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Na tela da TV

Pernambuco visto como cenário para a teledramaturgia brasileira

A minissérie Justiça está sendo gravada em Olinda e Recife. Antes dela, o Estado foi locação de várias produções televisivas

Publicado em 22/05/2016, às 06h00

O ator Cauã Reymond tem circulado por Recife e Olinda para gravar a próxima minissérie da Globo, Justiça. / Foto: Instagram/@cauareymond/Reprodução
O ator Cauã Reymond tem circulado por Recife e Olinda para gravar a próxima minissérie da Globo, Justiça.
Foto: Instagram/@cauareymond/Reprodução
Robson Gomes

Em março deste ano, uma pequena equipe formada pela produtora Brenda da Matta, o diretor de fotografia Walter Carvalho e o diretor geral José Luiz Villamarim – responsável por assinar os mais recentes sucessos da teledramaturgia da Rede Globo como Avenida Brasil (2012), O Canto da Sereia (2013) e Amores Roubados (2014) – fez uma visita de campo por Recife e Olinda. O objetivo: verificar a viabilidade das cidades para ser plano de fundo para mais uma obra de ficção da emissora carioca. E, no fim do mês seguinte, uma comitiva estelar de atores e equipe técnica desembarcou na capital pernambucana para gravar boa parte dos vinte capítulos da próxima trama das 23h: Justiça, escrita pela baiana Manuela Dias, que fez sua estreia solo em 2016 no canal ao escrever a bem sucedida Ligações Perigosas, em janeiro deste ano e no mesmo horário.

O processo de captação de cenas segue a todo vapor nas pernambucanas cidades-irmãs e promete ir, pelo menos, até o mês de junho, quando as gravações complementares serão concluídas nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. No elenco que desembarcou por aqui estão nomes como Débora Bloch, Leandra Leal, Enrique Diaz, Luiza Arraes, Camila Márdila, Pedro Nercessian, Vladimir Brichta, Jesuíta Barbosa e Cauã Reymond. O casting da série se completa ainda com Marjorie Estiano, Adriana Esteves, Antônio Calloni, Cássio Gabus Mendes, Julia Dalavia (recém-saída da primeira fase de Velho Chico) e Marina Ruy Barbosa, que ainda está concluindo as gravações de Totalmente Demais, que termina no fim deste mês.

Vários pontos do Recife e de Olinda já receberam a equipe de Justiça para servir como locação. Na capital, gravações foram feitas no Mercado de São José, no Edifício Holiday em Boa Viagem, na praia e bairro do Pina, e no Teatro de Santa Isabel. Já na Marim dos Caetés, os trabalhos foram realizados no Largo do Amparo e na Ladeira da Misericórdia. Nas redes sociais dos atores que estão pelas cidades-irmãs, é possível acompanhar um pouco dos bastidores das gravações, além de ver por onde os artistas circulam quando não estão em serviço.

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Cenário querido

A gravação de Justiça em Pernambuco, no entanto, não é algo inédito na teledramaturgia brasileira. A relação do Estado como cenário para as telenovelas começa nos anos 80, mais precisamente em 11 de agosto daquele ano. No primeiro capítulo de Coração Alado, novela das oito de Janete Clair, o Brasil viu a Terra dos Altos Coqueiros através de Nova Jerusalém, quando foi exibida uma encenação da Paixão de Cristo, dirigida por José Pimentel. A sequência contou com a participação de 40 atores e 1.200 figurantes, segundo a Memória Globo. Porém, o Estado acabou esquecido pelos folhetins por quase 20 anos.

E não foi a emissora carioca que olhou novamente para este destino tempos depois. No ano 2000, a Rede Record resolveu descentralizar as gravações da novela Vidas Cruzadas e escolheu Pernambuco como ambientação principal, realizando toda a gravação da trama. Para isso, além do Recife, Serrambi e Fernando de Noronha foram locações do folhetim protagonizado por Dalton Vigh, Alexandre Barillari e Patrícia de Sabrit. Informações da época registraram que uma equipe de 150 pessoas – mais 33 do elenco – e toneladas de equipamento foram deslocadas para o Nordeste, com direito a alugar uma casa de 12 quartos na capital para colocar toda a parafernália.



Voltando ao Sertão pernambucano, a Globo foi para Belém de São Francisco erguer uma pequena cidade cenográfica para as gravações dos primeiros capítulos do fenômeno Senhora do Destino, em 2004. Na região foram levantadas as frentes das casas de Maria do Carmo (Carolina Dieckmann, na 1ª fase) e de seus vizinhos, interpretados pelos atores da terra José Fonseca e Daniela Nogueira. Uma feira fictícia também foi montada com vários elementos de Caruaru.

Em 2007, duas tramas globais usaram Pernambuco para suas locações. Paraíso Tropical, de Gilberto Braga, realizou gravações em Porto de Galinhas e no resort Nannai, na praia de Muro Alto. Esta última, inclusive, acabou sendo paisagem, posteriormente, de mais duas obras: Passione (2010) e Verdades Secretas (2015). Já Duas Caras, de Aguinaldo Silva, teve cenas iniciais nas palafitas de Brasília Teimosa (com o ator Tarcísio Meira, inclusive), Ilha de Itamaracá e no centro histórico de Olinda, com participação do Maracatu Nação Maracambuco e cerca de 600 figurantes. Dalton Vigh, protagonista do folhetim, acabou voltando para Recife para gravar no Aeroporto dos Guararapes e em algumas locações da primeira fase para fazer as cenas finais da trama.

O Marco Zero, a Praça do Arsenal, o Poço da Panela e lugares como o Porto Digital e a Caixa Cultural foram usados para a novela das sete Geração Brasil, em 2014. O núcleo pernambucano formado pelos atores Chandelly Braz, Julia Konrad e Johnny Hooker teve grande destaque na trama escrita por Felipe Miguez e Izabel de Oliveira. E no ano seguinte, Fernando de Noronha foi o pano de fundo de algumas sequências para a novela Sete Vidas.

Entretanto, em 2016, Pernambuco não será só vista na teledramaturgia através de Justiça. A minissérie Conto Que Vejo, do conterrâneo Hilton Lacerda, será exibida na TV Brasil no segundo semestre. Com cinco capítulos, toda a obra foi rodada em Triunfo, a 400 quilômetros do Recife, com casas do século 19 e sítios da zona rural transformados em locações.




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