Jornal do Commercio
Disco

Zé Ramalho reflete sobre o tempo em novo CD

Sinais dos tempos é o primeiro CD de inédtas em cinco anos

Publicado em 29/06/2012, às 06h00

José Teles

Quando lançou o disco Zé Ramalho canta Beatles (Discobertas, 2011), o trovador paraibano confessou que não pensava mais em gravar álbum de inéditas, sobretudo pela voracidade da pirataria.
Mas se sabia que, inevitavelmente, cedo ou tarde, ele descumpriria a palavra, pois na mesma época confirmou que continuava compondo. Esta semana Zé Ramalho trouxe à tona parte de sua produção inédita, em Sinais dos tempos, álbum que inaugura o selo Avohai Discos, criado depois de entrar e sair de gravadoras. Como faz há 15 anos, gravou com Robertinho do Recife. Conheceram-se na capital pernambucano nos anos 70, Zé Ramalho aind tinha que o "da Paraíba" no nome.

Nos últimos cinco anos, Zé Ramalho cantou tributos aos seus ídolos: Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Bob Dylan, The Beatles, Raul Seixas. Em Sinais dos tempos, ele confirma que não perdeu o talento para criar canções melodiosas, cujas letras podem ir do confessional, ao enigmático, com influências dos ídolos do começo da carreira. A faixa que abre o disco é uma reflexão sobre o tempo, de um artista que, aos 63 anos, é família demais, basta conferir o site oficial, farto em fotos dele com filhos, netos, noras, genros. As duas canções seguintes seguem a mesma temática, Sinais e Lembranças do primeiro: “Depois que passei dos 60, parece que os anos estão correndo. O tempo vai mais ligeiro e isso me lembra muito a canção dos Rolling Stones Time is on my side. Me vejo num mundo louco, rápido e cruel e tendo que me inspirar nele para fazer minha obra de arte. Os fãs vinham cobrando um disco autoral, mas passei os últimos cinco anos refletindo sobre mudanças que ocorreram e fazendo músicas aos poucos. Sinais é uma que fala sobre isso. Teve um momento em que chorei durante a gravação da voz, lembrando de várias coisas. Espero que consiga passar essa emoção para as pessoas”, comenta,menta Zé Ramalho, em texto distribuído com o disco.



Em Sinais dos tempos há momentos em que ele lembra o Zé Ramalho ode 1978, como acontece Portal dos destinos, c com métrica de repente, letra cheia de simbolismos, e sons psicodélicos indianos;
Mas a canção mais emblemática do álbum, é Noite branca. O álbum de estreia do paraibano é fechado com Noite preta (com Alceu Valença e Lula Côrtes). Noite branca tem levada de Frevo mulher, e abre com a introdução de Venus, do Shocking blues, que Zé Ramalho tocou muito nos seus tempos de bailinhos. Um belo arroubo de nostalgia, sem pieguice.





Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Vida fit todo dia Vida fit todo dia
Apesar de a abertura do Verão no Brasil só acontecer em dezembro, no Nordeste há uma antecipação da data. Por esse motivo, que tal aproveitar esses meses de energia para cultivar bons hábitos e mudar o estilo de vida? Veja várias dicas de como se cuidar
BRT: E agora? BRT: E agora?
Ele está ferido, sofrido. Esquecido. E sem perspectivas de melhoria. Tem sobrevivido como é possível e, apenas pontualmente, esboça reações positivas. O sistema BRT, Bus Rapid Transit, tem sofrido de inanição em todo o País. E poderá se perder.
Especial educação Especial educação
E se você descobrisse que o futuro ligado às tendências que irão norteá-lo já chegou? O mundo hoje é um mar de oportunidades, para conhecimento, informação e inovação. Cada vez mais o profissional precisa evoluir. Por isso veja o caminho a seguir

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM