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Biografia

Rod Stewart sua vida é, literalmente, um livro aberto

Cantor conta em detalhes bastidores do rock and roll

Publicado em 26/12/2012, às 10h41

José Teles

“O Rock in Rio foi no geral um dos mais maravilhosamente organizados e extravagantemente maluco festival no qual já cantei. Voamos com medo de encontrar o caos, mas não poderíamos estar mais errados”, Assim Rod Stewart relembra em sua recém-lançada autobiografia a primeira edição do Rock in Rio, em 1985, quando ele foi uma das principais estrelas. O festival para os roqueiros estrangeiros, pelo que conta Stewart, foi uma farra só. Depois dos show a farra ia até o dia claro: “Cocaína era comprada a mais ou menos quatro pence uma jarra (sic). A única marca desfavorável pra este período todo, foi que depois de nossa segunda apresentação, de volta ao hotel, encaramos a Go-Go’s o grupo feminino de Berlind Carlisle numa competição de cheiração de pó. Foi um erro tático do qual alguém poderia no ter alertado. Aquelas moças cheiraram o tampo de uma inteira. Perdemos,feio”.
Em Rod: an autobiograpy, o cantor comenta episódios importantes de sua carreira acontecidos no Brasil. Um deles foi o processo de plágio que enfrentou por ter usado o refrão de Taj Mahal, de Jorge Ben Jor, no seu maior sucesso Da ya think i’m sexy?, “Nunca se tem uma ideia de como uma canção será recebida e que trajeto fará. Mas isto de imediato ficou claro quando Da ya think i’m sexy foi lançada, porque um horror de pessoas adoraram a música. Vendeu mais de dois milhões de cópias na América, meio milhão na Inglaterra, e foi hit mundo afora...”, comenta Rod Stewart sobre o imenso sucesso da canção que até hoje é bem tocada no rádio.
Uma canção problemática. Primeiro porque, segundo conta, a maioria das pessoas prestam atenção no refrão (Você acha que sou sexy?), e não na letra como um todo. Ela é uma história cantada na terceira pessoa, só o refrão é na primeira. Stewart passou a receber cartas (numa época em que não havia e-mails) do mundo inteiro. E grande parte de rapazes concordando que sim, ele era sexy.
Depois veio o processo. O refrão da canção do cantor inglês (sempre confundido com escocês) e o “tete/tete/rete/tete/tete/rete’, de Taj Mahal tem a mesma melodia: “Certo. Tive que dar a mão à palmatória. Mas claro que não cheguei assim no estúdio e falei: ‘Vamos usar a melodia de Taj Mahal no refrão e azar. O compositor mora no Brasil, então nunca descobrirá’. Só que eu tinha ido pro carnaval do Rio, em 1978, com Elton John e Freddie Mercury . E lá duas coisas significativas me aconteceram: fiquei a fim de uma estrela do cinema brasileira, lésbica, que não deixava me aproximar dela. Depois, Taj Mahal de Ben Jor tocava o tempo inteiro, foi relançada naquele ano, e obviamente a melodia alojou-se na minha memória, e emergiu quando comecei fazer a musica. Puro e simples plágio inconsciente. Abri mão dos royalties, me perguntando se Da ya think i’m sexy era meio amaldiçoada”.
As passagens de Rod Stewart pelo Brasil ganham boa parte de capítulos da autobiografia. Uma destas foi a apresentação na praia de Copacabana, no réveillon de 1994, visto por um público estimado de 3,5 milhões de pessoas: “Antes do show? Tive diarreia. Mas não diarreia por medo, mas por causa de alguma coisa que comi. O show esta marcado para a meia-noite, e até10h30 da noite, eu não conseguia sair da cama. Um medico me aplicou uma injeção e aí realmente me bateu um cagaço. Mas ficou tudo legal e bateu a maior energia para me apresentar”. Anos depois, Ronnie Wood, o maior amigo de Rod Stewart questionava o recorde deste show de réveillon. Alegava que os Rolling Stones é que mereciam estar no Guiness (com cerca de 2 milhões de pessoas na mesma praia, num show aberto ao publico em 2006). Rod Stewart tocou na virada do ano quando a praia de estaria cheia de gente de qualquer maneira. Enquanto a plateia dos Stones esteve ali apenas pelo concerto”.
EXCESSOS
Roderick David Stewart não é escocês, como muita gente imagina, bem como, ele garante, nunca trabalhou como coveiro, algo que está sempre em perfis que escrevem sobre ele). Nasceu em 1945, em Londres. filho de um encanador, nascido na Escócia, e de uma dona de casa. O trajeto percorrido do subúrbio classe baixa londrino até as mansões que hoje mantém em ambos lados do Atlântico, prêmio Grammy, entrou para o seleto Rock and Roll Hall of Fame, e ainda fez jus ao título honorífico de CBE, iniciais para Commander of the British Empire. O bem-humorado roqueiro conta sua história pontuando-a como nos romances de aventura ingleses do século 18. Um dos capítulos antes de iniciá-lo, uma dica do que virá: “No qual nosso herói, sem poupar detalhes, discute sobre o cabelo dele”. E no primeiro parágrafo: “O que tenho em comum com a rainha: ambos conservamos o mesmo corte de cabelo pelo último 40 anos. Ora, se você encontra alguma coisa que dê certo pra você...” A seguir conta como ele e Ronnie Wood passavam horas diante do espelho para deixar os cabelos exatamente como usam até hoje.
