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CRÍTICA

Em Cannes, 'Under the Silver Lake' aposta numa sombria Los Angeles

O filme de David Robert Mitchell mostra o desaparecimento misterioso de uma garota

Publicado em 16/05/2018, às 12h32

Andrew Garfield é o protagonista de Under the Silver Lake / Reprodução
Andrew Garfield é o protagonista de Under the Silver Lake
Reprodução
JC Online

Um mergulho alucinado em Los Angeles e na cultura pop: David Robert Mitchell convida o espectador a seguir seus passos atrás de David Lynch e Alfred Hitchcock em "Under The Silver Lake", seu terceiro longa-metragem em competição no Festival de Cannes, na França.

Andrew Garfield interpreta Sam, um jovem de cabelo sempre despenteado como se tivesse acabado de acordar. O rapaz de 30 anos passa seu tempo estirado no sofá, até conhecer sua bonita vizinha, interpretada por Riley Keough (também em "A Casa Que Jack Construiu" de Lars von Trier).

Assim que os dois se aproximam, a jovem mulher desaparece, levando Sam a embarcar numa longa jornada, entre pesadelos e alucinações na Cidade dos Anjos.

"O filme é um mistério, a narração é um mistério, o personagem principal é um mistério", afirmou nesta quarta-feira o diretor americano em entrevista coletiva.

Com seus personagens fantasmagóricos, "Under the Silver Lake" se apresenta como um labirinto pop, brincando com os códigos do cinema noir.

A trilha sonora que remete a Bernard Herrmann, o compositor de vários filmes de Hitchcock, desempenha um papel fundamental no filme, acentuando os efeitos dramáticos da narrativa.



LOS ANGELES

Este filme, com duração de 2h20, leva o espectador a passear por Los Angeles - passando por cemitérios de celebridades, pelo Observatório Griffith e pela colina com o letreiro de Hollywood - e o mergulha num universo saturado de referências (quadrinhos, a Era de ouro do cinema de Hollywood, o rock dos anos 90 de Nirvana ao REM, o último filme de Marilyn Monroe ...).

Mas pisa em falso em determinados momentos e David Robert Mitchell perde o espectador. Apesar de uma direção de arte brilhante o filme foi recebido de forma morna na terça-feira à noite durante sua exibição de gala.

Ainda assim, os fãs do cineasta, conhecido pelos amantes do gênero, devem sair satisfeitos com as cenas das piscinas, com sua descrição de um universo preso à adolescência, com uma sexualidade angustiada e sua descrição de uma certa solidão.

David Robert Mitchell deixou sua marca com "It Follows" (Corrente do Mal, de 2014), sobre um adolescente que passa a ser perseguido por uma presença sobrenatural após uma relação sexual.

O filme de terror eficaz e multifacetado tornou-se a marca do novo cinema independente americano. O diretor de 44 anos se define como um grande fã de David Lynch, Brian de Palma e John Carpenter.


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