Jornal do Commercio
'La Novia del America'

Entrevista com Lucero: Praticamente uma brasileira

Diretamente do México, a cantora e atriz - sucesso na novela 'Carinha de Anjo', do SBT - conversa sobre a vida, carreira e o primeiro CD em português com o Jornal do Commercio

Publicado em 20/08/2017, às 05h00

Sucesso na música e na TV, a mexicana Lucero gravou um disco cantando em português. / Foto: Universal Music/Divulgação
Sucesso na música e na TV, a mexicana Lucero gravou um disco cantando em português.
Foto: Universal Music/Divulgação
Robson Gomes

Se a cantora e atriz mexicana tivesse sobrenome artístico, bem que poderia ser Sucesso. Aos 47 anos, a "namorada da América" tem carreira sólida na música e nas novelas. No Brasil, tem atuado em português pela primeira vez na trama Carinha de Anjo, do SBT/TV Jornal. Diretamente do México, a estrela conversou com o Jornal do Commercio sobre a carreira, o nosso País e o seu primeiro disco em português: o recém-lançado Brasileira.

ENTREVISTA // LUCERO

JORNAL DO COMMERCIO - Lucero, em que momento você percebeu que o caminho artístico era o seu destino?
LUCERO - Eu percebi que eu queria ser artista desde muito pequena. Aos quatro anos, eu pedia para minha mãe me levar à televisão, porque eu queria ser cantora, atriz, uma artista! Minha mãe dizia que não conhecia ninguém, que não era fácil, que era algo muito complicado. Mas eu insistia que queria fazer “ao menos” uma novela. Aos 10 anos, ela ficou sabendo de uma audição para um programa para crianças na televisão. Ela me levou, e finalmente me aceitaram. E assim foi até hoje. Tem sido muitos anos de trabalho, de esforços, mas de muitas satisfações, muitas bênçãos e coisas muito lindas que agora eu me sinto muito orgulhosa, muito satisfeita de ter feito tudo que eu queria fazer, que eu sonhava quando eu era uma menina. Eu acho que tinha esse sonho dentro da minha alma, como se eu soubesse que eu tinha que ser artista. Não pensava em mais nada. Não queria ser doutora, médica ou advogada: eu queria ser artista!

JC - Atuar ou cantar: É possível definir qual a sua maior paixão?
LUCERO - É difícil porque eu adoro as duas coisas! Adoro cantar, adoro atuar e também apresentar, como era o caso do Teleton aqui no México, onde fui madrinha por mais de 16 anos, então é difícil escolher uma coisa só. Atuar é uma paixão maravilhosa porque eu posso fazer coisas que eu não posso fazer na minha vida real. Eu posso ser diferentes personagens: uma vilã, uma mocinha, muitas coisas. Mas cantando, eu sou Lucero. Eu gosto muito de ser a Lucero e dar uma mensagem de amor, de positivismo, de coisas lindas para o público sendo a Lucero mesmo. Eu gostaria de fazer sempre as duas coisas, sempre ter uma carreira que possa combinar as duas áreas. Acho que é mais lindo assim porque tenho a oportunidade de chegar a mais corações, mais pessoas, mais público, atuando e cantando. Acredito que esse ano e no próximo eu quero fazer mais música, cantar mais que atuar. Amo as novelas, são parte da minha vida e carreira, mas acho que tem absorvido muito tempo para ter a oportunidade de fazer os shows, as viagens que quero fazer cantando. Então acho que agora vou deixar as novelas aqui no México por um tempinho. A novela Carinha de Anjo foi melhor porque tive a oportunidade do SBT de ter todas as minhas cenas juntas e somente gravar por temporadas, ao invés de ficar gravando por oito meses, dez meses, um ano, como ocorre com as novelas normalmente. Então acho que agora, a música é mais importante na minha carreira.

