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'Nossa História': Sandy e Junior entregam show impecável e nostálgico no Recife

Dupla cantou para 12 mil pessoas no Classic Hall e surpreendeu a plateia com uma grande estrutura somada à emoção na medida certa

Publicado em 13/07/2019, às 10h09

Sandy e Junior fizeram uma apresentação para nenhum fã colocar defeito / Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem
Sandy e Junior fizeram uma apresentação para nenhum fã colocar defeito
Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem
Robson Gomes

"O melhor de estar aqui é construir novas lembranças. É saber que a gente viveu isso junto": A frase que parece ensaiada soou de maneira espontânea pela boca de Sandy ao tentar encontrar palavras no palco para definir o que vivera junto com seu irmão Junior Lima na estreia da turnê comemorativa Nossa História, que começou nesta sexta-feira (12) no Classic Hall, em Olinda. Cerca de 12 mil pessoas fizeram questão de lotar a casa de shows para demonstrar o carinho, a fidelidade e, acima de tudo, a saudade de 30 anos de história vividos em 17 de carreira, interrompida por um hiato anunciado há 12 anos.

No meio da multidão, estava a médica Andréa Freitas, de 37 anos. Junto com as amigas, contou que uma delas comprou os ingressos para o grupo após ficar cinco horas na fila virtual na época da abertura das vendas. "Acompanho eles desde a infância. Tenho praticamente a mesma idade de Sandy. Meu coração está aceleradíssimo por estar aqui e a expectativa é enorme", disse ela, que nem sabia definir qual música da dupla mais aguardava. "Eu espero todas", disse.

Por ser o primeiro dos 15 shows que serão realizados até outubro, havia uma torcida muito grande dos pais da dupla e dos amigos famosos. Noely e Xororó, pais dos irmãos, acompanharam tudo de perto, assim como Lucas Lima e Monica Benini, os respectivos cônjuges. Na plateia de famosos, estavam as atrizes Fernanda Paes Leme, Fernanda Rodrigues (esposa do diretor geral do show, Raoni Carneiro) e o blogueiro Hugo Gloss. Minutos antes do show começar, o público gritou calorosamente ao ver Lucas e Xororó, com direito a puxarem uma versão à capela de Evidências que ecoou em toda a casa de shows.

A espera de 12 anos, enfim, acabou às 21h37, quando as luzes se apagaram e, sem mais delongas, deu início ao grande espetáculo. Sob uma grande estrutura de projeções e LEDs em formato triangular, Não Dá Pra Não Pensar, um hit composto pelos irmãos no disco que levava o nome deles em 2001, foi escolhida para abrir os trabalhos, levando o Classic Hall abaixo, que cantava feliz, mas ainda incrédulos de, enfim, revê-los juntos no mesmo palco depois de tanto tempo. Naqueles primeiros minutos, já se via uma Sandy levemente emocionada com este "recomeço", de mãos dadas com o irmão. "Só Deus sabe o que a gente está sentindo aqui dentro nesta noite", disse a cantora de 36 anos. "A gente tava na pilha para essa estreia. E finalmente ela chegou. E que bom que ela foi aqui", completou Junior Lima, para delírio da plateia.

O setlist seguiu com Nada Vai Me Sufocar, No Fundo do Coração e Estranho Jeito de Amar. E se a ideia era recordar os bons tempos, o ballet provocou a nostalgia em Love Never Fails ao rever a coreografia original, e o melhor: com Sandy performando bem os passos e Junior enlouquecendo a plateia ao tirar o blazer para executar melhor os movimentos, deixando seus braços à mostra.

O disco As Quatro Estações foi o álbum mais contemplado. Após a faixa homônima - onde se destaca o grande trabalho de iluminação e participação da plateia através de cartazes específicos criados para a turnê - vemos um Junior tentando se reencontrar vocalmente ao apresentar o solo Aprender a Amar. Antes da música ele ainda relembrou que esta canção marcou, principalmente, a sua mudança de voz. E o público, compreensivo, o ajudou a levar a música até o fim. 




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Após a emocionante lado B Libertar, a nostalgia pelas músicas infantis da dupla bateu forte com Eu Acho Que Pirei, seguida de um medley - o único do show - que reuniu as canções: Beijo é Bom, Etc… e Tal, Vai Ter Que Rebolar, Dig-Dig-Joy e Eu Quero Mais. O público reagiu a altura, em um dos momentos de maior coro do show.

Além dos próprios irmãos brilharem enquanto dupla novamente naquela noite, pode-se dizer, também, que foi a noite de Junior Lima. O multi-instrumentista de 35 anos surpreendeu a todos em Enrosca, trazendo finalmente o tal "sex appeal" que ele tentava colocar nos shows dos anos 2000 e falhava. Desta vez, não só deu certo, como ainda trouxe uma coreografia que interagia com as projeções no telão a la Beyoncé. Com bastante energia, ele ainda puxou um solo de bateria e convocou o público a chamar a música A Gente Dá Certo, que ganhou um arranjo mais rock, além da dupla se jogar na coreografia novamente.

Na ponta da passarela, Sandy e Junior se sentaram para um momento acústico. Era apenas voz, violão e um coral de 12 mil vozes apaixonadas que cantaram como prece canções como Você Pra Sempre (Inveja), Ilusão, Não Ter e Com Você. Voltando com a banda, os hits Inesquecível e Super-Herói (Não é Fácil) marcaram presença. E esta última culminou no momento de maior emoção do espetáculo, quando Junior tentou segurar as lágrimas no verso final da canção. Sandy consolou o irmão com um olhar fraterno e um abraço, levando muitos fãs às lágrimas no Classic Hall.

FALSO FIM DO SHOW

Após a arrasa-quarteirão A Lenda, Cai a Chuva prenunciava um falso fim do show. A despedida dos irmãos e uma chuva de papel picado parecia o encerramento, mas o público sabia que (algo faltava e) queria mais. Faltava uma, que foi cantada pela plateia com as luzes apagadas. E ela foi entregue da melhor forma possível: um interlúdio mostrou Sandy e Junior se declarando para o seu público, a quem eles creditam como um dos maiores responsáveis por toda esta turnê acontecer. E a melhor forma de agradecer foi esta: cantando Quando Você Passa (Turu Turu).

Desperdiçou e a célebre Vâmo Pulá!, com as pirotecnias de sempre, colocaram fim num repertório de 23 faixas, 2h30 de duração e três trocas de figurino dos artistas, terminando por volta das 23h45. Quando Sandy e Junior deixaram o palco em definitivo, a sensação do público era de alma lavada, pois a viagem no tempo foi mais bem feita do que se poderia imaginar. E ainda que isso tenha custado 12 anos de separação, mesmo que isso não seja um retorno definitivo (e a essa altura, nem vale mais a pena cogitar isso, pelo bem deles), celebrar as três décadas destes irmãos de Campinas só deu uma certeza: que a história deles vale a pena ser contada, cantada e revivida ainda por muitos e muitos anos. 

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