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LANÇAMENTO

Autoajuda Literária lança primeiro livro através de selo independente

Obra desmistifica o processo de criação literária com dicas de seis autores

Publicado em 09/06/2016, às 08h30

Cícero Belmar, Gerusa Leal, Raimundo de Moraes, Lúcia Moura e Cleyton Cabral, do Autoajuda Literária / Acervo Autoajuda Literária/Divulgação
Cícero Belmar, Gerusa Leal, Raimundo de Moraes, Lúcia Moura e Cleyton Cabral, do Autoajuda Literária
Acervo Autoajuda Literária/Divulgação
NATHÁLIA PEREIRA

Quando fundaram, em 2010, o grupo Autoajuda Literária, os escritores recifenses Cícero Belmar, Cleyton Cabral, Gerusa Leal, Lúcia Moura e Raimundo de Moraes tinham a intenção de realizar oficinas permanentes para debater e produzir literatura, rememorando o hábito de grandes, a exemplo de Clarice Lispector. Desde então, os encontros realizados a cada 15 dias têm rendido, além dos estudos sobre obras deles e de outros grandes autores, boas risadas e publicações assinadas a cinco pares de mãos. A primeira delas, Mosaico, chegou às livrarias em 2014, pela Editora Interpoética. Nos próximos dias 14 e 16/6, eles lançam, no Recife, a segunda empreitada: Escrever Ficção não é Bicho Papão.

Foi a partir de escritos produzidos por Raimundo, Gerusa e Cícero, além do também escritor Fernando Farias, para uma oficina online, que a mais recente obra começou a tomar forma. A princípio, os textos contendo dicas para quem quer apurar o talento com a escrita foram disponibilizados no site Angústia Criadora, gerido pelo jornalista e escritor Ney Anderson, de quem partiu o convite. 

Pelo sucesso refletido no grande número de acessos dos internautas, decidiram reunir os trabalhos, somados a textos dos outros integrantes do Autoajuda, em livro e audiobook, num projeto aprovado pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). O texto leve promete atingir todos os públicos, com atenção especial para os mais jovens. “Falamos num tom quase didático, desmistificando o ato de escrever”, contou Raimundo de Moraes.

Para publicar o material, puseram em prática a intensão de desenvolver um selo próprio, independente, batizado de Edições Geni, referência clara e proposital a uma das mais conhecidas composições de Chico Buarque, Geni e o Zepelim, na qual Buarque canta: “De tudo que é nego torto/Do mangue e do cais do porto/Ela já foi namorada”. O compositor descreve uma figura feminina que vive entre os lugares mais sórdidos de uma cidade, sendo desprezada e injustiçada pelos conterrâneos. 

“Serão justamente os títulos com esse caráter mais underground que pretendemos trazer para o Geni. Livros em formato pocket, sem preconceitos, compromissados com os direitos humanos e, claro, que levem a literatura a sério”, detalhou Moraes. 

A arte do selo reflete o significado do nome: uma mulher de traços fortes, ostentando uma tatuagem tipicamente oldschool e com cigarro entre os dedos. O responsável por ela é o artista plástico e designer Java Araújo, que também assina o desenho do “bicho papão” presente na capa de Escrever

Com 150 páginas, Escrever Ficção não é Bicho Papão ganhou tiragem inicial de mil exemplares, que acompanham audiobook contendo todos os textos dos escritores sob a locução da atriz Hilda Torres e do jornalista Marcos Sugahara. 



O primeiro fruto de Geni deve ganhar companheiros em breve, como explica Cícero Belmar: “o selo é um guarda-chuva para a atividade literária, que é difícil de ser produzida por ter menos apelo popular que segmentos como a música ou o teatro. É importante nos organizarmos em grupos, por isso temos a intenção de publicar trabalhos produzidos por autores de fora do Autoajuda também”.

Pequenas editoras usam a criatividade

Não é recente a movimentação de escritores recifenses para publicar livros às próprias custas. Em 1979, o movimento editorial alternativo pernambucano conhecido como Edições Pirata começou a produzir livros às escondidas na gráfica da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). No mesmo ano, lançaram a primeira publicação, Pomar , de Arnaldo Tobias. Liderado pelos poetas Jaci Bezerra, Alberto da Cunha Melo e pela escritora Eugênia Menezes, o movimento se manteve em atividade até 1984.

Dos selos em atuação mais contemporânea, destaca-se o Livrinho de Papel Finíssimo, editorial que produz livros, livretos, revistas e fanzines diferenciados em forma e conteúdo. “Procuramos fazer de cada livro uma pequena obra de arte”, afirma a descrição no site oficial. Em atividade desde 2004, também promove oficinas, palestras e vivências com teor educativo e intuito de ampliar o número de pessoas com domínio para gerir os próprios conteúdos editoriais.

“Apostamos em trabalhos que prezem pelo autoral, desde o conteúdo do texto até o projeto gráfico, para que a publicação desperte no leitor a vontade de ver, de guardar aquele livro”, conta Camilo Maia, editor da Livrinho. Sustentabilidade e justiça com os produtores são alguns dos pilares que guiam o selo na contra-mão da produção editorial em massa. Nos cerca de 12 anos de atividade, já publicou 127 trabalhos, entre eles, A Morte e a morte de Frei Caneca, novela gráfica de ficção histórica com roteiro de Rodrigo Acioli Peixoto. 

Um pouco mais recente, a Mariposa Cartonera é um coletivo artístico-cultural que desde de 2013 publica livros a baixo custo, com capas pintadas à mão e papelão reutilizado, característica do movimento cartonero, surgido no início dos anos 2000, na Argentina. A elaboração artesanal é adotada por outras editoras, principalmente em países da América Latina.

Na Mariposa, a ideia é que a literatura esteja envolvida em causas sociais, a exemplo das já lançadas antologias Recife: Coque (R)Existe e Inquebrável: Estelita para cima, que questionam aspectos da especulação imobiliária na capital pernambucana. O poeta e editor do selo, Wellington de Melo, explica: “a lógica da produção cartonera já abriga esse caráter de questionamento social, presente em várias das 30 publicações que lançamos até agora”. 

Em agosto, o coletivo trará ao mundo o novo livro de Miró da Muribeca, O penúltimo olhar sobre as coisas, sucessor do bem recebido aDeus, de 2015. O lançamento oficial acontece na Feira do Livro do Vale do São Francisco, em Petrolina, nos dias 4 e 7 de agosto.

Serviços

Pré-lançamento de Escrever Ficção não é Bicho Papão – dia 14/6, às 18h, no Sesc Santa Rita. Rua Cais de Santa Rita, 156, São José; E dia 16/6, às 19h, no Pátio Café. Av. Rui Barbosa, 141, Praça do Entroncamento, Graças. O livro estará à venda nos locais dos lançamentos por R$ 25.




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