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Fotografias afetivas e poéticas de Adelaide Ivánova

Polaróides, lançado nesta quarta pela editora Cesárea, traz poemas, crônicas e fragmentos da fotógrafa pernambucana

Publicado em 26/03/2014, às 05h29

 / Foto: Jakob Ganslmeier
Foto: Jakob Ganslmeier
Diogo Guedes

Uma das expressões do livro Polaróides (com acento mesmo), da pernambucana radicada em Berlim Adelaide Ivánova é a ideia de uma mulher “santificada pela própria insolência”. É uma boa síntese da dose de ironia e desilusão confessional da própria obra, a primeira da fotógrafa e escritora. A estreia virtual, na verdade, é dupla: o volume é também o primeiro lançado pela novíssima Cesárea Editora, braço para publicação de livros digitais da Revista Cesárea.

Polaróides – E negativos das mesmas imagens (95 páginas, R$ 7) foi editado por Schneider Carpeggiani e tem projeto gráfico de Jaíne Cintra, nomes que comandam a Cesárea. O livro foge um pouco a definições triviais: tem poemas, crônicas pessoais e simples fragmentos, sempre com uma escrita que apela para imagens e capturas de sensações. São poemas de um universo particular, cheios de descaminhos afetivos. “A motivação parte sempre de um recalque pessoal (risos)”, conta, em entrevista por e-mail.

Para o livro, os textos inéditos e postados no blog Vodca Barata (vodcabarata.blogspot.com.br) ganharam um prefácio de Pio Figueiroa, fotógrafo e fundador da Cia. da Foto. Polaróides passeia por Berlim, Recife e Buenos Aires com a mesma facilidade que transita por Clarice Lispector, Madonna, batom, rompimentos e abandonos. “Eu morro de medo de ‘pop’, virou uma palavra muito antipática depois daquele filme com aquele cara que gostava de fazer listas, como era o nome mesmo? (Alta fidelidade) Eu gosto de Madonna. Eu acho que o que torna a poesia diversa é menos a localização, as circunstâncias, e mais a paisagem interna”, explica Adelaide.

“O silêncio que experimentei na Rússia, foi muito violento, por exemplo, escrevi muito porque não falava nada com ninguém. Mas tem lugares em que simplesmente não acontece nada por dentro. Nem por fora, nem mesmo uma festa ruim. E ainda assim sempre há o que dizer”, analisa a fotógrafa.



Os textos surgem assim, de anotações casuais que podem acontecer em guardanapos, papéis de croissant, contas do bar. “Depois, se o poema for engraçado, vai pro blog. Se for um horror e eu achar que minha mãe vai ligar para perguntar se tô bem, fica no caderno”, brinca.

Polaróides é recheado de melancolia e ironia, em uma mistura de humor e sadismo bastante sutil. “Olha, eu nunca tinha pensado assim e achei bonito, meio trágico, porque ironia não é contrário de melancolia; que pena, não há alegria mesmo, né? No máximo ironia”, comenta. Ela faz questão de ressaltar, no entanto, que essa ironia nada tem a ver com cinismo – sua definição, que aprendeu com seu pai, escritor Caesar Sobreira, vem mais da ideia de “ira”.

O volume já pode ser comprado no novo site da Cesárea, o www.cesarea.com.br, que conta também com a versão em PDF da revista (por R$ 4), antes exclusiva para iPads. Adelaide diz se identificar com a ideia de publicar seu livro por um preço acessível. “Acredito na possibilidade de atingir quanto mais pessoas quanto for possível, é por isso que a pessoa cria, faz dívidas, tem ressaca”, conclui Adelaide.

Ouça a mixtape feita por Adelaide Ivánova para o livro Polaróides:

Polaróides - Trilha de Leitura do livro de Adelaide Ivánova by Cesárea on Mixcloud





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