Jornal do Commercio
Entrevista
De Parabéns!

Sem limites para o sucesso, Pabllo Vittar faz show em Olinda

Em entrevista ao JC, cantora maranhense celebra as conquistas e preconceitos quebrados Brasil e mundo afora

Publicado em 09/11/2019, às 05h00

Pabllo Vittar traz a turnê 'NPN 2.0' para a Vittarland, em Olinda. / Foto: Ernna Cost/Divulgação
Pabllo Vittar traz a turnê 'NPN 2.0' para a Vittarland, em Olinda.
Foto: Ernna Cost/Divulgação
Robson Gomes

Pegando carona em seu atual single, Pabllo Vittar está mesmo “de parabéns”. A maranhense desembarca neste sábado (9) em Olinda celebrando o título de Melhor Artista Brasileira de 2019 pelo Europe Music Awards, da MTV Europa, em um show na “Vittarland”, junto a várias atrações. (veja o serviço abaixo da entrevista)

Quebrando cada vez mais padrões, a drag queen tem status de estrela global e lançou a primeira parte de seu novo disco, intitulado 111. Ao Jornal do Commercio, a cantora de 25 anos fala das conquistas, preconceitos e fronteiras que ela segue derrubando Brasil e mundo afora.

ENTREVISTA // PABLLO VITTAR

JORNAL DO COMMERCIO – Pabllo, diante de tudo que você vem conquistando, já estava na hora de “se dar os parabéns”?
PABLLO VITTAR – Eu vivo tudo de forma intensa. Sou muito grata com a projeção que o meu trabalho e o de toda minha uma equipe têm alcançado. É tudo feito com muita verdade e comprometimento.

JC – A arte drag existe na tua vida desde os 17 anos. Antes inspirada pela série RuPaul’s Drag Race, agora você é uma inspiração para muitas pessoas a “se montarem”. Para você, a Pabllo drag consegue se expressar mais que a Pabllo cantora?
PABLLO – Não vejo uma divisão de expressão artística. Eu sou tudo isso e mais um pouco ao mesmo tempo. Com a maquiagem, transmito como me sinto e com a música também. São formas diferentes, mas com mesmo objetivo.

JC – Na festa de lançamento do disco 111, você agradeceu ao público por acreditar “no sucesso de uma gay afeminada, um ‘viado’ nordestino”. Estes rótulos, aparentemente pejorativos, te encorajam a conquistar mais espaço e dar mais coro de representatividade à essas minorias tão discriminadas?
PABLLO – Esses rótulos nunca deveriam ter existido, mas, infelizmente, ainda temos que enfrentar esses comentários e outras atitudes preconceituosas a cada dia. Fico feliz em poder servir de apoio a toda comunidade e mostrar que somos muito mais do que qualquer preconceito que possa existir.

JC – Este novo disco flerta mais diretamente com sua carreira internacional. E no último mês de junho, você se tornou a drag queen mais seguida do mundo. Te surpreende esse grande alcance mundial ou apenas é resultado de algo planejado na tua carreira?
PABLLO – Eu estou muito feliz com tudo o que tenho alcançado dentro do cenário pop. Sempre trabalho com muita dedicação, verdade e foco. Receber de volta o amor e carinho do público torna tudo ainda mais especial. Sou grata por eles estarem comigo em cada nova etapa da minha carreira, seja aqui no Brasil, seja por qualquer lugar do mundo.



JC – O que você pode adiantar sobre a segunda parte do disco 111? Temos data de lançamento?
PABLLO – A segunda parte sai em 2020. Humm, posso adiantar apenas que tudo está incrível e com boas surpresas.

JC – Recife é um lugar que sempre acolheu bem o teu trabalho. E seu show no Rec-Beat deste ano parou a cidade. Foi uma apresentação marcante para você?
PABLLO – Toda apresentação que faço no Nordeste é marcante e sempre tem um lugar especial no meu coração, assim como foi a do Rec-Beat. Estou ansiosa para esse novo show no Recife. Amo a energia de todas as manas recifenses.

JC – Com inspirações no Nordeste e Norte do País, teu som bebe das fontes do tecnobrega, do forró, e, porque não dizer, do bregafunk pernambucano atual, sem deixar de lado o glamour e as batidas do pop. Em pleno 2019, ainda é possível rotular de alguma forma a música que a Pabllo Vittar faz?
PABLLO – Sou nordestina e a influência desses ritmos tão envolventes não poderia ficar de fora do meu trabalho. Faz parte da minha história e também de tudo o que gosto de ouvir.

JC – Você agora tem status de artista global na sua gravadora. Em 2020, você circulará por grandes festivais internacionais. Qual a principal mensagem que você quer levar mundo afora?
PABLLO – Eu quero levar as minhas músicas para todos os lugares possíveis e mais do que isso, quero trazer debates, reflexões e mudar cenários.

JC – Graças a sua visibilidade, outras drags cantoras também estão conquistando o seu espaço na música. Como você enxerga a força deste cenário e quais artistas deste nicho ainda precisam ser ouvidas?
PABLLO – Quanto mais manas tiverem seu espaço, mais pluralidade teremos. Acho esse movimento importante, que começou antes de mim. A visibilidade e respeito são assuntos que precisam sempre serem discutidos e enfrentados.

SERVIÇO

Pabllo Vittar apresenta NPN Tour 2.0 – com Araketu, Eduarda Alves e DJs. Neste sábado (9), a partir das 22h, na Vittarland (Memorial Arcoverde, Av. Gov. Agamenon Magalhães, S/N, Olinda). Ingressos: Pista – R$ 50 (meia) e R$ 60 (social + 1 kg de alimento); Frontstage – R$ 90 (meia) e R$ 100 (social + 1 kg de alimento); Open Bar Premium – R$ 190, à venda no site Sympla e nas lojas Haus Beergarden e Lajetop (Galeria Joana D'Arc, Pina) e Loja Avesso (Av Rui Barbosa, Graças).




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