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Vanguart dedica disco à música de Bob Dylan

Repertório pega todas fases do artista americano

Publicado em 09/07/2019, às 08h36

Vanguart canta Mr.Zimmrman / Foto: Divulgação
Vanguart canta Mr.Zimmrman
Foto: Divulgação
JOSÉ TELES

O prêmio Nobel de Literatura de 2016, Robert Allen Zimmerman, de nome artístico Bob Dylan, no Brasil nunca foi muito além do status de cult. Na fase mais prolífica da carreira, em meados dos anos 60, o que cantava era demasiado complexo para receber versão em roupagem iê-iê-iê. Nas fases posteriores, uma ou outra canção recebeu atenção das emissoras de rádio.

 Dylan teve edições brasileira de quase todos álbuns, mas apenas Desire, de 1975 chegou a arranhar as paradas, com Hurricane. Curiosamente, uma canção que muitas emissoras americanas recusaram-se a tocar por causa da expressão “son of a bitch” (“FDP”). Hurricane foi uma das escolhidas para o novo disco da banda mato-grossense Vanguart, inteiramente de músicas de Bob Dylan. Com uma exceção, The House of the Rising Sun, de domínio público.

 A Vanguart é a primeira banda brasileira com álbum em que canta Dylan em inglês. O que é, ao mesmo tempo, uma ousadia e uma temeridade. O cantor americano já passou do status de mito. É uma entidade:

 “Foi um processo natural. A gente nunca imaginou que um dia faria um trabalho não autoral. O grupo já havia feito algumas vezes show com músicas de Dylan. Um deles foi só com o Blood on the Tracks. Ano passado participamos de um programas de versões no Canal Bis, e o pessoal gostou muito. Rafael Ramos, da Deck sugeriu que fizéssemos um disco inteiro com músicas de Bob Dylan. Alegou que a gente precisava mostrar a esta nova geração Dylan de outra maneira. Nós, da banda, ouvíamos em Cuiabá, achavam estranho porque não era o que se escutava na época. E, na verdade, Bob Dylan nem é tão estranho assim à música brasileira, tem versões de Caetano, o disco de Zé Ramalho, vários artistas cantam músicas dele”, conta Reginaldo Lincoln, baixista e um dos fundadores da Vanguart, com Hélio Flanders, em meados do ano 2000.

 No caso de Dylan, quem o grava é submetido ao dilema de cantar canções que poucos conhecem ou que as conhece demais. Com o agravante que as mais conhecidas vêm sendo regravadas há décadas. Caso de Blowin’ in the Wind, de 1963, que teve a primeira gravação no Brasil em 1965, com o Trio Melodia, rebatizada de Escuta a Voz do Vento (versão de Nazareno de Brito):



 “Esta foi difícil, porque todo mundo gravou. A gente bateu cabeça, queria experimentar um arranjo diferente. Fizemos um coro, todos cantando juntos. Ela precisava entrar no álbum, a música está cada vez mais atual, sobretudo neste momento do Brasil, com esta bagunça, esta coisa de armas. Tem tudo a ver”, diz Reginaldo, que canta parte das canções do álbum, a maioria na voz de Hélio Flanders.

 Fernanda Kostchak é quem interpreta The House of the Rising Sun, numa versão mais próxima da que fez a fama de The Animal, em 1965. “Fernanda é violonista, a nossa Scarlett Rivera. Ela entrou no grupo exatamente por causa de um show em que tocamos Bob Dylan”, ressalta Reginaldo, aludindo a também violonista Scarlett Rivera, que Bob Dylan trouxe das ruas de Nova Iorque para os estúdio, em 1975, quando gravou Desire.

DISCO

 O revezamento nas interpretações é que levam ao Vanguart ir além de cover de Dylan neste álbum. Hurricane, do citado Desire, foi cantado pelo guitarrista David Dafré. Estão ainda no disco Julio Nganga, piano e órgãos Hammond, e os bateristas Kezo Nogueira e Pedro Gongom. Para Flanders, por razões pessoais, Blood on the Tracks (1975) é o disco preferido de Dylan, não por acaso, portanto, ele abre Vanguart Sings Bob Dylan, com Tangled Up in Blue.

A mais elogiada canção de um dos mais elogiados álbuns de Dylan, recebeu interpretação muito próxima ao original. É o problema com quem canta entidades. Geralmente faz-se isso com reverência. Foi o que fez o Vanguart, quando o próprio Dylan trata cada uma de suas canções como obra progresso, as desconstrói a cada vez que a canta em público.

 




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