Jornal do Commercio
Llivro

A história da banda mais importante do pop brasileiro

Banda de Milhões, livro de Tom Gomes, conta trajetória da Lee Jackson e da indústria do disco no País

Publicado em 10/01/2012, às 13h43

José Teles

O grupo Lee Jackson foi um dos vários nomes de uma fase curiosa da música brasileira: a dos falsos importados. Seu grande sucesso foi Hey girl, que frequentou as paradas nacionais também com os Fevers. A história da Lee Jackson é, por extensão, a história da indústria fonográfica brasileira, e latino-americana nos ultimos 30 anos. Ela é contada no livro Banda de milhões, de Tom Gomes.

O Lee Jackson, um nome escolhido aleatoriamente, não significava nada, sofreu mudanças até chegar a esta formação: Luiz Carlos Maluly, Marcos Maynard, Cláudio Condé, Marco Bissi e Sérgio Lopes. O que há de comum entre estes cinco músicos não é apenas o fato de terem participado da Lee Jackson. Todos eles desempenhariam um papel fundamental na história da indústria do disco no Brasil, e na América Latina de final dos anos 80 até hoje. Quase todos eles chegaram a presidentes de gravadoras, Polybram, Universal, EMI, Warner, Abril Music, no Brasil, América-Latina e EUA. Foram diretamente responsáveis por centenas de milhões de cópias vendidas de álbuns de nomes que vão de Roberto Carlos a Ricky Martin, passando pelo Pastoril do Véio Faceta e Restart.

A banda foi uma espécie de estágio onde os cinco aprenderam a conhecer um hit quando são apresentados a um. Ironicamente, o maior, e único sucesso internacional da Lee Jackson, Hey girl quase não entra no repertório do grupo. Assinada pelo ex-baterista da LJ, Felipe Dib, que musicou um poema de um amigo, Robert John Duncan: “...Mas eles queriam fazer coisa mais pesada...Percebi que naquele momento seria difícil convencer a banda gravar Hey girl...ficou de lado, para ser gravada u mdai, talvez,”lembra Dib. Finalnente gravada, Hey girl fez tanto suceso que teve até versão em português dos Fevers. Talvez a única música brasileira a figurar nas paradas em dois idiomas. O Lee Jackson estouro na América-Latina,  primeiro lugar na Argentina. Foi ao país como um importado verdadeiro da Inglaterra, com direito a fãs histéricas, e uma turnê com ingressos esgotados.



Esta foi a primeira investida no mercado musical feita por Manoel Poladian, um jovem advogado paulista, colega de colégio de Marco Maynard, que estreou na profissão como emresário da Lee Jackson. O grupo merece crédito, que nunca lhe foi dado, de criador do samba rock. Primeiro com uma inusitada parceria com Bill Halley, com o qual gravaram o álbum Bill Haley presents Lee Jackson - featuring Rock samba(1976), seguidos de Samba Rock e Samba rock 2 (respectivamente de 1976 e 1977). Manoel Poladian, que se tornaria o maior empresário de shows do Brasil, foi quem introduziu os primeiros integrantes do Lee Jackson nos bastidores da indústria do disco.

Amigo de André Midani, na época o mais poderoso executivo do ramo no país, ele indicou Claudio Condé e Marco Maynard para um cargo que surgiu na Phonogram (atual Universal Music). Maynard foi o escolhido. Condé entrou em seguida na Polygram, depois foi a vez de Sérgio Lopes, depois Marcos Bissi, e Luiz Carlos Maluly virou produtor. Não dava mais para seguri com a Lee Jackso. Em 1979, os cinco decidiram, por unanimidade, acabar o grupo. E fizeram isso, momento antes de participar de um programa de TV, no camarim. Os “Lee Jackson” tornaram-se executivos de gravadora, quando a indústria fonográfica brasileira chegava à idade adulta. Foram as pessoas certas no local certo. Eram jovens, com formação universitária, ambiciosos, ousados tinham estado do outro lado do balcão de negócios. Fábio Jr. Lady Zu, foram dois dos primeiros artistas que fizeram estourar.

Os Lee Jackson foram importanes não apenas no Brasil, ajudaram a crair carreiras de artistas no México, Colômbia, Venezuela, Estados Unidos. tanto incensaram cantores renomados mas que vendiam pouco como Maria Bethânia, quanto fizeram decolar novamente a carreira de Peter Frampton, quando Marco Maynard colocou Breaking all the rules, de Frampton num comercial dos cigaros Hollywod.



Comentários

Por Henrique Antunes Rodrigues,25/03/2018

Samba rock não! É rock samba! Materia muito confusa. Mistura muitas coisas.



Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Vida fit todo dia Vida fit todo dia
Apesar de a abertura do Verão no Brasil só acontecer em dezembro, no Nordeste há uma antecipação da data. Por esse motivo, que tal aproveitar esses meses de energia para cultivar bons hábitos e mudar o estilo de vida? Veja várias dicas de como se cuidar
BRT: E agora? BRT: E agora?
Ele está ferido, sofrido. Esquecido. E sem perspectivas de melhoria. Tem sobrevivido como é possível e, apenas pontualmente, esboça reações positivas. O sistema BRT, Bus Rapid Transit, tem sofrido de inanição em todo o País. E poderá se perder.
Especial educação Especial educação
E se você descobrisse que o futuro ligado às tendências que irão norteá-lo já chegou? O mundo hoje é um mar de oportunidades, para conhecimento, informação e inovação. Cada vez mais o profissional precisa evoluir. Por isso veja o caminho a seguir

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM