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entrevista

Acho injusto comigo ser um só. Por isso, escrevo

Escritor cearense radicado no Recife, Sidney Rocha lança O destino das metáforas, coletânea de contos sobre a condição humana

Publicado em 09/08/2011, às 10h44

Sidney Rocha atugrafa o livro de contos O destino das metáforas nesta quarta, na Livraria Cultura, no Paço Alfândega /
Sidney Rocha atugrafa o livro de contos O destino das metáforas nesta quarta, na Livraria Cultura, no Paço Alfândega
Marcelo Pereira

O cearense Sidney Rocha, 45 anos, entrou para a literatura ainda de calças curtas, sob a bênção de Padim Ciço do Juazeiro do Norte, onde nasceu e publicou o primeiro cordel, aos 11 anos, para vendê-lo aos romeiros e ganhar os primeiros trocados. Desde então, pode-se dizer que ele vive do que escreve, edita e publica. O destino das metáforas (Iluminuras, 116 páginas) é o seu segundo livro de contos, que lança nesta quarta (10/8), na Livraria Cultura, Paço Alfândega, às 19h. Sidney é um autor que prefere o verbo ao advérbio, o substantivo ao adjetivo, em estocadas seguras que nos empurram aos abismos da condição humana.

Sidney recorre a fatos cotidianos ou recortes de jornal como matéria para seus contos, bem como a restos de conversa, nos sonhos. "Tudo é matéria para a literatura. No caso de alguns contos do livro, que se inspiram em fatos cotidianos, alguns de jornais, a diferença é exatamente o encantamento. Não se tratam de contos realistas. Não peço emprestado quase nada da realidade, vai ver somente o mote. Prefiro a imaginação".
A tentativa de Sidney sempre é "atingir o grau de personagem na narrativa". "E o personagem é a ação, é o que ele faz, a forma como ele sai de determinada situação que o faz vivo de verdade. O tipo é uma fotografia. Os meus personagens são postos em algumas situações para saírem quase sozinhos delas. Para ganhar vida. Tento fazer tudo de forma consciente. Calculada. Literatura é cálculo. Não se trata de um método, não serve para nenhum outro escritor o que eu falo, mas para mim, é tem de funcionar."



O crítico Mário Hélio classificou O destino das metáforas como "um livro de antiajuda". Nos contos, o leitor não vai encontrar uma receita de felicidade. Muito pelo contrário. "Prefiro dizer que os meus contos carregam um senso de gravidade, de precisão, a precisão que determina a força, como dizia Flaubert. Porque literatura é isso mesmo. Força não é violência. Às vezes a força é mais um jeito, uma ironia, que termina agarrando o leitor exatamente pela leveza. Literatura que não mova um músculo do rosto do leitor para sorrir ou chorar, não é comigo. Comigo é uma criança virar pássaro. Um amigo salvar um outro de uma enrascada, ou um outro nunca esquecer daquele, esse encanto e esse encantamento continuam neste livro".

Leia a entrevista na íntegra no Caderno C na edição desta terça (9/8) do JC




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