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Precisão cirúgica de Steve Vai na guitarra

Guitarrista se apresentou no Recife mostrando todo seu virtuosismo

Publicado em 21/06/2015, às 20h22

O melhor guitarrista é que sente o que faz, ensina Vai / Foto: Alexnadre Gondim
O melhor guitarrista é que sente o que faz, ensina Vai
Foto: Alexnadre Gondim
Karol Pacheco

A advogada Carla Dias, que ontem esteve no Teatro Boa Vista para conferir o workshow do guitarrista americano Steve Vai ­– segundo ela, um presente de aniversário do namorado fanático por rock –, depois de uma hora na fila, logo ao entrar na casa de espetáculos, se deparou com todo o virtuosismo do músico, que sem muitos aparatos de luz, cenário ou figurino tomava todo o espaço com seus rifles e distorções. “Parece playback”, ouvia-se alguém, incrédulo, falar. De fato, na terra de Ivinho e Robertinho do Recife, mesmo com toda a audição guitarrística que eles nos trouxeram, é raro presenciar tamanha precisão e consciência do instrumento. Não deu outra, teatro quase lotado, como num grande auditório de uma faculdade, para ouvir o mestre tocar e contar – acompanhado de um tradutor, ambos com muito bom humor. Trata-se da La Brazilian Clinic Tour – a Alien Secret Master Class, cuja circulação brasileira deu início no Recife.

 

Inicialmente, a gana dos ouvintes - ou a falha da produção em identificar antecipadamente os velhos problemas da casa de espetáculos - parece ter afetado as frequências radiofônicas do entorno. Bastou Steve Vai ligar o amplificador e mexer no pedal que um misto de chiados e locução de rádio atrapalharam suas primeiras performances. O primeiro tema, como de costume, durou cerca de 30 minutos. Isso enquanto o público se acomodava, como se fosse uma passagem de som. Assim, centenas de headbangers e curiosos ocuparam a plateia, alguns admirados e outros chateados por se depararem com o artista já no palco.

 

Se os acordes da guitarra, já tão conhecido dos admiradores de Vai, tocaram o coração, as suas lições, em tom certeiro e experiente, amaciavam a irritação com as falhas técnicas. “O medo não vem porque você faz aquilo com bastante entusiasmo. O melhor guitarrista é aquele que sente o que faz com o maior entusiasmo. Se você tem medo que as pessoas toquem mais que você, dificilmente você vai alcançar o se melhor. Quando for tocar guitarra tem que pensar como você se sente”, ensinou o ex-integrante das bandas de Frank Zappa ou David Lee Roth e guitarrista de uma das formações noventistas do Whitesnake.



 

O acordo contratual entre a produtora norte-americana e a produção local apertou o cerco para que os espectadores da masterclass não registrassem imagens do encontro. Em ambos os lados do Teatro Boa Vista, seguranças atentos impediam qualquer clique. “Não pode filmar. É questão contratual. Não forcem a barra, as pessoas estão de olho, vão tomar as máquinas e celulares”, advertiu o tradutor. Steve vai, no entanto, acenou positivamente às fotografias, o que provocou um furor nos fãs. Todos com seus celulares repentinamente à mão, prepararan-se para as selfies com o ídolo – o próprio Steve Vai sacou seu aparelho para uma grande selfie coletiva. “As pessoas fazem vídeos mas eu nunca vejo. Colocam no computador e eu nunca vejo. Agora vocês podem guardar para a gente conversar um pouco”, disse.

 

O estudante Matheus França, 18 anos, que também é guitarrista, estava deslumbrado. “Fui conhecendo Steve Vai aos poucos, com as músicas dele que fui ouvindo. A forma como ele diz para encarar as técnicas, dizendo para se aprofundar mais, principalmente na música”, conta. Pouco tempo depois disso, quase como combinado, o tradutor dispara as lições ditas pelo mestre da guitarra em inglês: “Você tem que praticar muito. Técnica é importante, mas não é o mais importante. Você só precisa saber a quantidade de técnica necessário para você se expressar. A técnica é apenas uma ferramenta. Tem um período que você precisa praticar, para desenvolver, pata que os dedos possam executar exatamente que você precisa.”


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