“Onde nosso herói tem um encontro para mudar sua vida numa estação de trem, é quase asfixiado no banco traseiro de uma van e tem suas primeiras experiências com calças xadrez.”. O Encontro foi com uma figura seminal do jazz e blue da Inglaterra John Long Baldry. Este encontro do suburbano de 16 anos com elegante Baldry seria o começo da estrada, que o levaria do subúrbio para uma mansão de 35 cômodos, nos arredores de Londres, que já pertencera ao primeiro ministro Sir Winston Churchill. John Long Baldry colocou Rod Stewart no epicentro do furacão colocaria a Inglaterra na vanguarda da cultura pop dos anos 60. E as mudanças vão sendo narradas como fatos se fosse fatos absolutamente triviais. Ele saia com uma moça chamada Sue Buffey, que tinha uma amiga chamada Chris, cujo namorado era vocalista de uma banda que estava começando: “O sobrenome de Chris era Shrimpton, e o namorado dela se chamava Mick Jagger, e o grupo dele era chamado The Rolling Stones”.
Ele passou pelo Steampacket, e pelo Blues Incorporated, de Alexi Korner: “Uma noite quem abriu a noite foi uma banda chamada Jeff Beck and the Tridents. O que mostra como tudo era estreito naquele tempo. Quase todo mundo que seria importante mais tarde se encontrava nos mesmos lugares”. Os acontecimentos sucede-se rapidamente. Em 1968, Rod Stewart era o vocalista da Jeff Beck Group, cujo baixista era Ronnie Wood. Jeff Beck não era muito bom compositor, e a tarefa ficou com Stewart e Wood. Os dois passaram uma tarde inteira, sem escrever uma linha. Depois que entornaram uma garrafa de vinho olharam um para o outro e concordaram: “Os Beatles não tinha nada a temer deles”. Mesmo assim no mesmo ano gravaram, com o Jeff Beck Group, o clássico Truth, um disco basicamente de covers.
O grupo debandou-se no final dos anos 60. Estava em turnê pelos EUA em 1969, quando Jeff Beck foi avisado, por telefone, que sua mulher na Inglaterra o estava traindo com o jardineiro. O temperamental guitarrista não pensou duas vezes. Pegou o primeiro avião para Londres, indiferente ao Jeff Beck Group ter ainda um compromisso nos Estados Unidos, tocar num festival no estado de Nova Iorque: “O nome do festival no qual não tocamos: Woodstock. Mas tudo bem, festival é tudo igual. No entanto, sinto bem em não ter tocado em Woodstock. Woodstock fez a fama de muita gente, mas ao mesmo tempo é que se os transformasse em pedra. Ficou difícil escapar da imagem que se faz de um cara que tocou em Woodstock”.
“Onde nosso herói finalmente desenrola e lança uns discos bem legais, e com toda hombridade suporta as intempéries das tormentas advindas adulação e do dinheiro...”. Entre 1969 e 1974, Rod Stewart gravou alguns dos melhores álbuns do rock inglês, com clássico do porte de |Maggie Mae ou Mandolim Wind. Em pouco tempo estaria dividido entre a carreira solo The Faces (formado por parte dos integrantes da Small Faces), um dos grupos mais malucos daquela época, cujos discos não fazem jus ao que aprontava no palco. O primeiro grupo a ter um bar montado no palco. Mas não era só de álcool, como conta Rod Stewart: “Eu não tinha provado cocaína antes dos Faces, porém na turnê com eles pela América tornou-se fácil de conseguir, e todos nós gostávamos. Pegava-se fumo na banda, mas eu não, com medo de estragar a voz. Até mascava, muito mais para ser sociável. Coca me pareceu uma ideia melhor”. Ele conta que havia coca espalhada por todos os cantos no palco enquanto os Faces se apresentavam: da flor na lapela do tecladista, adubada com pó, até “paradas” estrategicamente colocadas nos amplificadores. O consumo do Faces chegou a um ponto, em que Rod Stewart conta que ele e Ronnie Wood passaram a tomar supositórios de cocaína.
Nos anos 80, ele se tornou o estereótipo de um talento estragado por todos os tipos de excessos que o dinheiro permite. Vários casamentos, muitos filhos, enquanto a criatividade vai se tornando inversamente proporcional à fortuna, até que passa a viver do passado. Rod Stewart só voltaria a vender muito disco, com a serie de álbuns com standards da música americana (mais ou menos, o equivalente às Aquarelas de Emílio Santiago). O primeiro ...The great american songbook deu a Rod Stewart um Disco de Platina na Inglaterra, e um Disco Duplo de Platina nos EUA, com vendas de cinco milhões de cópias. A série já vendeu 22 milhões de CDs. Indicado várias vezes ao Grammy, o cantor só ganhou um com seu disco esnobado pela crítica. No epílogo do livro, ele confessa que teme mais o final da carreira do que ficar velho.

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