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Amaro Freitas Trio e o jazz made in Pernambuco

Músico lança disco saído por selo da Inglaterra

Publicado em 25/04/2019, às 11h37

Amaro Freitas, toca Rasif / Foto: Divulgação
Amaro Freitas, toca Rasif
Foto: Divulgação
JOSÉ TELES

O Amaro Freitas Trio desde 2016 é destaque no jazz, não apenas brasileiro, mas internacional. Rasif, o álbum que lança nesta sexta, no Teatro de Santa Isabel, às 20h30, figurou nas páginas de algumas das principais publicações do gênero, inclusiva na mais importante delas, a americana Downbeat. A turnê do disco, lançado pelo selo inglês Far Out, foi apresentada na Europa, passando Portugal, Alemanha, França, com uma parada em Londres, para um concerto num dos mais seletos clubes de jazz da Europa, o Ronnie Scott’. O pianista Amaro Freitas, com o baixista Jean Elton e o baterista Hugo Medeiros, entraram na roda desde o álbum Sangue Negro, três anos atrás.

Uma mudança radical no músico que começou tocando em igrejas evangélicas: “Desde que o disco foi lançado, fizemos uma excelente turnê o ano passado, entramos em listas de melhores do ano em várias revistas e jornais. Nosso CD no estoque da Far Out tá acabando, tem no máximo 40 CDs. O vinil já não tem mais. A venda no Brasil foi tão alta que recebemos convites pra prensar o Rasif em edição nacional, mas não dá por causa do contrato que temos com a Far Out. O que temos é para a turnê. Em relação a números em plataformas, estamos com media de 31 mil mensal para o disco, com as músicas chegando a 200 mil. Estamos falando de música instrumental. Enfim, o disco nos deu shows, mais público, mais conexões”, detalha Amaro Freitas.
Há muito tempo que um pianista, tocando jazz, com harmonias complexas, não ganha tantos espaços no país:

“Em relação ao Brasil é espantoso isso. Estamos sendo conhecidos pelas pessoas tradicionalmente ligadas ao jazz, críticos, músicos. Mas a gente também esta alcançando um público que não necessariamente escuta jazz. Tocamos no Sesc Pompeia, mas também tocamos no Rec-Beat, que é outro público e que se identificou com a sonoridade. Tocamos no Psicodália, um festival em Santa Catarina, um lugar onde não toca jazz, espaço para bandas indies, alternativas”, comenta o pianista. Uma coisa é certa: se abrirem as portas, ele vai chegando com sua música. “Este nicho que a gente tá flertando, não é comum a música instrumental, que não é pra dançar, é uma música cerebral. Existe uma medida do Spotify revelando que meu maior publico é em São Paulo, depois vem Rio, o Recife fica em décimo lugar”.

ESTONTEANTE

“A complexidade rítmica do Amaro Freitas Trio é estonteante”, o comentário abre uma matéria na Downbeat sobre Rasif, lançado inicialmente na Inglaterra, distribuído para “oropa”, França e Bahia. Embora entidades heterogêneas, Chico Science, Maestro Spok e Amaro Freitas têm muito em comum. A trinca penetrou rapidamente no mercado europeu pela pernambucanidade, sem fazer macumba pra turista (termo cunhado por Oswald de Andrade). Não ofereceram para os gringos matéria-prima bruta, mas um sofisticado produto manufaturado, cujos insumos veio da variedade rítmica do estado. Os gringos prestaram atenção no Amaro Freitas Trio quando escutaram um jazz brasileiro sem influência da bossa nova, ou do jazz da Costa Oeste.Maracatu, frevo, coco de trupé, baião, incrementado com muito groove, mas também um groove que não se deriva do funk americano.



Ressaltado por todos os que escreveram sobre o trio é o entrosamento entre piano, baixo acústico e bateria. É como se Amaro, Jean e Hugo se desafiassem um aos outros, impulsionando os adversários a ir além dos próprio limites. Isto empolgava em Sangue Negro, e torna ainda mais empolgante um concerto do Amaro Freitas Trio, para o qual o Recife a cada dia fica menor, oferece-lhe menos espaço. Até quando o trio permanecerá na cidade?

“É uma coisa que não sei te dizer. O que posso falar é o seguinte, cada vez menos, eu venho tocando na minha cidade. Nos próximos três meses vou tocar cinco, seis vezes em São Paulo. Cada vez menos me enxergo aqui no Recife. Tem um público, uma galera que consome. Mas lugar pra tocar, sala de teatro, tem pouco. Isto em São Paulo rola, na Europa rola muito. A gente tem três tours pra Europa este ano. Isso mostra a demanda da Europa. A gente vai também alcançar país que não são da América nem da Europa, este ano.

Não posso ainda dizer quais, falta confirmar. Hermeto e Sivuca saíram daqui porque era hora de ir (dos dois eram contratados da Rádio Jornal do Commercio nos anos 50). A vida vai chamando, e vai me chamar, quando a demanda ficar tão grande lá fora que não terá mais lógica eu ficar no Recife. Mas não quero apressar as coisas, quero que aconteça naturalmente”, diz Amaro. Amanhã no Santa Isabel, Amaro Freitas Trio toca como quarteto, com Henrique Albino no sax. O repertório é centrado no álbum Rasif:

“A gente tocará o disco inteiro, mas será um show praticamente inédito da forma como vai ser feito. Tem, por exemplo, uma música chamada Plenilúnio, que gravei só com Henrique. Ele por sua vez participará de músicas que não tocou no disco. Vamos tocar alguma coisa de Sangre Negro. Encruzilhada, Samba de César são musicas que as pessoas curtem muito. E se rolar o bis, tocamos o tema Sangue Negro”, antecipa o pianista



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