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Julio Cavani e Cavani Rosas lançam HQ 'Polinização'

'Polinização' é lançada pelo selo Cepe HQ, girando em torno de uma sociedade de animais que vive debate intenso sobre legalização de uma planta lendária

Publicado em 02/12/2019, às 09h23

Cavani Rosas e Julio Cavani trabalharam juntos na HQ 'Polinização' / Foto: Brenda Alcântara/JC Imagem
Cavani Rosas e Julio Cavani trabalharam juntos na HQ 'Polinização'
Foto: Brenda Alcântara/JC Imagem
Rostand Tiago

Deep River é habitado por bichos-preguiça, ursos, raposas, caranguejos e outros cidadãos das mais diversas faunas. À margem de um misterioso rio, a localidade abriga uma verdadeira efervescência cultural e política, que parecem se misturar nas discussões sobre o Pólen. Trata-se de uma substância proibida extraída de uma flor lendária, de leve efeito alucinógeno. O uso vasto pelo país inspira debates sobre as potenciais vantagens de sua possível legalização, entrando por meandros que vão da segurança pública até a economia. Uma virada política nessa situação leva à frente a trama roteirizada por Julio Cavani e ilustrada por Cavani Rosas, seu pai, em Polinização, lançada hoje, pelo selo Cepe HQ.

As primeira ideias surgem das observações de Julio sobre violência, criminalidade e a atividade de se pensar em soluções e realidades alternativas, principalmente na imaginação sobre o que aconteceria se alguma coisa específica fosse diferente. "Tudo vira um exercício de criar situações geopolíticas hipotéticas e disso, surge também a ideia de fazer uma ficção disso. A história foi se desdobrando até se transformar no livro", relembra. Ele aponta que os planos iniciais giravam em torno de uma animação, mas pela complexidade e custo do meio, acho que a HQ talvez fosse um primeiro passo melhor.

Trabalhando juntos

Com um roteiro mais fechado, os Cavanis começam a trabalhar coletivamente. Algumas páginas eram mais rígidas sobre o que deveria estar lá visualmente, outras mais abertas aos traços do veterano Cavani Rosas, dono de uma produtiva trajetória enquanto quadrinista, ilustrador e escultor. "Era algo que também se tornou intuitivo e havia liberdade também para ele criar. Em alguns momentos, eu pedia para colocar uma girafa ali, ela fazia outros animais para compor os cenários e a orientação era mais em cima de personagens principais ou com diálogo", explica Julio.



Nesse processo colaborativo, suas referências de mundo real e arte, sejam de espaços, personagens ou até quadros inteiros, foram se misturando. "Tem quadro que me inspirei em Fahrenheit 451, Beleza Americana. A escolha de alguns animais também são do nosso mundo, os cachorros associados com a polícia, o helicóptero em forma de libélula", relata Cavani Rosas. Polinização é repleto desses jogos de imaginar animais ocupando certas posições e profissões daquela sociedade, desde o polvo DJ capaz de tocar oito discos à banda de mangue formada por caranguejos. Esse ensejo estilístico de trabalhar com animais é algo marcante na trajetória do ilustrador, dono de personagens como o Hipopocaré e o cachorro Zero Vírgula, homenageado em Polinização.

 

O mesmo acontece com os espaços. "Tem lugar que tem algo parecido com o Marco Zero, outros com o Teatro Oficina, os prédios de Londres. Há coisas que podem lembrar o Recife, outras remetem a outros lugares", explica Cavani Rosas. Julio indica que a geografia de rio e arquipélago de Deep River pode ter sido inspirado em uma viagem que fez ao Pará, para a Ilha de Marajó. Esses lugares, assim como seus personagens, surgem em um intenso preto e branco, de traços fortes. A ideia inicial era o colorido, como aponta a capa da publicação. Mas, ao mostrar esboços para amigos próximos, receberam opiniões fortes em favor da construção sem cores, decidindo acatar a opinião.

O convite para Polinização ser realizada parte da Cepe, em que representantes da editora fizeram uma visita ao ateliê de Cavani Rosas, em busca de materiais que poderiam ser publicados. O material da história foi escolhido e deu início ao processo para publicação. O livro custa R$ 45 (impresso) e R$ 13 (e-book).




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