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Frevo

Frevo comemora nesta sexta mais uma de suas datas especiais

Gênero centenário ainda é tocado basicamente em sua terra

Publicado em 14/09/2018, às 13h15

Frevioca, Claudionor Germano, e o frevo na rua / Foto: JC Imagem
Frevioca, Claudionor Germano, e o frevo na rua
Foto: JC Imagem
JOSÉ TELES

O dia 9 de fevereiro foi convencionado como o do nascimento do frevo, porque nesta data, segundo pesquisas do folclorista Evandro Rabello, se constatou pela primeira vez o uso da palavra num jornal do Recife, o Jornal Pequeno, numa nota do jornalista Osvaldo da Silva Almeida, que usava pseudônimos como Paula Judeu e Pierrot. Em 9 de fevereiro de 2007, comemorou-se, pois, o centenário do frevo, com uma festa no Marco Zero, para onde se dirigiu um arrastão, saído do Pátio de São Pedro, comandado por Antonio Nóbrega e a Spokfrevo Orquestra.

Grandes nomes da música local e nacional, interpretaram clássicos do gênero, e se lançou o álbum duplo, 100 anos do Frevo – É de Perder os Sapatos (Biscoito Fino). Dois anos mais tarde, o frevo ganhou, por decreto, mais um data. O 14 de setembro, Dia Nacional do Frevo, homenageando o citado jornalista Osvaldo de Almeida, nascido em 14 de setembro de 1882. O frevo, aos 111 anos, continua sendo cultivado praticamente apenas em sua terra natal, portanto, a segunda data é lembrada basicamente em Pernambuco.

A Orquestra Arruando, na terceira edição do projeto Recife do Frevo e do Passo, comemora a data domingo, no Marco Zero, reverenciando também o maestro Nunes, autor da clássica Cabelo de Fogo e de várias composições obrigatórias no Carnaval pernambucano. Coincidentemente, Nunes faleceu em 14 de setembro de 2016. Além dessas duas datas, o frevo é celebrado também em 5 dezembro, pois neste dia, em 2012, ele foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, título concedido pela (Unesco), ganhando do chapéu de palha do Equador, do canto budista de Ladakh (Índia) e da tradicional luteria de violinos de Cremona (Itália), entre outros concorrentes à honraria.

Porém, assim como não se sabe com certeza se foi mesmo de Paula Judeu a autoria do termo “frevo”, mesmo que ele assumisse a paternidade, muito menos se pode apontar quando nasceu, de fato, o gênero. Certamente foi bem antes de 9 de fevereiro de 1907, afinal, o Clube Vassourinhas surgiu em 1889. Porém, sem dúvida, a partir da oficialização da suposta data de nascimento, o gênero tomou fôlego, renovou-se com a Spokfrevo Orquestra, a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, do Maestro Forró, a Orquestra Popular do Recife, do Maestro Ademir Araújo, e foi fortalecido com o surgimento do atuante Paço do Frevo (inaugurado em 9 de fevereiro de 2014), instalado na Praça do Arsenal.  Porém o frevo só aparenta gozar de saúde invejável.



ESPAÇO

Gilberto Pontes, saxofonista da Banda Sinfônica, e um dos fundadores da Spokfrevo Orquestra (é primo do maesro Spok) afirma que o frevo não vai mal, mas caminha lento: “Tem surgido novas orquestras, feito a de César Michiles; a Arruando que tem um projeto próprio, mas a crise econômica não está deixando a gente trabalhar. A última vez que a Spokfrevo se apresentou aqui este ano foi no Carnaval, nem ao FIG foi. É difícil viajar com 20 pessoas. Mesmo com os gringos pagando cachês, pra bancar os dias off só com um projeto em lei de incentivo. Nunca mais aprovamos nada no Funcultura”.

Dessa forma, a Spokfrevo Orquestra não terá festa nos 15 anos, que completa em 2018, mesmo tendo levado o frevo para o mundo (chegou até a China e à India), e desertou a curiosidade de Wynton Marsalis, um dos mais importantes nomes da história do jazz, para conhecer, o frevo in loco. Por outro lado, o gênero tem sido cada vez mais tema de trabalhos acadêmicos. Embora ainda longe da sistematização, considerada fundamental para que possa ser tocado em qualquer Estado do Brasil ou mundo afora, no entanto, engatinha. O trompetista Roque Netto, professor da UFPE e músico da Banda Sinfônica, prepara-se para lançar um método de trompete no frevo. Nilsinho Amarante, ex-Spokfrevo, prepara também método sobre o trombone.

Grupos como o Guerreiros do Passo estão renovando e incentivando a prática da dança tão intrínseca ao frevo. Quanto às datas, poderiam adotar mais uma. Antes da nota de Paula Judeu, sobre o Empalhadores do Feitosa, de 9 de fevereiro de 1907, que citava a composição O Frevo, o termo já havia sido publicado na imprensa. No dia 11 de janeiro de 1906, no Diario de Pernambuco, numa nota sobre a troça Come Farofa, com sede na Rua dos Ossos (hoje Marquês do Herval). No repertório da troça foram citados as marchas Um niclek para Bicula, O adubo da farofa, e O frevo.


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Comentários

Por Edna Nunes,14/09/2018

Amo nosso FREEEEEVOOOOO, mas vamos combinar, ter duas datas comemorativas já é demais né?



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