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ESTREIA

O Mecanismo: Série da Netflix dirigida por José Padilha é lançada no Rio

Selton Mello, Enrique Diaz e Carol Abras estão no elenco da produção que estreia dia 23 de março

Publicado em 15/03/2018, às 12h30

Série O Mecanismo foi lançada no Rio de Janeiro com evento que reuniu artistas de outras produções brasileiras da Netflix / Wagner Meier/Netflix/Divulgação
Série O Mecanismo foi lançada no Rio de Janeiro com evento que reuniu artistas de outras produções brasileiras da Netflix
Wagner Meier/Netflix/Divulgação
JC Online

RIO DE JANEIRO – A discussão sobre a política, em diversas dimensões, marcou o dia de entrevistas organizado pela Netflix para apresentar a série O Mecanismo, criada pelo diretor José Padilha e a roteirista Elena Soarez. A produção é "inspirada em acontecimentos reais do Brasil e que impulsionaram o maior escândalo de corrupção de todos os tempos", divulga a Netflix, que disponibiliza os oito episódios no dia 23 de março. 

Além das questões debatidas na série, a violência também foi lembrada devido a um crime cometido na noite anterior. Algumas vezes se falou sobre o assassinato da ativista e vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, mortos a tiros na quarta-feira (14/3), no bairro do Estácio, centro da cidade.

O Mecanismo é o segundo trabalho de Padilha com a Netflix, sendo o primeiro a série Narcos. Em comum, há o fato de que os dois projetos lidarem com temas complexos - a segurança pública e a corrupção. Há também outra semelhança entre Narcos e O Mecanismo, a presença de um personagem-narrador, dividido em O Mecanismo por Selton Mello e Carol Abras. Os dois interpretam os policiais federais Marco Ruffo e Verena Cardoni. 

As descobertas de Ruffo sobre as ações do doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Diaz), inspiradas no trabalho do policial Gerson Machado ao investigar o doleiro Alberto Youssef, são o ponto de partida da trama. A história da série é baseada na obra Lava Jato - O Juiz Sergio Moro e os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil, do jornalista Vladimir Netto. No entanto, há elementos ficcionais. 

"Havia a dificuldade de balancear ficção com a realidade, política e entretenimento. A investigação começou num ponto pequeno e vai se abrindo. Foi um desafio botar essa gente toda num 'shape' que seja palatável como entretenimento", pontuou Elena Soarez.

Neste processo, a vida pessoal dos personagens (não apenas a investigação), também é alvo de atenção, como indicado na própria sinopse. Grandes exemplos disso são os próprios Ruffo e Ibrahim. "Algumas coisas me encantam nesse personagem. Ele tem o lado do delegado, de lutar contra um mecanismo que ele obsessivamente quer resolver. E tem um lado que acho comovente que é o do cidadão. Acho que é aí que o público cola nele e se identifica. É um cara querendo justiça", destaca Selton.

Apesar de não aparecerem muito juntos em cena, Ibrahim e Ruffo estão bastante conectados. "É uma mistura de Caim e Abel com Tom e Jerry. Você não sabe de que natureza é, em relação ao que prende aqueles dois. Eles conviveram e, de repente, estão em pólos muito diferentes no eixo moral", compara Enrique.



Outra dupla é formada por Ruffo e Verena. Ele está há 20 anos na polícia e Verena enxerga nele a figura de um mentor. Mas a personagem tem voz própria. "Acho muito interessante, nesse ambiente muito masculino, ver uma mulher liderando. Ela tem voz, empatia, ela é ouvida e respeitada. O universo do José Padilha é muito masculino e, agora, tem voz para uma mulher. Verena vem presenteando a minha mulher de certa forma, me deixa satisfeita nesse sentido", opina Carol.

Também estão no elenco, entre outros, Lee Taylor, Antonio Saboia, Alessandra Colasanti, Leonardo Medeiros, Otto Jr., Susana Ribeiro e Osvaldo Mil.

ATÉ ONDE VAI A SÉRIE

"Não está claro para mim ainda se o mecanismo vai ser desmontado. É mais complexo do que parece", avalia Padilha. Sobre a possibilidade de uma segunda temporada, ele respondeu: "Não sei se vai ter uma segunda temporada. A primeira eles (os acusados) vão ver em casa".

Sobre a criação ficcional, ele continuou: "A gente está fazendo uma coisa mais ou menos inspirada no mundo real. Vladimir continua trabalhando e pesquisando sobre os bastidores da investigação. Estamos sempre conversando. Se tiver uma segunda temporada, a gente sabe para onde vai".

Perspectivas ideológicas, possibilidades de abordagem e como a série seria compreendida pelo público em um momento de discussões tão polarizadas foram questões durante a entrevista. "A direita (no Brasil) é horrorosa, a esquerda também é, infelizmente", opinou Padilha.

Mais tarde, ele afirmou que não tem lado. "É só pegar meus artigos e ler, eu critico direita e esquerda igualmente. Agora, eu não consigo negar os fatos, eu olho em volta e vejo que o PT operou um sistema de corrupção, que o PMDB operou um sistema de corrupção e que PSDB operou um sistema de corrupção", afirmou o diretor. 

"Claro que existe político honesto. Agora, não existe uma massa de políticos honestos. O mecanismo opera numa seleção. Para você se eleger no Brasil, pela lógica de como é feita uma campanha, você tem que receber dinheiro de caixa dois. Para entrar na política, e ter chance de ganhar, você tem que aceitar esse jogo. No minuto em que você aceitou esse jogo, eu já começo a desconfiar da sua honestidade. É um darwinismo ao contrário, uma seleção dos piores. Agora, eu tenho certeza absoluta que o Marcelo Freixo é um político honesto, é amigo meu. No Tropa de Elite eu botei um personagem baseado nele. Tem outros políticos que são honestos. Mas eles nunca têm a massa necessária em bancadas para fazer a diferença e não vão ter nunca enquanto o mecanismo não for derrotado", concluiu.

A repórter viajou a convite da Netflix




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