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Nego do Borel e a polêmica do clipe de 'Me Solta'

Ao se vestir de mulher e beijar homem, cantor gerou reações exaltadas na internet de todos os lados

Publicado em 10/07/2018, às 18h49

Vestido de mulher, Nego do Borel beija um homem no clipe de 'Me Solta'. / Foto: YouTube/Reprodução
Vestido de mulher, Nego do Borel beija um homem no clipe de 'Me Solta'.
Foto: YouTube/Reprodução
Robson Gomes

“Diz-me o que tu postas que eu te direi quem és”: parafraseando o famoso ditado popular, o público da internet segue julgando vorazmente várias personalidades pelo que escrevem e fazem nas redes sociais. Para citar casos mais recentes, o youtuber Júlio Cocielo e o ator Bruno Gagliasso foram criticados recentemente por tuítes preconceituosos que vieram à tona. O alvo da vez agora atende pelo nome artístico de Nego do Borel.

O funkeiro carioca de 26 anos lançou nesta segunda-feira (9) o videoclipe da música Me Solta. Não seria nada demais se ele não surgisse no vídeo vestido de mulher – alcunhando a personagem de Nega da Borelli – e beijasse (desajeitadamente) na boca um modelo, que já deu entrevista nesta terça-feira (10) dizendo que é heterossexual e nunca “havia beijado um homem na vida”.

E se você acha que o videoclipe, que já tem mais de 6 milhões de visualizações (até o fechamento desta matéria), desagradou apenas o público conservador, muitos deles, externando uma posição homofóbica, saiba que a obra também provocou a ira do outro lado.

Parte da comunidade LGBT não se sentiu representada, e tampouco homenageada, pela atitude “ousada” do cantor, ainda que Nego tenha declarado ao jornal O Globo nesta terça-feira que a ideia do beijo foi dele. “Quis mostrar que as pessoas podem se soltar, beijar, transar, amar quem elas quiserem”, afirmou o funkeiro. “A Nega da Borelli é uma personagem que, pra mim, representa a liberdade de ser quem eu sou”, acrescentou.



Além de argumentarem que Nego do Borel questiona de forma equivocada a representatividade com o reforço de estereótipos e misoginia no vídeo de Me Solta, parte da internet apresentou outra evidência de contradição: uma foto antiga do cantor sorrindo ao lado do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), que é declaradamente contrário ao movimento LGBT e responde por crime de racismo no Supremo Tribunal Federal. O funkeiro, então, tem sido acusado de se apropriar da questão LGBT apenas para se promover – se usando do famoso “pink money”, terminologia que define o poder de compra e de influência da classe LGBT.

Na guerra dos likes, o videoclipe de Me Solta – hospedado no canal KondZilla – tem mais de 500 mil curtidas contra mais de 180 mil dislikes. Do outro lado, os espectadores mais conservadores comentaram no vídeo que estavam “decepcionados” com tamanha exposição e questionaram a masculinidade do cantor. Alguns deles fizeram uso de um verso da música Capítulo 4 Versículo 3 dos Racionais MCs: “Em troca de dinheiro e um carro bom/ Tem mano que rebola e usa até batom”.

Polêmicas à parte, o cantor ficou nos Trend Topics do Twitter em 1º lugar, por nove horas seguidas. O “julgamento” nas redes sociais segue em curso, mas parece que, desta vez, está difícil agradar gregos e também os troianos.

VEJA O CLIPE DE 'ME SOLTA':





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