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Carnaval 2018

Xênia França faz o Rec Beat vibrar mais alto na segunda-feira

Noite teve ainda a passionalidade magnética de Johnny Hooker

Publicado em 13/02/2018, às 11h00

Xenia França: afirmativa e surpreendente / Thomaz Artuzzi / Divulgação
Xenia França: afirmativa e surpreendente
Thomaz Artuzzi / Divulgação
Bruno Albertim

Gravada originalmente pelo paraibano Chico César, os versos de “Respeitem meus cabelos, Brancos” se avolumam violentamente na voz daquela cantora que, no palco da segunda-feira do Festival Rec Beat 2018, parecia fazer o Recife gravitar em torno de si: “Vamos ser francos / Pois quando um preto fala / O branco cala ou deixa a sala / Com veludo nos tamancos“. Quando a baiana radicada São Paulo Xênia França Paulo soltou os versos de “Preta Yayá”, outro ponto vertiginoso do show, a mensagem, se já não era explícita, rompia de vez a membrana de qualquer biscoito da sorte: “Música preta, sou teu instrumento, vim pra te servir“.


Ex-modelo cuja beleza deveria criar jurispridência, vocalista da banda paulistana Aláfia, ela é a cantora que vem arrebatando corações e mentes com seu álbum de estreia, Xênia (2017). Sua apariação no Recife não apenas confirma que o Rec-Beat mantém os pulmões como radar da diversidade do pop brasileiro, mas que a música de afirmação identitária contemporânea não precisa seguir fórmula.

Sim, Xênia é mais uma a quebrar a hegemonia daquelas moças, quase sempre brancas, quase sempre cantando s desagruras e os sonhos de um amor de classe média ou o Brasil que cabe numa palmeira. É uma cantora que canta a diáspora negra. Mas, com suor e carnaval, seu discurso poético vai muito além. Sua obra é de afirmação e enfrentamento, mas estruturada numa musicalidade magnética. Em sua música, uma atmosfera tribal, marcada por tambores, lança elementos do R&B ou do Hip Hop num caledoscópio jazzístico e, sem contrastes, africanamente iorubá. Xênia fez o Rec-Beat tremer na segunda.



CORAÇÃO DE HOOKER

Logo antes, o público se enterneceu com o Fémina, um trio de cantoras e compositoras da Patagônia argentina com uma música que, de sonoridade ruralmente andina, põe em, com suavidade, uma miríade de ritmos latinos. A noite teve ainda a poesia dos sopros de João do Pife, o caruaruense que, aos 72 anos, roda o mundo com seu instrumento síntese e as performances enérgicas do casal Salma Jô (voz) e Macloys Aquino (guitarra), de Goiania, com o indie rock cru e cheio de firulas da banda Carne Doce.

Fechando a noite, Johnny Hooker reeditou a estreia sensacional de Coração, seu novo disco, na cidade. Para um público ganho logo de largada, Johnny era o Hooker de sempre: honesteo, teatral, passional.
Carnavalesco como nunca, temperou sua passionalidade que vai de Dalva de Oliveira a David Bowie em segundos num bloco à sua maneira. A musicalidade de temas como o brega potente de Eu não sou seu lixo, o samba-reggae Manteiga de Garrafa e o afoxé (em homenagem a) Caetano Veloso fizeram de cantor e plateia um só corpo. Sim, Johnny pode criar um bloco de Carnaval em torno de si. No Recife, tem mais do que capital afetivo para isso.


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