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Expectativas

Emprego nos EUA encosta no nível pré-crise

A taxa de desemprego fechou o ano em 5,6%

Publicado em 09/01/2015, às 20h46

Folhapress

A criação de vagas de trabalho nos EUA voltou a superar as expectativas do mercado em dezembro, levando o índice de desemprego no país a se aproximar dos níveis pré-crise econômica de 2008. A renda dos trabalhadores, porém, teve queda no período.


De acordo com dados do Departamento do Trabalho, foram criados 252 mil postos no período, acima da previsão de analistas, de 240 mil. A taxa de desemprego fechou o ano em 5,6%, índice igual ao de junho de 2008, período em que a maior economia global estava em recessão.

Foi a melhor taxa para o encerramento anual desde 2007, quando ficou em 5%. O índice atingiu o pico em outubro de 2009, em 10%.

"A boa notícia é que em 2014 as pessoas estavam cada vez mais encontrando emprego. A má notícia é que ainda estamos saindo da recessão, e o crescimento da renda continua estagnado e intocado pela recuperação [econômica]", disse Elise Gould, do Economic Policy Institute.

Em 12 meses, foram criadas 2,95 milhões de vagas, o maior número desde 1999, quando a geração de postos ultrapassou os 3 milhões.

É preciso considerar, no entanto, o crescimento da população norte-americana, que passou de 280 milhões para cerca de 320 milhões no período. Em 1999, o desemprego nos EUA era de 4%.

A queda na taxa em dezembro também ocorreu devido à saída de pessoas do mercado. No mês passado, mais americanos decidiram parar de procurar emprego, reduzindo a taxa de participação na força de trabalho para 62,7% -a menor em 36 anos.



Nos anos anteriores à crise, a taxa estava perto de 66%.

RENDA

Apesar do cenário positivo para o emprego, a renda dos trabalhadores teve redução em dezembro. O salário médio teve queda 0,2% no mês passado. No ano, a renda média avançou 1,7% -pouco acima da inflação ao consumidor no período, de 1,3%.

"Não podemos considerar o relatório de emprego um sucesso, não importa o quão boa seja a chamada, se os dados de renda não começarem a acelerar, afirmou Dan Greenhaus, estrategista-chefe do BTIG, em nota.

"Quando eu vi os dados, a imagem que me veio à cabeça foi a máscara de tragédia e comédia que vemos nos teatros, uma sorrindo e a outra chorando", afirmou Patrick O'Keefe, da consultoria CohnReznick.

Os dados desta sexta geraram controvérsia no mercado sobre o efeito que podem ter na avaliação do Fed (BC dos EUA) na hora de decidir quando iniciar um novo ciclo de elevação dos juros básicos no país. A taxa opera perto de zero desde 2008.

Embora a taxa de desemprego já se aproxime do considerado normal pela presidente do Fed, Janet Yellen (entre 5,2% e 5,5%), a renda ainda está longe do crescimento ideal para sustentar o avanço robusto do PIB.

O mercado espera a alta dos juros para o fim do primeiro semestre.




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