JC - Em que momento 'La Novia de América' percebeu que tinha um público brasileiro muito grande?
LUCERO - Eu percebo esse carinho do público brasileiro como um presente, porque eu sempre tive um carinho muito especial pelo Brasil. As músicas brasileiras, o idioma, a cultura brasileira para mim, sempre foi algo muito lindo. Sempre tive um interesse especial nesse povo, nessas pessoas amorosas, sempre alegres e cantando. A primeira vez que eu visitei o Brasil foi em 1985 e percebi um carinho muito especial. Era um público muito apaixonado e carinhoso. As primeiras visitas foram por causa da novela Chispita. Com ela, fiz vários programas de entrevista e coisas muito lindas. Depois fiquei alguns anos sem visitar o País, mas vinha percebendo o carinho nas redes sociais. As fãs, que são uma legião, um exército incrível que me enche de carinho, de amor, de presentes, eu as percebi novamente com a novela A Dona, que me trouxe muito sucesso no Brasil novamente. Mesmo com uma novela dublada em português, foi algo muito importante porque tinha uma audiência forte. E quando eu lia aquelas palavras amorosas, as pessoas com tanto carinho, perguntando-me coisas, falando de A Dona, falando da personagem Valentina... Foi tão lindo que depois eu recebi o convite para ir novamente ao Brasil fazer entrevistas e uma participação no Teleton em 2015. E depois, felizmente, recebi o convite para fazer a Tereza, em Carinha de Anjo que, para mim, foi um sonho feito realidade. Aquela menina que queria fazer “ao menos uma novela”, agora estava por fazer uma novela em português no Brasil. Uma produção brasileira no SBT. Então, para mim, foi uma coisa muito bacana e me sinto muito agradecida. Esse público para mim é um presente mesmo!

JC - Além do idioma, qual a diferença entre atuar em uma novela mexicana e uma brasileira?
LUCERO - Não é tão diferente. Acho que o idioma é o mais complicado. Como você está escutando, eu não falo muito bem (risos). Agora que estou aqui no México e nos Estados Unidos trabalhando, não estou praticando tanto. Então é um pouco difícil, às vezes, expressar as coisas em português. Mas adoro falar esta língua quando estou aqui no México. Quando estou viajando, eu leio em português. Eu assisto televisão em português. E as fãs que me escrevem nas redes sociais em português, eu tenho a oportunidade de praticar com elas. E adoro, porque assim posso aprimorar a cada dia. Quanto às novelas, as tramas mexicanas tem uma estrutura muito parecida com a estrutura das novelas brasileiras, e eu me senti muito relaxada, muito feliz com a equipe de produção. O nosso diretor Rica Mantoanelli é uma pessoa maravilhosa! E a Leo Corrêa, a escritora da novela, é uma mulher incrível! Eu me sinto muito feliz – porque ainda temos alguns capítulos para gravar agora em agosto – e não é tão diferente. A única coisa que não é fácil é o idioma e decorar os textos, mas tudo bem. Contracenar com essa pequena, a minha Dulce Maria, a Lolô (Lorena Queiroz), que é uma princesinha, é muito fácil. É tudo muito lindo, estou curtindo muito e me sinto agradecida por essa oportunidade.

JC - Como tem sido suas preparações para dominar a língua portuguesa?
LUCERO - Não tem sido fácil! Mas como eu gosto do idioma, das pessoas, do País, não foi tão difícil como eu pensei. Eu tenho um professor de português – que é uma maravilha também – Rodrigo, que ele é de São Paulo e mora aqui no México. Eu tive aulas com ele por mais ou menos quatro meses, quatro horas por semana. Foi um pouquinho de stress, mas sabia que tinha que aprender rapidinho e tentar fazer o melhor possível para fazer a novela, ter uma comunicação melhor com as pessoas, com a equipe de trabalho. Agora eu me sinto mais à vontade falando português porque agora tenho a oportunidade de praticar cada vez que vou ao Brasil, falando com as fãs, lendo em português também, eu gosto muito dos livros em português. E é assim que eu vou praticando: a cada dia, cada viagem é uma oportunidade de aprender mais. Eu queria muito falar perfeitamente algum dia. Gostaria muito de falar assim como os brasileiros, mas tem sido uma experiência maravilhosa aprender este idioma, esta língua linda, e ter essa comunicação mais direta, ficando mais pertinho do público, das pessoas, dos fãs, eu adoro! Então eu prometo que eu vou ficar estudando para aprimorar muito!



