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REC-BEAT

Atração do Rec-Beat, Inna Modja vai fazer pontes entre várias culturas

Cantora do Mali rompeu barreiras sociais do País e alcançou as paradas de sucesso na França

Publicado em 27/02/2017, às 11h40

"Eu tive sorte dos meus pais acreditarem na educação", diz Inna Modja
Foto: Marco Conti Šiki?/ Divulgação
GG ALBUQUERQUE

uando extremistas islâmicos invadiram o Mali, em outubro de 2012, uma de suas primeiras atitudes foi banir a música no país, chegando a ameaçar os músicos de “cortar os dedos que você usa para tocar sua guitarra”. Mas o Mali tem sua cultura fortemente ligada à tradição oral e sempre foi um manancial de bons sons, legando ao mundo artistas geniais como Ali Farka Touré, Boubacar Traoré, Fatoumata Diawara e a banda Tinariwen (vencedora do Grammy de Álbum de World Music).

A música malês ultrapassou as fronteiras e influenciou gente como Damon Albarn, David Byrne e Johnny Marr. Mas ela pró- pria também está dialogando com a sintaxe de um “pop global” – objetivo que aparece em Né Só (2016), último disco da cantora Rokia Traoré e no Tinariwen em seu recém-lançado Elwan, com participações de Mark Lanegan (ex-Screaming Trees) e do compositor indie Kurt Ville. Este também é um ideal de Inna Modja, que faz show no Rec-Beat nesta Terça-Feira Gorda (28), ao lado de Flaira Ferro & Wassab (PE), Quartabê (SP), Teto Preto (RJ) e o grande headliner Jards Macalé (RJ).

“Em minha música eu quero criar uma ponte positiva entre diferentes culturas em que me banho. Misturar a música tradicional malês com hip hop e sons eletrônicos é o que eu queria para Motel Bamako”, diz a cantora e compositora sobre seu mais recente disco em entrevista por e-mail. “Nos anos 1960, a música cubana influenciou bandas lendárias do Mali, como Rail Band Of Bamako ou Les Ambassadeurs. Nós estamos abertos para outras culturas. Eu pessoalmente amo a música brasileira”.

QUEBRANDO BARREIRAS

Aos 32 anos, Inna Modja rompeu uma barreira social grande para se tornar artista. No Mali, o casamento infantil arranjado é instituído e a menina só pode continuar seus estudos se o marido permitir. O resultado: 69% das mulheres são analfabetas contra 53% dos homens, segundo a Unicef. Mas ela escapou desse ciclo vicioso – ainda que tenha sofrido mutilação genital, contra a vontade dos pais.



“Acesso a educação infelizmente é um grande problema, especialmente para as mulheres. Eu tive uma tremenda sorte dos meus pais acreditarem na educa- ção e terem possibilitado os nossos estudos”, conta.

Uma dessas oportunidades foi estudar fora. “Eu fui para a França pela primeira vez aos 19 anos para estudar e trabalhar. Quando me formei, voltei para Bamako (capital de seu país natal). Então decidir viver entre o Mali e a Europa”. French Cancan (Monsieur Sainte Nitouche), um de seus primeiros singles, chegou ao 4º lugar nas paradas francesas e 6º lugar na Bélgica. Apesar de sua carreira estar voltada para Europa, ela diz que ainda é ligada à sua terra. “Eu passo muito tempo no Mali com minha família durante todo o ano. Estou absolutamente conectada com meu país e sua música”.

Essa conexão é sentida em canções sobre o direito da mulher como La Valse de Marylore e Tombouctou – no clipe desta última, ela deixa uma mensagem: “Durante tempos de guerra, mulheres são vulneráveis. Nós queremos ser livres. Nós queremos estar vivas”.

“Tenho atuado no ativismo pelos direitos das mulheres e contra o abuso feminino nos últimos 12 anos. Para mim é realmente importante estar atenta ao que está acontecendo politicamente no Mali. E resistir pela mudança! Durante tempos de guerra somos (mulheres) as mais vulnerá- veis, mas isso me forçou a ser mais corajosa”. Recentemente, Rokia Traoré disse que viver sob a guerra muda completamente a vida, a pessoa deixa de seringênua. Inna comenta: “Eu já não era ingênua por causa da minha própria experiência pessoal. Passar por mutila- ção genital feminina fez com que eu me tornasse resistente, mas ninguém está preparado para a guerra. Muda você profundamente”. É através da música que Inna pede paz. 




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