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Festival de Cannes

Em Cannes, brasileiros protestam contra o 'genocídio indígena' no País

A equipe do filme 'Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos', filmado na comunidade Krahô, em Tocantins, levou a denúncia ao tapete vermelho do festival

Publicado em 17/05/2018, às 11h49

O protesto responde à mobilização de líderes indígenas no Brasil, que acusam o governo do presidente Michel Temer de se negar a demarcar as terras indígenas e favorecer os empresários rurais / Foto: AFP
O protesto responde à mobilização de líderes indígenas no Brasil, que acusam o governo do presidente Michel Temer de se negar a demarcar as terras indígenas e favorecer os empresários rurais
Foto: AFP
AFP

A equipe do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos denunciou no tapete vermelho de Cannes o "genocídio indígena" no Brasil, com cartazes em vários idiomas.

A produção da brasileira Renée Nader Messora e do português João Salaviza, exibida na mostra Um Certo Olhar, foi filmada na comunidade Krahô, no estado de Tocantins, durante nove meses.

Os dois cineastas, assim como os protagonistas do filme, Ihjãc Krahô e Koto Krahô, e os produtores compareceram à exibição com roupas pretas e cartazes de protesto.

"Pelo fim do genocídio indígena" e "Demarcação já", afirmavam os cartazes em português, inglês e francês. 

O protesto responde à mobilização de líderes indígenas no Brasil, que acusam o governo do presidente Michel Temer de negar-se a demarcar as terras indígenas e favorecer os empresários rurais.



Em uma entrevista à AFP, Renée Nader Messora e João Salaviza criticaram o "perigoso discurso" político atual que "nega" aos índios sua condição, simplesmente porque adotam costumes ocidentais, como usar roupas ou ter um celular.

"Ser indígena é um modo de ser e não de aparentar", declarou Salaviza.

O filme

A resistência de um jovem Krahô a se tornar xamã após a morte de seu pai - que o leva a partir temporariamente para a cidade - serve como argumento e pretexto para mostrar o dia a dia destes indígenas, suas tradições e cerimônias.

"Os Krahô são responsáveis por seu próprio bioma, mas estão ameaçados, principalmente pela monocultura de soja e cana e pela pecuária", explicou Nader Messora.

Em sua estreia em Cannes, esta cineasta brasileira, casada com Salaviza, destacou a importância de que no maior festival de cinema do mundo "se esteja vendo um filme sobre os Krahô, falado em seu idioma".

Brasil em Cannes

Chuva e Cantoria na Aldeia dos Mortos é o terceiro filme brasileiro selecionado nesta edição de Cannes. Também se apresentou O Grande Circo Místico, de Carlos Diegues, na seleção oficial fora de competição, e Los Silencios, de Beatriz Seigner, na Quinzena dos Realizadores.





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