Jornal do Commercio
Replay

Último disco de estúdio de Sandy e Junior completa 10 anos

O álbum Sandy e Junior, de 2006, acabou se revelando o primeiro passo para a separação da dupla

Publicado em 06/04/2016, às 09h35

O álbum Sandy e Junior (2006) abriu caminho para a separação da dupla, anunciada no ano seguinte. / Foto: Divulgação
O álbum Sandy e Junior (2006) abriu caminho para a separação da dupla, anunciada no ano seguinte.
Foto: Divulgação
Robson Gomes

Cinco de abril de 2006. As pessoas que eram cadastradas no site oficial da dupla Sandy e Junior receberam em seus e-mails neste dia uma imagem de fundo marrom com duas silhuetas pequenas no centro, uma menina e um menino na cor bege, que não dizia muita coisa a prinícipio, e uma mensagem, escrita numa fonte estilo máquina de escrever, mais misteriosa ainda: “Você vai querer ouvir de novo”.

Esta foi a primeira ação de marketing dos cantores pop para promover o disco Sandy e Junior, que chegaria nas lojas 23 dias depois. O 15º álbum vinha com uma proposta de amadurecimento musical dos irmãos de Campinas após uma longa estrada permeada pelo sertanejo infantil, até chegar nas baladas e pop-rock que definiram o estilo dos jovens cantores.

Muito longe dos tempos áureos dos arrebatadores álbuns de milhões de cópias As Quatro Estações (1999), Quatro Estações - O Show - Ao Vivo (2000), e Sandy e Junior (2001), a dupla vinha desde Identidade (2003), tentando mostrar que havia evoluído no meio musical ao mostrarem mais composições e uma sonoridade própria.

A prova disso foi o hiato de três anos entre Identidade e o disco de 2006, ao qual não se deram ao trabalho de dar um título. Nesse meio tempo, eles se dedicaram a projetos paralelos, o que levantou grandes rumores, na época, de que a parceria estava chegando ao fim.



O primeiro single, Replay, foi lançado sete dias depois da mensagem teaser. Uma versão em português de Slip Away assinada por Sandy, mas com Junior Lima na primeira voz, foi uma das primeiras ousadias deste disco. Logo após, veio a capa, um conceito criado pelos argentinos Picky Talarico e Juanito Jaureguiberry, onde a dupla não aparece. As silhuetas da mensagem teaser estamparam de vez a frente do álbum e os críticos de plantão da época não demoraram a dizer que a proposta lembrava “símbolos de portas de banheiro de bar”.

Estranho Jeito de Amar, composta por Junior Lima, Tatiana Parra e Otávio de Moraes foi a segunda e última música de trabalho do disco, e a faixa fez tanto barulho quanto Replay, ganhando até espaço na trilha da novela das sete Pé na Jaca, da Rede Globo. O destaque fica por conta do vídeoclipe de 13 minutos que eles gravaram para esta canção, com direção do próprio Junior e Fernando Andrade.

Estranho Jeito de Amar - Sandy & Junior from Spray Filmes on Vimeo.


Embora tenha apenas 12 faixas, Sandy e Junior tem músicas interessantes que, para os fãs, só enriquece a lista de bons lados B da dupla: Ida Nem Volta, Você Não Banca o Meu Sim, Nós Dois no Abismo e Destinos são faixas que merecem uma boa atenção. A ousadia também está presente em Nas Mãos da Sorte, onde Junior Lima (enquanto produtor do disco, junto com o argentino Sebastian Krys) trouxe para a mesma música Milton Nascimento recitando Gabriel O Pensador e Taboo, do Black Eyed Peas, numa letra mais engajada; e na polêmica Discutível Perfeição, onde Sandy usou sua arma mais poderosa – a voz e a composição – para dar uma resposta  bem-humorada aos estereótipos criados em cima de sua própria imagem. Por fim, Último, a enigmática faixa instrumental que encerra o álbum, parecia prever que seria mesmo a última música gravada em estúdio pela dupla.

O disco vendeu pouco: apenas 150 mil cópias de acordo com a Associação Brasileira de Discos (ABPD). Mas foi indicado ao Grammy Latino de 2006 como Melhor Álbum Pop Contemporâneo. Uma das críticas disse na época que o álbum era uma “produção rica para uma música pobre”.

Para os fãs, Sandy e Junior é um disco simbólico. Era o prenúncio do fim de um ciclo de 17 anos que seria anunciado apenas um ano depois.



Comentários

Por Romualdo,06/04/2016

Parabéns, JC! Quer competir com o Diario de Pernambuco no item assuntos sem nenhuma relevância cultural. Lamentável! É ladeira abaixo mesmo.

Por Fabio ,06/04/2016

O álbum é além de ótimo uma critica a vários setores decorrentes do país.... Nota 10.



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