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Mada chega aos 20 anos como um dos grandes festivais do NE

Franz Ferdinand é principal atração do evento que começa hoje

Publicado em 12/10/2018, às 08h34

Franz Ferdinandn surpresas em Natal / Foto: David Edwards/Divulgação
Franz Ferdinandn surpresas em Natal
Foto: David Edwards/Divulgação
JC Online

Música Alimento da Alma, o significado por trás das quatro letras Mada. Tem-se a impressão de um evento ligado às coisas espirituais. Até pode eventualmente estar. Mas é o nome de um dos mais antigos festivais de rock do país, que acontece em Natal (RN) há 20 anos. A edição 2018 ocorre hoje e amanhã, na Arena da Dunas, com 26 atrações, uma dúzia delas locais. A  principal é o grupo indie escocês Franz Ferdinand.

 Jomardo Jomas, que criou o Mada e até hoje está à frente do festival, confessa que a cada ano fica mais difícil montar uma programação que atraia o público, pela fragmentação do pop nacional. A última banda pop nacional, sem concessões ao popularesco, que alcançou rádio, TV, e vendeu muito disco, foi a Los Hermanos, em 1999. “Este problema tem que ser bem pensado porque o público envelhece. O que compareceu entre 1998 e 2004 já não é o mesmo. Tem pai que assistia ao festival e hoje vem para trazer o filho. Por isso quando me ofereceram o Franz Ferdinand, que é caro para a gente, aceitei. O público de Natal e do Nordeste é carente de boas atrações internacionais. Uma banda assim vai trazer pessoas de outros Estados”, comenta Jomardo.

 Para ele a grade tem que ter sempre novidades, e atualmente isto tem acontecido no rap: “É a cena mais forte do país atualmente. Trouxe Criolo quando ele ainda era muito pouco conhecido, trouxe Emicida. Este ano estamos com Rincón Sapiência, mais BaianaSystem e a Àttøøxxá, da Bahia. De Pernambuco, Nação Zumbi, Cordel do Fogo Encantado e Duda Beat. A expectativa é muito boa”. Jomardo conta que para se manter atualizado trabalha com uma curadoria de pessoas bastante jovens e antenadas:

 “Já cheguei a segmentar o festival por gêneros. Mas não dá mais certo. O pessoal do rock pesado não vem mais a festivais. Prefere escutar em casa”. Ele conta também com a cena local para garantir público: “Natal tem bandas conhecidas no Brasil, e até no exterior, a Far From Alaska, Plutão Já Foi Planeta. No Mada 2018, quase a metade é banda daqui. Em 2015 e 2016 tivemos lotação esgotada sem divulgação a não ser nas redes sociais. Este ano resolvemos trabalhar também off-line”. O Mada tem como objetivo maior, o festival propriamente dito, mas tem, segundo Jomardo, reforçado ações nas escolas:

 “Fazemos isto há três anos. Começou com uma só ação numa escola, e foi se estendendo, e já pensamos ele levar para o interior. É uma social simples, mas efetiva, levamos o artista até a escola, eles explicam sua música, fazem um pocket show”. No palco hoje sobre Pitty, Nação Zumbi, Jade Baraldo, Cordel do Fogo Encantado, ÀTTØØXXÁ e Far From Alaska, e termina amanhã com: Franz Ferdinand, BaianaSystem, Francisco, el Hombre, Larissa Luz, Rincón Sapiência, Oto Gris, Luísa e os Alquimistas e Demoni. Com novos integrantes e disco novo, Franz Ferdinand voltou ao Brasil para apenas três shows, São Paulo, Curitiba e Natal.



FRANZ FERDINAND – ENTREVISTA

Com mudanças na formação e o disco novo, Always Ascending, Franz Ferdinand voltou ao país para três concertos. Ela Estreou no Brasil em 2006, abrindo para o U2. Paul Thompson, baterista (às vezes guitarrista) falou ao JC, sobre o grupo, o novo disco e o Mada. Ele lembra a curiosa participação com o U2, no Morumbi, em São Paulo, quando o FF era sensação na música pop na época: “Lembro da multidão estendendo-se como um mar de cabeças indo até onde a vista podia alcançar. Uma estranha visão, mas não tão desalentadora quanto se possa imaginar, porém feito um sonho esquisito. Me lembro também do U2 permitindo que a gente fizesse a passagem do som um pouco antes dos portões serem abertos. A gente pode ver as pessoas que acamparam fora do estádio para assistir o show na frente do palco, espremendo-se, enquanto terminávamos de passar Take me Out (de 2004). Foi mais excitante do que o próprio show”, relembra Thompson.

 A Franz Ferdinand estreou criando expectativas. Paul Thompson garante que para a banda não houve a síndrome do segundo disco: “A gente nem pensou nisso compunha. Passou por bem longe da gente este detalhe”. Franz Ferdinand, o álbum, foi tão bem sucedido que, pelos menos quatro faixas, são obrigatórias nos shows do grupo. Como seria tocar estas músicas daqui agora e daqui a 30 anos? Thompson responde com bom humor à provocação:

 “Contanto que não seja durante 30 anos o tempo todo, iria atrapalhar novas experiências de vida. Mas ficaria perfeitamente feliz de revisitar estas canções, se o pessoal ainda estiver a fim de escutar”. Always Ascending foi gravado com Dino Bardot no lugar Nick McCarthy, na guitarra, e o produtor Julian Corrie. Até onde a mudança teria influenciado a música da Franz Ferdinand? “Dinamicamente, é um novo animal, que se move, e tem um cheiro ligeiramente diferente”, resume Thompson.

 Para o concerto no Mada, ele diz: “Nem preparamos ainda o repertório, que muda de show pra show, dependendo do que a gente sente. Mas estamos trazendo de volta antigas canções, algumas que nunca tocamos ao vivo, só pra curtir, talvez uma bem rara. Esperem pra ver”.





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