JC - Podemos esperar shows seus aqui no País?
LUCERO - Gostaria muito de fazer shows no Brasil. Estamos planejando. Desejo que seja mais um desses sonhos feitos realidade em breve ter a oportunidade de shows, cantar ao vivo, ficar pertinho do público cantando minhas músicas e fazendo coisas que eu gosto de fazer em espanhol, mas agora também em português, com o público brasileiro. Gostaria muito. Seria muito legal. Estamos planejando, então, acho que sim. Tomara!

JC - Carinha de Anjo é um sucesso de público e audiência e está perto da reta final. Qual são os ensinamentos que você leva de sua Teresa?
LUCERO - Teresa é uma personagem lindíssima. Ela é a mãe ideal. Acho que aprendi muitas coisas com ela: as histórias, as músicas, as coisas que Teresa fala com a Dulce Maria. As mães não tem manual de instrução para educar nossos filhos, mas temos um coração grande e muito amor para dar a eles. Acho que a Teresa tem muita sabedoria e inteligência, porque é uma mulher que não existe mais. Ela mora no mundo do amor, num mundo de alegria, um mundo diferente, porque ela não mora aqui na Terra. Então, para mim, tem sido muitas lições, coisas muito lindas. E cada texto, cada cena que eu tenho com a Dulce Maria eu posso aprender muitas coisas das crianças e dos meus filhos também. Eu levo uma experiência maravilhosa. Para mim tem sido uma oportunidade belíssima de aprender, atuar com uma menina incrível, de ter mais amigos, de conhecer os atores, o elenco da novela – que são uma maravilha – de praticar meu português e ficar perto de um público muito mais familiar. Isso para mim é maravilhoso. E desejo que, não sei, num futuro, eu possa fazer alguma outra novela ou trabalho que possa me dar essa felicidade, essa alegria de atuar no Brasil, em português.

JC - Em seu trabalho musical, você sempre busca trazer o público para a música mais regional do México. No Brasileira, você incluiu dois sucessos sertanejos do Brasil (Evidencias e Mi Talismán), que também é um ritmo
considerado "de raiz". Foi coincidência ou reflexo de suas preferências musicais?
LUCERO - Eu gosto muito das músicas brasileiras. E aqui no México, eu gravei essas canções tão lindas – Evidências, Talismã e Solidão – em espanhol em 2014, que estão no Brasileira, porque eu queria fazer uma junção, uma relação entre Brasil e México cantando músicas em espanhol neste álbum. Acredito que essas músicas são sim uma representação de minhas preferências musicais porque são tão lindas... A cantora e compositora mexicana Ana Gabriel gravou essas canções pela primeira vez e depois eu fiz um álbum em homenagem a ela e eu incluí essas músicas. E agora, elas fazem parte de Brasileira além das músicas em português que eu gravei para a novela, e algumas inéditas também que estão, felizmente, tocando na rádio, como Eu Tô de Olho. Eu tive a oportunidade de trabalhar com os produtores Arnaldo Saccomani, Laércio Ferreira e Edu Camargo. E eles sempre foram muito legais escutando minhas propostas e preferências musicais. Foi um trabalho ótimo, eu curti muito! E para mim, gravar um álbum em português, é também, repito: um sonho feito realidade. Eu estou sem acreditar ainda! Muito feliz e agradecida de saber que Brasileira agora é uma realidade, que ele está nas lojas, e o público pode baixar nas plataformas digitais. E me sinto muito satisfeita e contente.

