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Série de TV bota os críticos de cinema na berlinda

Palavra crítica, dirigida por Tiago Leitão, está sendo gravada no Recife e estreia na TV Universitária até o final do ano

Publicado em 19/06/2019, às 05h32

Crítico de cinema Alexandre Figueirôa / Opara FIlmes/Divulgação
Crítico de cinema Alexandre Figueirôa
Opara FIlmes/Divulgação
Ernesto Barros

Desde a última quinta-feira (20) que 12 críticos de cinema brasileiros – de várias gerações e partes do País, incluindo Pernambuco – ficaram horas num estúdio de TV do Recife, analisando a atividade e sua relação com o público, cineastas, veículos de comunicação, processos de escrita e, não menos importante, a história pessoal de cada um – da formação profissional aos filmes e imagens que marcaram suas vidas. Eles são os personagens da série Palavra Crítica, dirigida por Tiago Leitão, com a colaboração do crítico André Dib na pesquisa e elaboração do projeto. Até o final do ano, a série será exibida TV Universitária.

“O processo de gravação tem sido ótimo, ao final de cada entrevista fica a impressão de ter assistido a uma aula de cinema, temos inclusive pensado em desdobrar esse conteúdo no formato livro, com as entrevistas na íntegra. Antes de tudo há o amor pelos filmes e o fascínio pelo cinema, o desejo de compartilhar a experiência e estabelecer um diálogo”, explica Dib.

De acordo com Leitão, que já produziu e dirigiu curtas e documentários, as entrevistas têm confirmado com clareza o envolvimento que os críticos têm com o cinema. “De forma geral, existe um entendimento da função da crítica enquanto um processo profundo de análise fílmica, não só como uma questão informativa para definir se o filme é bom ou ruim, mas, com base no conhecimento, estudo, conceitos e experiências de vida, escrever para se comunicar com os eleitores”.

“Quando o projeto foi escrito, há alguns anos, o objetivo era convidar críticos e críticas de diferentes trajetórias, gerações, formações, estilos e regiões. Penso que até certo ponto a meta foi alcançada. No entanto, o cenário da crítica contemporânea é tão rico e diverso que estamos planejando novas temporadas, tendo como critério os pontos acima e também as pautas identitárias”, analisa Dib, que também viu que era importante não esquecer da memória da crítica. “A gente também está entrevistando críticos mais antigos, como o pernambucano Celso Marconi e o paraibano João Batista de Brito".



CRÍTICOS

Além dos decanos da crítica, participam da série Heitor Augusto, Luiz Zanin e Marcelo Lyra, de São Paulo; Marcelo Ikeda, que trafega entre o Rio e Fortaleza; e José Geraldo Couto, de Florianópolis. Pernambuco tem um conjunto considerável de críticos: além de Celso Marconi, estão presentes Alexandre Figueirôa, Ângela Prysthon, Carol Almeida, Luiz Joaquim e este que escreve esta reportagem.

No formato da série, os críticos praticamente contam toda a trajetória de vida deles tendo o cinema como ponto de partida e chegada, desde os primeiros anos em que foram afetados pelas imagens em movimento até a fronteira aberta com a internet.
Nascido em Jaú, o paulista José Geraldo Couto, atualmente morador de Florianópolis, é critico de cinema desde 1989, quando saiu da Folha de S. Paulo, onde era redator do caderno Cidades, e foi para a revista Set. Em 1991, ele voltou à Folha, continuando a escrever sobre cinema, o que faz até hoje no blog do Instituto Moreira Salles. “Com a internet, houve uma proliferação de vozes, o que suscitou o surgimento de muitos críticos, embora também tenha liberado o senso comum e diminuído um pensamento mais profissional. Mas a crítica não deixou de ser importante, ao separar o trigo do joio e do que é perda de tempo. A minha geração teve que reciclar com a internet”, aponta Couto.

Os filmes mais queridos pelos críticos e as cenas que marcaram suas vidas nas salas dos cinemas também fazem parte da série. “Sempre achei muito complicado essa coisa de melhor filme ou filme da sua vida. Fico sempre meio perdido, mas como tinha que dar um destaque, o filme que comentei foi Terra em Transe, de Glauber Rocha, que é o que gosto mais e que continua contemporâneo. Também falei do Albatroz, em Casa Amarela, o cinema da minha infância, e de uma sessão inesquecível de Happy Togheter, de Wong Kar-wai, em 1997, no Festival de Cannes”, contou Alexandre Figueirôa, crítico do Jornal do Commércio, na década de 1990.





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