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COLETÂNEA

Recife lo-fi chega a 4ª edição fazendo conexão com o mundo

Série capitaneada por Zeca Viana une artistas de fora do Estado e do País a artistas pernambucanos

Publicado em 06/12/2014, às 13h09

INTERAÇÃO Variedade de estilos na coletânea favorece troca entre os artistas, diz Zeca / Adriano Sobral/Divulgação
INTERAÇÃO Variedade de estilos na coletânea favorece troca entre os artistas, diz Zeca
Adriano Sobral/Divulgação
Alef Pontes

Com as facilidades da internet e o barateamento de equipamentos, hoje é muito mais fácil produzir sozinho um disco de forma completamente caseira. Mas, depois das músicas gravadas, como dialogar com o público e saber se o que você fez está bom? Esta é a questão que Zeca Viana tenta responder com a realização da coletânea Recife lo-fi disponível no Soundcloud.

Fruto das pesquisas e interações do músico, a série reúne diversos nomes da música independente da cidade – e, pela primeira vez, de outros estados e países – chega à sua 4ª edição, trazendo 26 faixas de artistas que gravam em casa, gastando pouco e movimentando um novo modelo de mercado e produção musical.

Segundo ele, a primeira edição do Recife lo-fi surgiu de uma necessidade de apresentar a produção musical pernambucana para amigos de outros Estados. “Eu morava em São Paulo e vários amigos sempre me perguntavam o que estava rolando em Recife. Eu apresentava alguns trabalhos que as pessoas me mandavam e um amigo me perguntou porque eu não fazia uma coletânea. Quando o primeiro volume aconteceu, foi algo natural porque tinha muito material sendo produzido e todo mundo que eu conheço já gravava em casa, além de compartilharem pros outros conferirem”, conta.

“Achei que a gravação caseira tinha muito a contribuir, não só pela estética, como pela relação entre os músicos, que, em muitos casos, não se conheciam e acabaram se encontrando através da coletânea”, complementa, sobre a estética lo-fi (low fidelity), modelo de produção musical em baixa fidelidade, que permite aos músicos gravar seus trabalhos em estúdios caseiros, fomentando assim a produção independente. O primeiro volume foi lançado em 2010, em parceria com a Trama, e trazia nomes como Matheus Mota, D Mingus, Johnny Hooker, Rama, Tagore, Lulina e Ex-Exus.

Zeca destaca ainda que o bacana de compilações como o Recife lo-fi é que, como elas agregam diversos trabalhos diferentes, essa troca acaba sendo muito maior: “Em vez de você mandar sua música apenas para um amigo, ele acaba atingindo um público e criando uma interação muito maior”.

Segundo ele, a parte negativa da produção caseira é que, muitas vezes, há uma falta de contato com público. Os músicos terminam por ficar isolados – focando na produção do trabalho –, acabam não se apresentando e com isso não têm um feedback do público.



“Ao realizar uma gravação caseira, o músico acaba sem muitas referências sobre aquele material que está produzindo, geralmente tendo um retorno de apenas de um grupo restrito de amigos. A coletânea permite que artistas que nunca se apresentaram possam ter um feedback maior das pessoas”, afirma. E é exatamente esta a missão que o Recife lo-fi tem cumprido, trazer à tona músicas que, de alguma maneira, estavam engavetadas.

Este tipo de plataforma tem a vantagem ainda de acabar se tornando um ambiente para os músicos trocarem ideias e escutarem as músicas uns dos outros. “Acho que a gente está perdendo isso de ouvir e ver o que o outro tem pra oferecer musicalmente. Estamos ficando cada vez mais viciados em um esquema individualista, de fazer o seu trabalho e pensar apenas nele”, questiona o músico.



Identidade musical das obras orienta seleção

Para o produtor e músico Zeca Viana, o estilo de produção lo-fi não está ligado a uma cena específica e sim a uma estética que acaba se tornando uma ponte entre as cenas: “É como se fosse uma plataforma para a estruturação de cenas. No Recife, nós temos diversas cenas, como o metal e o reggae, que trabalham e têm seu público paralelamente e que podem se encontrar a partir de uma estética”.

Na curadoria, ele conta que leva em consideração, principalmente, a identidade musical impressa no trabalho. “É uma coisa de feeling mesmo, de ver o que soa verdadeiro. Cada faixa que você recebe tem um tipo de assinatura de cada pessoa, D Mingus, por exemplo, tem um tipo de sonoridade própria que você identifica quando ouve”, diz.

A independência na criação é outro ponto forte, segundo Zeca. “Realizar a gravação de forma caseira ajuda o artista a construir sua própria estética. Ele acaba sendo muito mais fiel a ele mesmo, sem a interferência de uma produção. O músico acaba tendo que fazer todos os papéis: tocar todos os instrumentos e se produzir. Ele tem que evoluir nesse universo que é o quartinho. O lado bom é que você tem todo o tempo pra produzir e amadurecer o produto”, conta. Outro aspecto importante é uma valorização da música autoral, que acaba servindo como um estímulo para a produção independente.

Para auxiliar na seleção (foram mais de 600 músicas recebidas), Zeca convidou o jornalista Renato L. “O difícil é realizar a curadoria, porque é muita coisa para ouvir, de 400 e-mails, recebidos entre abril e junho, a gente tirou 26 faixas. Achamos interessante também abrir para outros Estados, porque já recebíamos material de vários lugares, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná. Esta edição conta também com três artistas de artistas de outros países: Presidente Drogado, de Portugal; My Gold Mask, dos Estados Unidos; e a francesa Albane Simon, também responsável pela arte da capa”, explica o responsável pela coletânea.

Confira o álbum:





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