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Show

Simone e Ivan Lins mostram que o tempo está ao lado deles

Repertório repassou a carreira de Ivan Lins

Publicado em 02/12/2018, às 10h32

Ivan Lins e Simone, 45 anos de música e amizade / Foto: Sette Comunicação/Divulgação
Ivan Lins e Simone, 45 anos de música e amizade
Foto: Sette Comunicação/Divulgação
JOSÉ TELES

Dois artistas com décadas de carreira e uma enxurrada de sucessos dispensam a presença na mídia, ou a necessidade de criar factoides para se manterem em evidência. Ivan Lins e Simone provaram isso sexta-feira cantando para um Teatro Guararapes lotado. Um público, em boa parte de meia idade, mas tanto este, quanto os jovens, vibrando do início ao fim com um repertório assinado por Ivan Lins (só ou com parceiros), com muita música que circula mundo afora. Afinal, depois de Tom Jobim, ele é o autor brasileiro preferido pelos grandes intérpretes de jazz. Abre Alas, um trecho instrumental, marca o início do roteiro. Uma canção emblemática na carreira de Ivan Lins, que marcou, em 1974, uma nova fase na sua obra e o firmou como um dos autores do primeiro time da MPB, na parceria vitoriosa com Vitor Martins.

Somos todos Iguais Nesta Noite, Daquilo Que Eu Sei, Aos Nossos Filhos e O Amor É Meu País. A sequência conta a história da obra de Ivan Lins. As três primeiras marcam sua retomada ao sucesso, iniciado em 1970, com O Amor É Meu País. Em pleno regime militar, na fase Garrastazu Medici, qualquer música com citação à pátria sofria patrulhamento, e Ivan foi patrulhado por O Amor É Meu O Meu País, de sua época no programa Som Livre Exportação, da TV Globo.

 Um show formado por blocos, o romântico poderia ser menor, intercalando um parte mais à frente para imprimir mais dinâmica. Além do que, durante duas vezes, deu problema no retorno do teclado de Ivan Lins. A primeira, no final de Daquilo Que Eu Sei, uma interrupção de uns cinco minutos, em que ele e Simone encheram lingüiça. Ivan aproveitou para contar uma historinha acontecida em Portugal, quando ao conferir o rótulo da água mineral que lhe trouxeram, pediu que a trocassem. A água era da marca Pé Na Cova.



 Uma parte das canções feministas, Vitoriosa, Começar de Novo; uma parte de músicas do Baiana da Gema, disco, de 2004, em que Simone canta apenas composições de Ivan Lins. Os dois mostram-se com um pique invejável, mais que isso, cantam como se o tempo não tivesse marcado suas vozes. Simone, que fecha os 70 anos em 2019, joga a voz lá em cima, com facilidade, Ivan Lins, aos 73, continua com o vozeirão de sempre. A cumplicidade de 45 anos de amizade, faz com que o show role redondo.

 Vem o bloco sofrência chique, de que a canção mais conhecida é Bilhete, narrativa de uma separação traumática: “Eu limpei minha vida/Te tirei do meu corpo/Te tirei das entranhas/Fiz um tipo de aborto/E por fim nosso caso acabou/Está morto”. Na largada para o final, as canções de resistência, a maioria do final do anos 70.

FINAL

 Simone e Ivan Lins se dão as mãos, e cantam em dueto Bandeira do Divino (“Que o perdão seja sagrado, que a fé seja infinita/Que o homem seja livre, que a justiça sobreviva, ai, ai”, ao fundo a bateria impulsiona a música em levada de marcha militar. Segue por Antes que Seja Tarde e Desesperar Jamais. Enquanto canta Um Novo Tempo, já no bis, Simone, vestida inteiramente de branco, distribui flores brancas às pessoas que se aproximaram do palco. Um bloco aplaudido de pé, mas sem manifestações políticas explícitas, como aconteceu, por exemplo, na pequena temporada de Chico Buarque, em maio, no mesmo teatro.





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