Jornal do Commercio
ENTREVISTA

Juliana Paes fala da força do amor de Zana em 'Dois Irmãos'

Personagem será a principal motivadora do ódio entre os gêmeos Omar e Yaqub

Publicado em 04/01/2017, às 09h42

"Acho que é possível gostar igualmente. Mas afinidade é diferente disso. Eu entendo a Zana", afirma Juliana
Foto: TV Globo/Divulgação
Raquel Rodrigues da Estadão Conteúdo

Juliana Paes viverá fortes emoções em 'Dois Irmãos', que estreia dia 9 de janeiro, após 'A Lei do Amor', na Globo. Na pele da mãe dominadora Zana, a personagem será o principal motivo do ódio entre gêmeos Omar e Yaqub (Lorenzo Rocha/ Enrico Rocha/ Matheus Abreu/ Cauã Reymond). Seu excesso de amor por apenas um dos filhos dará margem a conflitos que destruirão a família que formou com Halim (Bruno Anacleto/ Antonio Calloni/ Antonio Fagundes) com o passar do tempo. O desejo de ver a paz entre Omar e Yaqub jamais será realizado.

Na entrevista a seguir, a atriz de 37 anos fala sobre sua personagem, da série abordar incesto e da expectativa para a estreia da minissérie baseada na obra homônima de Milton Hatoum. Além disso, conta se seus filhos sentem ciúme dela e se há cenas de violência na trama dirigida por Luiz Fernando Carvalho e adaptada para a televisão por Maria Camargo.

ENTREVISTA / JULIANA PAES

Em 'Dois Irmãos', Zana é mãe de Omar e Yaqub, mas tem uma predileção pelo primeiro. Você compreende esse sentimento?

JULIANA PAES - Preferir é uma palavra que embute muitas coisas. Acredito que o amor por um filho é incondicional mesmo, só que paira em algo maior, mais abrangente. E afinidade é outra história. Às vezes, a gente tem mais afinidade com um do que com outro. Isso é preferir? É amar mais? Não sei. Acho que é possível gostar igualmente, desejar a mesma coisa, se dedicar a todos sem desmerecer nenhum. Mas afinidade é diferente disso. Eu entendo a Zana.

É só afinidade mesmo? Ou existe outro sentimento?

JULIANA - Essa foi a pergunta que me fiz durante todo o período em que a gente gravou. Por que essa mulher fez essa escolha? Tem uma afinidade, mas também tinha algo mais denso, certa paixão, coisa de pele e cheiro. É um assunto um pouco mais delicado, meio tabu. Ficava um pouco subentendido. O que achava, no final das contas, é que eu não tinha de entender mesmo. Tem coisas que a gente sente e não explica. No livro estava escrito: "Por uma razão que Zana não sabia ou não queria explicar, ela segurou mais forte a mão de um gêmeo do que de outro". Se nem o Milton (Hatoum) verbalizou essa referência, não ia me impor essa missão

A série fala de uma possível relação incestuosa entre mãe e filho e também entre os irmãos com Rânia. Como foi tratar de um assunto tão polêmico? 



JULIANA - Isso é um componente coadjuvante. Existe algo de um olhar mais intenso da mãe para um dos filhos, mas não existe sexualidade explícita entre eles em momento nenhum. Entre os irmãos e Rânia (Raphaela Miguel/ Letícia Almeida/ Bruna Caram) fica subentendida uma relação, uma sensualidade, mas também algo que nunca é dito. Se for esmiuçar o livro, você vê que tudo é insinuado. O leitor pode imaginar o que quiser.

Na vida real, seus filhos sentem ciúme um do outro?

JULIANA - O Pedro (mais velho, 6 anos) tem muito ciúme do Antônio (o caçula, 3 anos). E, em particular, essa minissérie foi emblemática e difícil pra mim. Antônio tinha chegado há muito pouco tempo, era pequenininho quando gravamos 'Dois Irmãos'. Eu estava muito apaixonada pelo Pedro e, de repente, chegou outro bebê. Às vezes, tinha de dar um pouco mais de atenção pro mais velho, mas quem precisava mais era o novinho. Eu trabalhava, mas tirava leite para mandar pra casa. Só que isso foi só por um período. Depois, percebi que eles estavam ficando bem sem mim. Nós, mães, é que não ficamos! Foi difícil, eu chegava em casa um pouco mexida com tudo que a gente vivia nas gravações.

'Dois Irmãos' foi gravada em 2015. Como lidou com essa espera?

JULIANA - Estava muito ansiosa. Tinha medo de o Sérgio Mallandro chegar e falar que era uma grande pegadinha, que não ia acontecer nada, porque a gente estava esperando há muito tempo! É difícil aguardar tanto para assistir, estamos acostumados a fazer e ver logo no ar. Foi mais do que normalmente demora o lançamento de um filme. O elenco todo estava muito ansioso.

Halim tem um lado violento. Ele chega a agredir a Zana em algum momento?

JULIANA - Halim nunca bate em Zana, mas, em um determinado momento, ele agride um dos filhos, tomado pela selvageria da raiva. Não é um homem agressivo, ao contrário. A ação é sempre da Zana, ela é a mulher atuante. Halim tem uma postura contemplativa, gosta de conversar e de viver. Há uma cena em que Halim amarra um dos gêmeos numa escada e a Zana fica se jogando ali, tentando tirar aquela corrente. Tudo isso é muito físico. E o Luiz Fernando (Carvalho) acredita demais na ação que dá vez à emoção. 

Durante as gravações, você parou para pensar sobre como a postura dessa mãe afetou a família?

JULIANA - Sim, em alguns momentos. Como educadores e como pais, temos uma missão muito importante. Nessa história, fica muito claro que uma atitude de Zana mudou a trajetória da família inteira. Ela não mexeu só com um dos filhos, mas com os dois gêmeos, a filha, o marido... Uma família emocionalmente sadia, que sabe lidar com essas emoções e passar isso para suas crianças é essencial na formação do nosso caráter. Meus filhos têm comportamentos muito diferentes, assim como o Omar e o Yaqub Um gosta do mar, o outro da lagoa. Um é manso e na conversa mesmo ganho ele. Já o outro eu só venço na briga. São linhas de educação diferentes. E, às vezes, não sei como agir. Precisamos transformar esses meninos em grandes homens e sem neuras, paranoias ou ciúme. Criar filho não é brincadeira.




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