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Keegan-Michael Key sobre a diversidade: 'Estamos no caminho'

O ator diz estar 'otimista' com as mudanças em uma indústria que geralmente dava papéis secundários aos atores negros

Publicado em 13/06/2018, às 19h50

O ator Keegan-Michael Key em cena com Obama / Yuri Gripas/AFP/Getty Images
O ator Keegan-Michael Key em cena com Obama
Yuri Gripas/AFP/Getty Images
Javier Tovar, da AFP

Os recordes de bilheteria de "Pantera Negra", o Óscar de "Corra!" e "Moonlight": o ator  Keegan-Michael Key está otimista quanto a maior diversidade em Hollywood, mas esclarece que ainda há um longo caminho a percorrer.

O ator de teatro e cinema, popular nos Estados Unidos por sua dupla cômica com Jordan Peele, diretor de "Corra!", está "otimista" com as mudanças em uma indústria que geralmente dava papéis secundários aos atores negros.

"Estamos no caminho certo", disse ele. "E espero não estar sendo inocente, mas acredito que algo está acontecendo", continuou ele em entrevista à AFP no lançamento do filme de animação "Hotel Transilvânia 3", que estreia em 12 de julho nos cinemas brasileiros, e no qual reencarna novamente a divertida múmia Murray.

Drácula e sua família de monstros saem de férias em um navio de cruzeiro, algo que Key jamais fez - além de tomar uma balsa com sua família quando menino - e que não se vê fazendo.

"É muita gente... você não tem para onde fugir, fica preso". Então ele passa por essa experiência como um personagem de desenho animado.

Key, o "tradutor da raiva" de Barack Obama no jantar dos correspondentes da Casa Branca, estreou no ano passado na Broadway em "Meteor Shower" com Amy Schumer, e em setembro retorna ao cinema com "O Predador", o quarto filme da franquia de ficção científica.

"Está no meu contrato que eu não sou o primeiro a morrer", brincou ele quando perguntado sobre o enredo típico dos filmes de ação em que os personagens negros são os primeiros a morrer.



E apesar de ser uma piada, também é um sinal de como os tempos estão mudando.

"Faca de dois gumes" 

Hollywood encarou há dois anos atrás a polêmica do #OscarSoWhite, quando apenas brancos foram indicados nas categorias de atuação e direção.

E em 2017, "Moonlight" conquistou o Oscar de Melhor Filme e Corra! o prêmio de Melhor Roteiro Original por um filme de terror, que satiriza precisamente temas raciais.

"Quem dirá a mim, olhando diretamente nos meus olhos, que não se pode vender internacionalmente rostos negros, mestiços?", questionou Key, citando os 1,3 bilhão de dólares arrecadados por "Pantera Negra", o primeiro filme do universo Marvel dedicado exclusivamente a um super-herói negro.

"Um rosto negro, amarelo, mestiço... não importa. Uma boa história é sempre uma boa história", continuou ele. "Não importa quantos atores negros sejam colocados, se a história é ruim, é ruim, não importa quantos atores brancos, se é ruim, é ruim".

"Minha esperança é que um dia a história seja julgada e não por seu elenco branco ou negro".

Sobre a cláusula de diversidade proposta durante o Oscar por Frances McDormand, Key disse: "Ainda não me meti nisso, mas é algo que eu estou realmente considerando, eu estou começando a examinar".

A "inclusion rider" (cláusula de inclusão) começou a soar fortemente em meio ao surgimento de movimentos como #MeToo e Time's Up por maior equidade de gênero. E consiste precisamente em que os atores possam exigir em seus contratos que haja diversidade e equidade no elenco e na equipe de produção.

Mas para Key, "é uma faca de dois gumes", porque "ao aceitar trabalhos você pode ganhar mais influência para fazer coisas boas para o mundo. Quanto mais famoso, mais posso fazer".  


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