Jornal do Commercio
VERSÃO 3 D

Ainda vale ver Titanic. Agora em 3D

Nova tecnologia fez bem ao filme que terminou virando obsessão na vida de James Cameron

Publicado em 13/04/2012, às 08h42

 / Ernesto Barros

O cineasta canadense James "Eu sou o rei do mundo" Cameron está de volta aos cinemas brasileiros a partir desta sexta (13) com a esperada versão em 3D de Titanic (1997), um blockbuster que faturou US$ 1,8 bilhão e ganhou 11 Oscars. Há cerca de dois anos, quando lançou Avatar (2009), seu primeiro longa captado com câmeras 3D, Cameron havia criticado a conversão de filmes 2D para o processo estereoscópico. A lembrança do naufrágio do Titanic, que faz 100 anos sábado (14), mais os esforços da empresa Stereo D, responsável pela conversão do filme, obrigaram-no a mudar de opinião. Para Cameron, "o efeito 3D realça os momentos mais eletrizantes de Titanic e eleva a experiência para outro nível". Titanic e Avatar estão no topo da lista dos filmes mais vistos no mundo. Juntos, faturaram US$ 4,6 bilhões.



Os espectadores que assistiram ao filme na sua estreia vão se emocionar novamente com a história de amor impossível entre Rose (Kate Winslet) e Jack (Leonardo DiCaprio) e com o destino dos quase dois mil passageiros do Titanic, que naufragou no dia 14 de abril de 1912 quando atravessava o Atlântico Norte em direção à Nova Iorque. Para aqueles que só o conhecem da tela pequena, a emoção será em dobro. Além da cativante e trágica história de amor, terá um envolvimento ainda maior por causa do 3D, que funciona bem nas cenas mais marcantes envolvendo Rose e Jack, como também no aspecto mais realçado da fotografia, agora com um brilho muito maior que a versão em 35mm exibida nos cinemas há 15 anos.

Na verdade, o maior desafio vencido por Titanic nesta reestreia foi não aparecer datado em função dos efeitos digitais da época de sua produção. Ao contrário, a segunda parte do filme, que acompanha o paulatino afundamento do transatlântico, ainda é um primor de realização técnica. O som, por exemplo, é um capítulo à parte. Poucos filmes conseguiram transmitir o pavor de um desastre. A utilização dos sons emitidos pela estrutura do Titanic, que parece uivar de dor com seus estalos ensurdecedores, é o maior responsável por deixar os nervos dos espectadores em frangalhos. Para quem acompanhava a carreira de James Cameron, principalmente seus longas de ficção científica, como Aliens, o resgate (Aliens, 1986) e O exterminador do futuro 2: o julgamento final (Terminator 2: judgement day, 1991), não foi nenhuma surpresa confirmar a habilidade técnica do cineasta.




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