Jornal do Commercio
ENTREVISTA

Elvira Vigna: "Viver é sempre contar uma história"

Na conversa abaixo, a escritora carioca comenta o que buscou dizer ao construir a narrativa de O que deu para fazer em matéria de história de amor

Publicado em 27/05/2012, às 06h44

Diogo Guedes

A possibilidade da impossibilidade amorosa, eis o que a escritora carioca Elvira Vigna mostra em O que deu para fazer em matéria de história de amor. Nesta entrevista ao JC, ela fala sobre a criação de histórias nunca completas, afirma que esta é uma época cínica e diz: “Viver é sempre contar uma história” (leia aqui um artigo da autora no Blog da Companhia das Letras).

JORNAL DO COMMERCIO – Começo perguntando sobre o título, que traz uma dupla possibilidade de insatisfação, como se o amor e/ou a história ali encontrados pudessem não ser o ideal. Então, por que falar de um quase amor? Por que fazer uma história, ainda que ela não seja completa?
ELVIRA VIGNA –
Porque é isso a literatura como eu a entendo. Histórias nunca completas, sempre sendo feitas por seus inúmeros e infindáveis “autores”: o escritor, seu leitor e o tempo em que esse encontro se dá, e que também muda, a cada minuto, mudando a história.

JC – Assim como Nada a dizer, este livro também traz a vida de um (quase) casal de meia-idade que viveu a ditadura e, de certa forma, a liberação sexual. Esse é o contexto que você considera familiar? A preferência por personagens que viveram esses tempos é porque eles são mais próximos a sua experiência?
ELVIRA –
Também próxima da minha experiência é a história do duplo deste casal, o que viveu no pós-guerra e no modernismo dos anos 50. Existiram, e tê-los conhecido teve impactos emocionais e afetivos em mim. Então, não vejo como limitado, o tal “contexto familiar”. É tudo que vivi, o que conheci, e isso vai mais do que minha época e geografia. E sim, só escrevo sobre o que conheço.



JC – Dentro das possibilidades da narrativa, qual pode ser o papel da memória? Lembrar, ainda que apenas para si mesmo, é sempre contar uma história?
ELVIRA –
Viver é sempre contar uma história. E quando isso não se mostra possível estamos diante do que escapa à linguagem, estamos diante do trauma, do real lacaniano.

JC – É só a partir do narrar que podemos entender a nós mesmos? Ainda que as histórias sejam insatisfatórias, incompletas, elas importam por que podem ter também um caráter, por assim dizer, “didático”?
ELVIRA –
Só a narrativa incessante nos dá a ilusão do entendimento, a nosso respeito e a respeito do mundo. Ainda que a narrativa seja insatisfatória, incompleta. Mas, não, não didático. Não hoje. Já foi. O verbo, lembra?, no começo era o verbo, e no meio e no fim. A importância. Hoje vivemos em uma época cínica. Não acreditamos mais no que fazemos.

Leia a matéria completa no Jornal do Commercio deste domingo (27/5).


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