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Disco

Hyldon em canções que enaltecem os valores básico da vida

Cantor surgiu em 1975 com Na Rua na Chuva e Na Fazenda

Publicado em 30/12/2016, às 10h41

Hyldon, celebrando o simples / foto: divulgação/Daryan Dornelles
Hyldon, celebrando o simples
foto: divulgação/Daryan Dornelles
JOSÉ TELES

O baiano Hyldon estava com uns 17 anos, quando lhe surgiu o primeiro rascunho de uma canção. Começou a pensar nela na praia, deu-lhe forma com uma sequência de acordes. Mais tarde, em Itaipava, nos arredores de Petrópolis, num dia chuvoso, fez uma associação entre um coreto numa praça e uma casa de sapê. A ideia da música foi sendo maturada, e até que pegou um violão e Na Rua, na Chuva, Na Fazenda (Casinha de Sapê) veio prontinha, em questão de minutos. Lançada em 1975, num compacto duplo, a música estourou rapidamente, foi um dos maiores sucessos do ano.

 Hyldon sairia da Polydor depois do segundo álbum. Bateu de frente com os executivos da multinacional, ao se recusar a gravar canções que pretendiam lhe impor.

Em tempo de gravadora poderosa, ele sofreu as inevitáveis sanções, mas continuou em frente, e lançou disco novo, As Coisas Simples da Vida, o 12º título de sua discografia (contando com uma regravação, em 2015, de Na Rua na Chuva e Na Fazenda, em versão voz e violão, para não deixar passar em branco os 40 anos do álbum).

São dez faixas autorais, assinadas sozinho, ou com os parceiros Cris Delanno, Alex Moreira, Luiz Otávio e Alex Malheiros: “Comecei a fazer disco com uma música, composta com um parceiro novo, Luiz Otávio, um cara que toca muito, é musico de jazz, está na minha banda, mas tem um trabalho solo. A minha ideia era lançar uma música só, já que na internet a moda é essa. Mas não consegui. Eu sou da antiga, gosto do álbum, que parem para ouvir o disco. Então decidi fazer um disco de baladas, só com música lentas. No decorrer do processo, senti falta de musicas mais suingada que também é minha praia”, explica o cantor, que tem experiência nos dois estilos. com a autoridade de quem tocou com os sultões do suingue brasileiro, Tim Maia e Wilson Simonal.

O título explica o conteúdo do disco, canções que giram em torno da revalorização de valores básicos e triviais: “O mundo está de pernas pro ar. As pessoas estão valorizando muito poder, dinheiro, ascensão social, esquecem as coisas simples, que podem dar prazer também,a amizade, um abraço do amigo, a família, mesmo com aquele cunhado chato. São as pequenas coisas que o dinheiro não compra”.



Nascido em Salvador (em 1951), Hyldon cresceu em Nosso Senhor do Bonfim, no sertão da Bahia: “Lá em casa não havia rádio, mas tinha um serviço de alto faltante. Minha formação era de música pernambucana, a cidade fica mais perto de Pernambuco. A gente dançava muito frevo, maracatu, banda de pífanos, muito Luiz Gonzaga, muito. Acho que vi Luiz Gonzaga tocar na feira de lá. Minha influencia de música é muito mais pernambucana, mais do que a baiana”, revela.

Adolescente foi morar no Rio, onde morava o primo Pedrinho, que tocava nos Fevers. Já tocava violão, e ganhou dele uma guitarra. Um dia foi convidado a participar de uma gravação, em lugar de Almir, dos Fevers, que não pode ir. Começaria assim sua carreira como músico de estúdio. Passaria a produtor. Assinou discos de Odair José, Maurício Reis, e trabalhou na direção musical de nomes como Wanderléa e Erasmo Carlos: “Quando me caminhavam pra produzir um show, eu chamava o Azimuth. Foi assim quando Erasmo foi fazer uma temporada na argentina, pediu pra montar um grupo pra ele. eu chamei o Azimuth, que participou também dos meus shows”.

O trabalho de estúdio, a convivência com artistas e intelectuais no mítico Solar da Fossa, em Botafogo (que tinha entre os inquilinos Paulo Diniz e Naná Vasconcelos) o levou a amizade com o nascente soul brasileiro. tocou com Os Diagonais, o grupo de Cassiano (mas não foi integrante da banda), e Tim Maia, de quem se tornou amigo e guitarrista: “Me tratava como um afilhado, me dava conselhos, dava canja em meus shows, foi meu parceirão. O filme sobre ele, achei um horror. Muita coisa errada. Tim nunca teve Camaro amarelo, nunca morou no estúdio Seroma. Nelson Motta também tem informações desencontradas. Quando morei na Barra, ainda deserta, Raul Seixas era meu vizinho, Tim vivia lá em casa, dormia lá.”. 

Hyldon está escrevendo uma autobiografia, mas de acordo com a agenda de shows, que volta a ficar mais ocupada, com o novo disco, que considera um dos mais radiofônicos que já fez: “Fiquei um ano e meio internado no estúdio, caprichei na hora de botar voz, dei o melhor de mim, acho que isso é o que tenho que fazer. Se me chamarem pra ir divulgar, eu vou. Não vou é pagar pra tocar minha música. Já pago preço muito grande pra expor minha alma, por que pagar pra tocar uma musica feita com coração, com amor? Deixa a questão no ar

 

 




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