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Exposição

Exposição 'Energia dos Doidos' no Recife imerge na obra de Alceu Valença

Exposição sobre o cantor abre amanhã no MEPE

Publicado em 13/11/2019, às 11h00

Alceu Valença, imersão / Foto: Rose Pepe/Divulgação
Alceu Valença, imersão
Foto: Rose Pepe/Divulgação
JOSÉ TELES

Uma imersão em Alceu Valença e sua obra é o que propõe a exposição Energia dos Doidos, Motor da Imaginação, que abre amanhã, no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), nas Graças. A exposição abrange música, tecnologia, cinema, performances e poesia, com curadoria da designer paulista Rose Pepe. Um projeto que ela acalenta desde 1986: “A ideia surgiu quando tive contato com o disco Rubi, do Alceu. A partir daí, virei fã. Mas foi em 2015 que transformei a intenção em projeto. Apresentei para o Alceu em 2016 e, a partir daí, começamos a nos encontrar periodicamente para apresentar as concepções. Escolhi ele porque Alceu é um artista completo. Com um trabalho que tem uma estética lindíssima. Infinita. Seja na música, no cinema, no figurino. Tudo dele tem elementos pra serem transformados em diversas formas de arte”, explica Rose Pepe.

A Energia dos Doidos, Motor da Imaginação é um título que deixa margem a várias interpretações e a curadora trata de esclarecê-lo: “Foi extraído da música Leque Moleque, que, na minha opinião, sintetiza de forma muito autêntica e intensa quem é o Alceu. Que vive falando que ‘não cresceu, envelheceu’. Ele é movimento, energia e doidice. Por isso o título”. A estrofe de onde Rose pinçou o título diz: “É como um sonho, uma reza/um ato de solidão/a energia dos doidos/motor da imaginação”. Leque Moleque é uma parceria, de 1987, com Carlos Fernando.

Ao longo da organização da exposição, Rose Pete e sua equipe mantiveram encontros com Alceu Valença na casa dele: “Começamos a entrevistar Alceu para contar a história dele. E ele é um ótimo contador de história. A narrativa iria ser feita em cima da história oral, mas contada por alguém. Resolvemos deixar em primeira pessoa. Tudo foi feito com seu consentimento”, diz a curadora. As conversas com Alceu, narradas por ele próprio, podem sem escutadas pelos visitantes por QR code e também lidas no livro/catálogo que leva o título da exposição. São 143 páginas em que Alceu conta sua vida e trajetória artística na primeira pessoa. O livro será distribuído gratuitamente na abertura, porém teve tiragem limitada.



CONCEITO

A exposição foi realizada com recursos próprios, ressalta Rose Pepe que, no início, inscreveu o projeto em editais: “Tentei leis de incentivo, porque queria a exposição itinerante. Começaria no Recife, óbvio, porque Alceu é de Pernambuco, aqui está a maioria de sua família. Daí seguiria para outras cidades. Está sendo feito por minha conta porque vai servir como um portfólio, pra gente poder apresentar em outros lugares. Inscrevi o projeto também no Itaú Cultural, acho que em 2017, mas não foi aprovado, de repente porque eles já pretendiam fazer a coisa da ocupação Alceu Valença. Então a gente desenvolveu o projeto, apresentou ao Mepe e foi aprovado.

Rose Pepe resume o conceito da exposição: “Em algumas letras do Alceu, ele fala que querem tomar o menino que vive dentro dele. A própria Leque Moleque, que inspirou o título da mostra fala disso. Que ele não vai deixar arrancarem essa criança que mora dentro dele. Eu acho que ele gostou muito desse menino. Gostou muito da infância. A ideia é fazer as pessoas se conectarem com isso. A exposição está inusitada, alegre e brincante”, revela.

l Exposição A Energia dos Doidos, Motor da Imaginação – Abertura quinta-feira (14), 19h, no Museu do Estado (Avenida Rui Barbosa, 960, Graças)




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