Jornal do Commercio
Crítica

Críticos musicais avaliam seu papel na atualidade

Profissionais repensam o papel da profissão com o advento das novas mídias

Publicado em 05/10/2011, às 06h01

AD Luna

"A crítica perdeu completamente a credibilidade na última década, junto a outros filtros da indústria musical, como as gravadoras e canais tradicionais de divulgação". Caso fosse proferida por algum músico ou leitor de caderno ou revista cultural, esta frase poderia ser interpretada como revanchista. No entanto, por ter sido dita por um crítico musical (no caso, o também músico e produtor Alex Antunes), ela ganha outros contornos, especialmente se levarmos em conta o contexto no qual a música e seus meios de distribuição e divulgação encontram-se inseridos atualmente. Num mundo onde o acesso a opiniões e informações encontra-se amplamente difundido, qual o papel do crítico musical?

"Em tempos de proliferação de bens musicais, o crítico ainda funciona como um filtro, alguém que nos permite navegar em meio à tempestade de lançamentos musicais", afirma Jeder Janotti Júnior, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE e organizador do livro Dez anos a mil: mídia e música popular massiva em tempos de internet. Para Jeder, apesar de manter o papel de guia, os críticos perderam o poder de fazer músicos e leitores se identificarem mutuamente em comunidades de conhecedores (e colecionadores) especializados.

Sobre o surgimento da atividade crítica musical, o pesquisador aponta três marcos: o aparecimento da cobertura da cena norte-americana de jazz por jornalistas brancos, fãs do gênero, que discutiam a qualidade das obras através do conhecimento da genealogia de gêneros, e o surgimento das revistas Melody Maker, em 1926, e Rolling Stone, no final dos anos 1960. "Talvez devamos acrescentar um quarto marco, a crítica (se não me engano, em 2004) do primeiro disco do Arcade Fire, que saiu no site Pitchfork. Segundo o jornalista pernambucano Bruno Nogueira, esse foi o primeiro sucesso discográfico fora das estratégias de resenhas e lançamentos tradicionais da indústria fonográfica", complementa.

Com passagens pela Folha de S. Paulo, Carta Capital, portal Ig, além de colaborações para as revistas Trip, Bravo, Cult, Caros Amigos e Fórum, Pedro Alexandre Sanches vê o conceito de crítica musical (ou de qualquer crítica) como algo bastante abstrato e se sente desconfortável quando alguém o denomina como tal. Ele diz acreditar cada vez menos na crítica musical como algo que tenha o objetivo de apontar supostos defeitos, caminhos ou convencer alguém de qualquer coisa.

Na visão de Sanches, a crítica funciona melhor como ferramenta de compreensão da realidade, de análise e de compartilhamento coletivo de pensamento. "É mais legal saber como a música influencia e é influenciada pelo mundo em que está mergulhada do que entender de música. Este tempo de redes sociais virtuais é excelente pra tirar os críticos do castelo, da torre, do isolamento crítica solitária ou feita pra influenciar a cabeça do criticado é boba, fútil, mesquinha", analisa.

Ex-integrante da banda paulistana Akira S & as Garotas que Erraram e curador de festivais independentes, Alex Antunes diz nunca ter se considerado um especialista encastelado, mas uma espécie de pensador e agitador contracultural. Ele identifica pontos de ligação entre o cenário da atual cultura digital com o jornalismo pop de guerrilha. "Venho de uma época que teve algo do jornalismo gonzo de Hunter Thompson - no qual se despreza a noção de neutralidade e objetividade - e algo do fanzinismo punk e pós-punk, onde o jornalista é tão militante quanto os músicos, só que numa outra frente. Essa posição sempre foi compreendida e apreciada pelos músicos inquietos e não-arrivistas", avalia o jornalista, que já escreveu para as revistas Rolling Stone, Bizz e para o caderno de cultura da Folha de S. Paulo.

Leia a matéria completa na versão impressa do Caderno C desta quarta (5/10) ou na versão digital para assinantes, no link http://jconlinedigital.ne10.uol.com.br/assinantes/.


Palavras-chave




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Segunda chance - Caminhos para ressocializar Segunda chance - Caminhos para ressocializar
Eles saem das prisões, mas as prisões não saem deles. Perseguem-nos até o final de suas vidas. Como uma condenação perpétua. Pena. Eles lamentam. Mas precisam seguir. E neste difícil caminho da ressocialização, o trabalho é uma espécie de absolvição.
Papai Noel o ano inteiro Papai Noel o ano inteiro
As luzes na cidade anunciam que o Natal já chegou. É nesta época do ano que o espírito natalino faz aflorar alguns dos sentimentos mais nobres. Agora iremos contar histórias de pessoas, organizações e empresas que fizeram da solidariedade missão de vida
Vida fit todo dia Vida fit todo dia
Apesar de a abertura do Verão no Brasil só acontecer em dezembro, no Nordeste há uma antecipação da data. Por esse motivo, que tal aproveitar esses meses de energia para cultivar bons hábitos e mudar o estilo de vida? Veja várias dicas de como se cuidar

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM