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Biografia

The Monkees: biografia brasileira publicada em Portugal

Autor lança livro hoje no Recife

Publicado em 05/02/2019, às 12h54

The Monkees, banda fabricada, mas talentosa / Foto: Divulgação
The Monkees, banda fabricada, mas talentosa
Foto: Divulgação
JOSÉ TELES

Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees, livro de Sérgio Farias (Chiado Books), será lançado, amanhã, às 19h, na Passa Disco (Rua da Hora, 345, Espinheiro). Mas, por que um brasileiro iria escrever sobre The Monkees, 50 anos depois do fim de um grupo estigmatizado por ter sido “fabricado”, ou seja, criado para atuar numa série de TV, claramente copiada dos Beatles de A Hard Day’s Night?

Exatamente por causa do estigma. O carioca Sergio Farias tomou conhecimento dos Monkees aos dez anos de idade, em 1975, quando a série foi reprisada na TV, no início da manhã. Ele a assistia antes de ir para a escola. Entusiasmado pela série, pela banda, e pela música, Farias procurou se informar sobre os Monkees:

“Era como se o grupo nunca tivesse existido, não encontrava nada a respeito. E quando perguntava as pessoas, me diziam que foi um grupo fabricado. Só consegui encontrar informações em 1982, na biblioteca do consulado americano, onde encontrei uma enciclopédia de rock”. Antes disso, Sérgio Farias já se tornara também beatlemaníaco, a ponto de reunir material para escrever um livro sobre John Lennon, lançado em outubro de 2011 – John Lennon Vida e Obra.

“Em janeiro de 2012 comecei o livro sobre os Monkees, entreguei em março de 2018, fiz o primeiro lançamento em Portugal, onde fica a editora”, diz Farias. Foram, pois, seis anos de trabalho, entre entrevistas e pesquisas; “Estive três vezes nos Estados Unidos. Conversei com pessoas próximas aos Monkees, músicos que tocaram com eles. A ex-mulher de Peter Tork me concedeu quatro horas de entrevista. Tenho todos os livros sobre o grupo, cerca de 20 biografias, da banda e seus integrantes. Acho que este livro mostra bem o que é os Monkees. No auge, eles venderam mais do que Beatles e Rolling Stones juntos. Mas o que se falava deles é que nem tocavam em seus próprios discos. Enquanto quase todos eram multi-instrumentista, alguns estudaram música, sabiam ler partitura. Como compositores, ajudaram a criar o country rock”, justifica o escritor.



Os americanos Micky Dolenz, Michael Nesmith e Peter Tork, mais o inglês Davy Jones, foram escolhidos entre centenas de jovens que atenderam a um anúncio: “Loucura! Testes! Músicos e cantores de Folk & Roll para atuar numa nova série para a TV. Papéis principais para 4 rapazes insanos, com idade entre 17 e 21”. Pedia-se que os que se encaixassem nas características do anúncio que comparecessem ao endereço da produtora.

Apareceram quase cinco centenas. Dolenz, Nesmith, Tork e Jones eram talentosos. O primeiro trabalhava como ator desde os anos 50, na série O Menino do Circo. Os demais tocavam, compunham e atuavam. Mas os produtores tinham planos para eles. Pretendiam uma cópia dos Beatles, mas que não tocassem, nem fizessem música. Contrataram os melhores músicos de estúdio da Califórnia, e os melhores autores que compunham por encomenda. O sucesso foi imediato.

DISCÓRDIAS

“Entre flores, groupies, críticas e protestos, os Monkees tiveram um ano fantástico em 1967. Sua marca faturou cerca de 200 milhões de dólares, e só nos Estados Unidos venderam mais de 25 milhões de discos”. Numa década de revolução musical quase diária, o Monkees era desdenhado como uma armação da indústria. Foram alijados do festival de Monterrey, em 1967, por este fator. Mas logo se rebelaram, exigiram autonomia. Passaram a compor, a tocar e cantar e a se indispor com os produtores. O clima entre eles mesmos não era bom: “Na Inglaterra eles foram muito bem aceitos. Os Beatles deram festas para os Monkees. Jimi Hendrix fez uma turnê com o grupo pelos Estados Unidos. O que levou o grupo acabar, embora depois tenha voltado, é que eles não eram amigos. Ao contrário de, por exemplo, os Beatles que se conheciam desde a escola, os Monkees se conheceram naquela circunstância.

Em 1968, Peter Tork, em torno do qual a narrativa circula, desligou-se oficialmente do grupo. Love is Understanding tem tudo o que se pode querer saber de The Monkees (que o autor traduz para o inglês para lançá-lo no exterior). Infelizmente, ele não conseguiu entrevistar Peter Tork, embora tenha tirado foto com ele, Michael e Micky: “Mas quase não nos falamos, foi numa convenção dos Monkees, enfrentei uma fila enorme para ter uma foto com os três”.





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