JC - Qual foi a música em português mais exigiu de você no processo de gravação deste disco e porquê?
LUCERO - Acho que todas as músicas foram um desafio. Principalmente pelo idioma, mas também pelo sotaque quando estou cantando em português. Mas acho que também é lindo, é fofo, ter um 'sotaquinho' aí. Porque quando eu escutava as músicas do Roberto Carlos em espanhol, ele tinha um sotaque brasileiro tão lindo, tão fofo! Então eu acho que as pessoas podem gostar do meu, desejo que sim, e não achem chato. Não foi fácil cantar em português, mas trabalhando com os produtores, eles foram tão lindos, aceitando tudo o que eu fazia e cantava. Eles me falavam: 'Você não é brasileira, então não tem problema ter um pouquinho de sotaque, tudo bem'. Mas a música Aquarela, de Toquinho, foi a mais complicada, porque tem muita letra e é muito longa. Eu não podia decorar, então eu cantava lendo a letra. Eram muitas palavras, mas era uma música tão linda! E é gostosa, porque muitas pessoas, fãs conhecem essa música de anos atrás. Foi uma música belíssima para cantar e tem essa parte lúdica também. Temos os clipes que fizemos para Aquarela, Filha Linda, Joia Rara... As músicas da novela que eu canto para Dulce Maria são clipes agora, e estão aí rolando nas redes sociais. Então é lindíssimo porque tem a oportunidade de ver os clipes também e escutar as músicas com uma imagem belíssima e uma história doce e fofa. E eu estou adorando!

JC - Se surgisse um Brasileira - Volume 2, quais músicas e/ou artistas brasileiros você gostaria de gravar?
LUCERO - Ai, não sei! Estou planejando. Estamos falando e planejando para fazer sim, algum dia, mais adiante, mais um disco em português. Eu gostaria muito. Eu desejo que as pessoas gostem muito do Brasileira e aí terei a oportunidade de fazer mais um. Mas, sabe? Eu gostaria muito de gravar, e sou muito fã de bossa nova. Eu gosto muito das músicas da Elis Regina, Gal Costa, mas agora, não sei, o mundo é mais moderno. E agora sei, como ocorre aqui no México, que às vezes temos os boleros, que são músicas antigas muito lindas, com letras amorosas e românticas e não são tão escutados. Agora o público é jovem e moderno e gosta mais do reggaeton e dos ritmos mais pop, e os boleros não estão tão na moda. Então não sei se eu poderia gravar algo de bossa nova, que eu gosto tanto. Eu gostaria de gravar músicas de outros cantores e compositores que são sucesso lá no Brasil, mas não sei! Estamos planejando e eu estou fazendo minhas pesquisas para saber o que pode ser bom para a minha carreira musical lá no Brasil se eu quiser continuar e ficar trabalhando nela para ter uma comunicação com o público cantando em português.

JC - O que Lucero já aprendeu com o Brasil e os brasileiros?
LUCERO - Muitas coisas! Eu sou um pouquinho mais brasileira agora! Eu gosto do batom vermelho na minha boca, que não é tão comum em mim. Mas as brasileiras tem sempre um batom vermelho que gostam muito! Eu gosto das roupas com flores e cores lindas! Eu gosto muito da comida, do pão de queijo, para mim é o melhor! (risos) Aqui no México temos também, mas não é como o pão de queijo brasileiro que eu estava adorando sempre. E sempre que eu vou, eu quero comer. E eu tenho aprendido muito da alegria e positivismo dos brasileiros. Eu gosto de ser alegre, divertida, viver ao máximo. Mas acho que os brasileiros tem isso bem presente, eles têm essa facilidade de alegrar-se de tudo, ainda que tenham problemas como todas as pessoas têm em todos os países do mundo, atualmente. Acho que o Brasil tem um povo doce, alegre, sempre com muito ânimo. Gosto das músicas brasileiras e do jeito de ser das pessoas. Da camaradagem que eles têm para todas as pessoas, ainda que sejam estrangeiros, turistas, gringos, ou qualquer coisa, o brasileiro sempre está aberto para abraçar, dar amor, adotar as pessoas que queremos e ter um lugarzinho lá no Brasil. E eu me sinto muito agradecida, muito feliz com tanto amor, tanto carinho, tantos aprendizados que eu tenho agora. E que cada visita ao Brasil seja assim mesmo: um aprendizado para mim e uma oportunidade de saber mais coisas de um país que eu gosto muito e adoro.





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