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Homenagem

Lia de Itamaracá completa 75 anos com três dias de festa

Homenagens estendem-se de hoje até o domingo

Publicado em 11/01/2019, às 12h52

Lia e o escritor Marcelo Henrique / Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Lia e o escritor Marcelo Henrique
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
JOSÉ TELES

“Não tinha isso de tomar danoninho, não. O chão da casa era de tijolo cru, aquele tijolo velho. Pra deixar brilhando, a gente tinha que esfregar ele com casca de coco. Era tipo uma escravidão. Minha mãe ficava na cozinha, lavava uma roupa, corria pra lavar os pratos. A gente ciscava o quintal, varria o terreiro, limpava os móvi.” Este depoimento está no livro Lia de Itamaracá – 75 Anos Cirandando com Resistência, Sorrisos e Simplicidade, do jornalista pernambucano Marcelo Henrique Andrade, ilustrado por fotos assinadas por oito profissionais. O lançamento acontece hoje, no Sinspire Hub, Bairro do Recife, a partir das 17h30, com a presença de todos os que participaram do projeto.

A festa terá uma exposição sobre a cirandeira e muita música com a presença de nomes que vão de Claudionor Germano a Daúde, André Rio e uma obrigatória roda de ciranda, puxada pela homenageada.

Patrimônio Vivo da cultura pernambucana, Maria Madalena Correa do Nascimento ficou conhecida no início dos anos 70, quando a ciranda virou a dança da moça, e passou a ser praticada pela classe média alta no Pátio de São Pedro e por gente jovem na Praia do Janga ou de Itamaracá. Poderia ter antecipado o reconhecimento quando conheceu a cantora Teca Calazans nos anos 1960. Teca integrava um grupo que fazia MPB engajada e lançou, num compacto da Rozenblit/Mocambo, um pot-pourri de cirandas aprendidas com Lia de Itamaracá. Mas a ciranda esperaria mais um pouco para atrair o pernambucano.



O modismo da ciranda levou a gravadora Tapecar a promover a estreia de Lia com o LP A Rainha da Ciranda (1977): “Não ganhei dinheiro nenhum com aquele disco. Me deram só 25 LPs”, revela Lia de Itamaracá, que tem mais dois discos gravados, Eu Sou Lia (Rob Digital) e Ciranda de Ritmos (2008). No final da década de 70, a ciranda deu vez à disco music como dança da vez, e Lia Amargou um ostracismo, que só terminaria quando eclodiu o que foi rotulado de manguebeat, tocando e revalorizando a cultura popular, trazendo os artistas do povo para os palcos de festivais feito o Abril pro Rock.

TEMA

Lia de Itamaracá foi tema de dissertação acadêmica, na UFPB, de Marcelo Henrique Andrade. “As pessoas sabem quem é a artista Lia, a cantora que está no palco ou fazendo ciranda. Poucos sabem quem é a mulher, a resistente e a história de vida que ela carrega. Me aprofundei na história de Lia. Levei 30 meses para concluir o trabalho. Tive que ir atrás de muita coisa, de muita gente, jornalistas que escreveram sobre ela. Lia teve duas fases, procurei saber o que aconteceu entre uma e outra”, conta o escritor. Lia aniversaria amanhã, mas a festa só acaba no domingo, na Ilha de Itamaracá, no Centro Cultural Estrela de Lia: “A renda com a venda dos livros será revertida para o centro cultural”, esclarece Maria Luciana Nunes, curadora do evento, patrocinado pela Jeep.
l Sinspire Hub, Rua da Guia, 234, Bairro do Recife





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