoso de apenas encontrar casos de tentativa de internação em CTI, que são mais comuns, mas a diversidade de situações foi realmente surpreendente", conta Brunet.

Daniel faz um documentário em que o tema principal é saúde, mas que nunca remete ao imagético de hospitais, macas e jalecos. A limitação física do espaço do Plantão é influenciado por um estilo marcado pelo documentarista Eduardo Coutinho, principalmente em sua conceituação de "dispositivo", que dá, justamente, essa restrição ao ambiente.

É um filme sobre a  judicialização da saúde. Nele, mostramos como a má gestão, em vários níveis, acaba por sobrecarregar o judiciário", afirma o diretor.

A ideia é que o filme tire o ano para circular no máximo possível de festivais, como também em comunidades do Rio de Janeiro e em faculdades de direito. "Tem muita gente que realmente precisa saber que esse serviço existe, a ideia é usar as duas potencialidades da linguagem do documentário: contar uma história e informar", conclui.




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