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CRIME

Esquema de pirâmide usa moeda digital e faz vítimas em Pernambuco

Adsply arrecadou, no mínimo, R$ 3,3 milhões de investidores no Estado

Publicado em 25/11/2017, às 07h15

Nesta semana, o grupo que se apresenta como responsável pela plataforma decidiu encerrar as atividades / Imagem: Reprodução
Nesta semana, o grupo que se apresenta como responsável pela plataforma decidiu encerrar as atividades
Imagem: Reprodução
Da editoria de Economia

Um esquema de pirâmide financeira voltou a fazer inúmeras vítimas em Pernambuco. Há cerca de seis meses, a empresa Adsply oferecia aos novos associados rendimentos diários sobre o valor inicialmente investido, que variava em cotas de US$ 50 a US$ 1.800. Embora não haja confirmação oficial, a empresa divulgava que o número de investidores no Estado chegava a 20 mil. O prejuízo mínimo por aqui, portanto, é calculado em R$ 3,3 milhões.

O lucro gerado pelo investimento era acumulado por meio de uma moeda digital própria, a Adscoin. Nesta semana, o grupo que se apresenta como responsável pela plataforma decidiu encerrar as atividades, deixando quem aplicou o dinheiro apenas com a promessa de ressarcimento. Agora, a Polícia Civil de Pernambuco, que investiga a atuação da empresa, espera que mais pessoas prejudicadas denunciem o esquema e procurem a delegacia contra crimes de estelionato. Segundo a corporação, ainda não é possível afirmar quantas pessoas foram vítimas da pirâmide no Estado. O primeiro boletim de ocorrência contra a Adsply foi registrado em Pernambuco no dia 25 de outubro.

A empresa afirma ter sede em Singapura e investidores em pelo menos 20 países, mas possui atualmente apenas a conta “Adsply Brazil” no YouTube, por exemplo.

À frente das investigações no Brasil está a Polícia Civil de Minas Gerais, onde um dos sócios da empresa, Renan Batista, 27 anos, teria sido sequestrado e o resgate milionário, pago em bitcoins (outro tipo de moeda digital, reconhecida em diversos países). A suspeita, no entanto, é de que o crime tenha sido forjado.



Desde o episódio, ocorrido no início de outubro, a empresa parou de fazer os pagamentos dos rendimentos mensais e os investidores passaram a ter dificuldade para entrar em contato com os responsáveis e receber retorno de reclamações. Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, investigações correm em outros Estados além de Pernambuco e Minas Gerais e mais detalhes não devem ser divulgados por enquanto para não prejudicar o andamento da apuração do caso.

Em um comunicado publicado no site, a empresa afirma que o sequestro “comprometeu severamente as atividades na localidade (no Brasil), principalmente em razão das diversas reivindicações e denúncias feitas”. O texto traz, ainda, um cronograma de ressarcimento dividido em cinco períodos. O Brasil foi colocado no último grupo, referente a 1º a 30 de março.

BANCO CENTRAL

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, disse ontem que a instituição vai coibir ilícitos e bolhas no mercado de moedas virtuais. Ele ponderou, contudo, que as tecnologias empregadas nas transações dessas moedas poderão ser utilizadas para outras finalidades no sistema financeiro tradicional.

Goldfajn lembrou que, na semana passada, o BC alertou em comunicado que essas moedas não são reguladas e que os ilícitos cometidos por vários instrumentos, inclusive bitcoins, estão sujeitos a punições. Outros países, como Japão, Rússia e Estados Unidos estão indo na direção contrária, procurando aproximar as moedas virtuais do mercado regulamentado.




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