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rock and roll

Primeiro dia de Abril pro Rock terá Renato e seus Autoramas

Festival começa nesta sexta-feira estreando projetos como o do roqueiro Renato Barros ao lado de banda influenciada por ele

Publicado em 25/04/2014, às 10h36

 / Foto: Alexandre Belém/Acervo JC Imagem
Foto: Alexandre Belém/Acervo JC Imagem
José Teles

O 22º Abril pro Rock faz justiça a um dos principais formatadores do rock brasileiro, o carioca Renato Barros (do Renato e seus Blue Caps), que estreia hoje no palco do APR com os Autoramas, banda confessadamente influenciada por ele. “A gente faz homenagem a Renato em todos os nossos shows. Quando Paulo André fez o convite, aceitamos na hora”, diz Gabriel Thomas, vocalista e guitarrista do Autoramas, que participou do APR 2008, com o organista Lafayette, contemporâneo de Renato e seus Blue Caps. Ambos foram os artífices da sonoridade da jovem guarda, estão em quase todos os discos de Roberto Carlos dos anos 1960. 

A Renato e seus Blue Caps é a banda de rock mais antiga do País em atividade. Está na estrada desde 1959, mesmo ano em que a bossa nova se tornava a música da juventude da Zona Sul carioca. Mas Renato era da turma da Zona Norte, menos bossa e mais rock: “Feito quase todos da minha época, a gente passou pelo programa Hoje é dia de rock, que o Jair Taumaturgo apresentava na Rádio Mayrink Veiga. A banda está completando 55 anos”, diz Renato Barros, após o último, dos vários ensaios com o Autoramas.

No repertório, canções que os mais jovens raramente ligam a ele, a exemplo de Você não serve pra mim, ponto alto do show da Del Rey e um clássico na obra de Roberto Carlos, ou Devolva-me (com a ex-namorada Lilian Knapp, da dupla Leno & Lilian), sucesso com Adriana Calcanhotto e até um frevo para o Sport (“Chegando lá na Ilha do Retiro...”). Quando ele mais os irmãos Ed Wilson e Paulo César Barros resolveram formar uma banda de rock para encarar o concurso de calouros do É dia de rock. Sobre quando Jair de Taumaturgo perguntou o nome do grupo, Renato lembrou: “Na Piedade, bairro onde eu morava, havia um bloco de Carnaval chamado Bacaninhas da Piedade. Disse que meu conjunto era Os Bacaninhas do Rock da Piedade. A gente se apresentou fazendo mímica de Personality (sucesso rhythm and blues com Lloyd Price) e fomos desclassificados”. 



O Blue Caps veio do pioneiro do rock-a-billy Gene Vincent and the Blue Caps, quase seria Renato e seus Cometas. Ele e os irmãos eram adolescentes, e Paulo César tinha apenas 12 anos quando começaram a tocar. Enquanto os acordes dissonantes acalentavam sussurros em Copacabana e Ipanema, Renato fazia parte da turma da Tijuca, na qual estavam Tim Maia, Erasmo Carlos, Jorge Ben, Roberto Carlos: “Tinha mais gente, Toni Tornado, naquela época, cantava imitando Chubby Checker, era Toni Checker, e cantava muito Let’s twist again”, continua Renato. Em vez de se reunirem em aconchegantes apartamentos feito a turma da bossa nova, eles se encontravam na Rua do Matoso, na Tijuca. O quartel-general.

Renato e seus Blue Caps foi a banda de plantão na CBS, boa parte dos discos de iê-iê-iê da mais importante gravadora para o gênero tem o som do grupo (com o Hammond de Lafayette). O grupo especializou-se em músicas dos Beatles e em composições de Renato Barros à maneira de Lennon & McCartney.

Várias delas estarão no show de hoje com os Autoramas, incluindo versões obrigatórias como Menina linda (“Ah, deixe essa boneca/Faça-me um favor...” – I should have know better, dos Beatles). Sairá daí um disco? “Quem sabe? Se alguma gravadora se interessar”, diz Gabriel, da Autoramas.





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