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Príncipe Harry processa jornal por publicação de carta privada

O tabloide britânico Mail on Sunday será processado pelo príncipe Harry por publicação de carta de Meghan Markle, sua esposa, ao pai

Publicado em 02/10/2019, às 09h23

Casal real se diz perseguido por imprensa britânica / Foto: Michele Spatari / AFP
Casal real se diz perseguido por imprensa britânica
Foto: Michele Spatari / AFP
AFP

O príncipe Harry, neto da rainha Elizabeth II, anunciou um processo contra o tabloide britânico Mail on Sunday, que segundo ele trata sua esposa Meghan Markle "sem piedade", como fazia com sua mãe, a princesa Diana.

O tabloide publicou em fevereiro uma carta pessoal de Meghan – duquesa de Sussex desde seu casamento com Harry em maio de 2018 – no qual a ex-atriz americana pedia a seu pai, Thomas Markle, que mora no México e com quem mantém uma relação distante, que parasse de mentir.

Em um comunicado divulgado na terça-feira à noite, o duque de Sussex informa que o casal vai adotar ações legais porque a carta particular foi "publicada ilegalmente, de maneira intencionalmente destrutiva".

Histórico de perseguição

Harry, 35 anos, afirma que sua esposa está sendo perseguida pela imprensa, assim como sua mãe, a princesa Diana de Gales, que faleceu em 1997 em um acidente de carro em Paris quando era perseguida por um grupo de paparazzi.

"Meu maior medo é que a história se repita", afirma Harry no comunicado. "Perdi minha mãe e agora vejo minha esposa sendo vítima das mesmas forças poderosas".

Em uma mensagem aos leitores do jornal, Harry destacou que o artigo "enganou vocês de propósito ao omitir estrategicamente parágrafos selecionados, frases específicas e até algumas palavras para esconder as mentiras que perpetuam há um ano".

"Infelizmente, minha esposa se tornou uma das mais recentes vítimas de um tabloide britânico que faz campanhas contra indivíduos sem pensar nas consequências - uma campanha implacável que se intensificou ao longo do último ano, durante a gravidez e a criação de nosso filho recém-nascido", afirmou o duque de Sussex.

"Esta propaganda implacável tem um custo humano", destacou.

Um porta-voz do Mail on Sunday afirmou que o jornal defende e mantém o que publicou: "Negamos categoricamente que a carta da duquesa tenha sido editada de maneira a mudar seu significado".

Roy Greenslade, analista de mídia, disse que o casal pode vencer o julgamento "por violação de direitos autorais". Mas alertou que é arriscado atacar toda a imprensa pelas ações de um meio de comunicação.



"A imprensa, em particular a imprensa sensacionalista, é menos poderosa agora do que durante a época de sua mãe e provavelmente menos poderosa do que nunca", declarou à rádio BBC.

Harry e Meghan, vistos como um casal moderno que deseja escapar das convenções reais, estão atualmente na África, onde nesta quarta-feira devem encerrar uma viagem de 10 dias acompanhados pelo filho Archie, de quase cinco meses.

Após o casamento, a imprensa britânica recebeu Meghan muito bem, destacando sua espontaneidade e simplicidade, com elogios a sua defesa das mulheres e ações de caridade com imigrantes.

Mas a ex-atriz, 38 anos, virou alvo de críticas por seu suposto comportamento difícil após uma série de demissões entre os funcionários da casa real, a ponto de receber o apelido de "duquesa caprichosa".

Meghan, que tem entre seus ancestrais escravos que trabalharam nas plantações de algodão da Geórgia, também foi alvo de ataques nas redes sociais por suas raízes afro-americanas. 

Há alguns meses, o ator americano George Clooney, amigo da duquesa de Sussex, afirmou que ela estava sendo "vilipendiada e perseguida" pela imprensa, assim como aconteceu com a princesa Diana.

"Não acredito que as duas (situações) sejam comparáveis", disse à AFP Penny Junor, especialista em família real britânica.

Após a morte de Lady Di, a imprensa britânica revisou seu código de conduta, cujo respeito é garantido por um órgão independente, e reforçou as regras sobre assédio e respeito à privacidade.

Isto permitiu acabar com os "piores excessos, quando os paparazzi tomavam muito mais liberdades", afirma Junor.




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