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PETRÓLEO

Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, entra na fila de privatizações

Petrobras apresenta proposta para vender 25% de sua capacidade de refino no País, incluindo 60% do controle da Rnest, em Ipojuca

Publicado em 20/04/2018, às 06h08

Estrutura erguida no Complexo Industrial de Suape tem um que explodiu de US$ 2,3 bilhões para US$ 20,1 bilhões / Foto: Heudes Régis/ JC Imagem
Estrutura erguida no Complexo Industrial de Suape tem um que explodiu de US$ 2,3 bilhões para US$ 20,1 bilhões
Foto: Heudes Régis/ JC Imagem
LUIZA FREITAS

A Refinaria Abreu e Lima (Rnest), a mais cara do mundo, vai ser posta à venda. A pernambucana está entre os ativos listados pela Petrobras em seu plano de parcerias, cujo objetivo é vender o controle acionário de refinarias do Nordeste e Sul do País e capitalizar a estatal, que acumulou uma dívida líquida de US$ 84 bilhões em 2017. A estrutura erguida no Complexo Industrial de Suape, no entanto, tem um histórico de revezes: um orçamento que explodiu de US$ 2,3 bilhões para US$ 20,1 bilhões e uma obra inacabada que se arrasta por mais de dez anos; consequências de escândalos de corrupção.

A proposta apresentada ontem divide a venda de ativos em dois blocos. O primeiro é formado pela Rnest e a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia. O segundo, pela Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. Com a venda dessas quatro unidades e seus respectivos terminais logísticos, a estatal concentraria as operações no Sudeste e ainda manteria o controle sobre 75% do mercado de refino do País.

“A previsão é de que leve de nove a doze meses até a assinatura do contrato com as empresas e a submissão ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”, afirma o gerente geral de reestruturação de refino, comercialização e transporte da Petrobras, Arlindo Moreira. A expectativa da empresa é que em até quatro semanas o modelo seja aprovado e, a partir de então, seja iniciadas as tramitações exigidas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O projeto inclui uma observação sobre a Rnest: a conclusão da obra ficaria sob responsabilidade da controladora majoritária. De acordo com a Petrobras, o segundo trem de refino está 85% concluído. Para Moreira, apesar da necessidade de aplicação de capital para a conclusão da obra, o empreendimento, que é o mais moderno do País, ainda seria um investimento atraente.

Projetada para processar 230 mil barris de petróleo por dia (bpd), a refinaria hoje só produz 100 mil bpd. Além de só o primeiro trem estar concluído, sua capacidade está limitada pela instalação incompleta de equipamentos exigidos para reduzir a emissão de gases poluentes. Segundo o gerente geral de reestruturação, essa etapa deve ser concluída ainda este ano.



MONOPÓLIO

Mas produção aquém da capacidade não é exclusividade do empreendimento pernambucano. Sua parceira no bloco à venda, a Rlam, passou por uma ampliação concluída em 2010. “Hoje a refinaria atua com apenas 51% de sua capacidade. A redução da produção aumenta o custo por unidade produzida, então não dá para entender a lógica dessa redução. Qualquer empresa no mundo teria interesse em manter o próprio monopólio, só a Petrobras que está na direção contrária”, critica o presidente do Sindicado dos Petroleiros da Bahia (Sindpetro-BA), Deyvid Bacelar. A refinaria baiana é a segunda maior do País e foi a primeira construída no Brasil, em 1950, anterior até mesmo à própria Petrobras.

“Sem concorrência e parceiros privados, a Petrobras não teve disciplina de mercado suficiente para evitar os enormes erros de planejamento. Em certo momento, a Petrobras se comprometeu a fazer quatro refinarias ao mesmo tempo, e uma, a Rnest, em parceria com a problemática PDVSA, da Venezuela. Além disso, decidiu por um plano de aceleração que tinha objetivo político e resultou em aumento de custos e mais corrupção”, resume o professor da Asia School of Business (Malásia) e doutor e pesquisador do MIT (EUA), Renato Lima.

Para o professor do Instituto de Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmar de Almeida, o plano é uma alternativa ao déficit de refino que o País enfrenta, já que a capacidade das refinarias não acompanha a extração. Como resultado, o País precisa importar derivados de petróleo brasileiro refinados lá fora.

“Vamos ter que fazer uma escolha cara. Ou continuamos com um monopólio e obrigamos a Petrobras, que não tem dinheiro, a investir, ou abrimos para empresas privadas, que vão pagar o preço de mercado, e não o que as refinarias custaram de fato ao governo”, pondera Almeida.

 



Comentários

Por Incrédu,02/09/2018

O comentário do Helder Caires é inacreditável. O cara está colocando a conta de toda desgraça da roubalheira, causada por gestores corruptos e incompetentes, nomeados por políticos tão corruptos quanto, estes a serviço, aliás, das grandes multinacionais que são as mais corruptas, pois são as que cometem corrupção ativa (ou seja, são quem oferecem os benefícios impróprios aos agentes públicos), como o colega citou acima, nos funcionários da Estatal? O problema é o funcionário que trabalha pouco, já que não tem o compromisso que teria caso fosse "cobrado" por um patrão estrangeiro, enquanto enriquece com isso e o povo permanece pobre. Então em caso de privatização os lucros seriam distribuídos para a população? O brasileiro é alienado mesmo.

Por Helder Caires,21/04/2018

A ÚNICA saída para o Brasil é privatizar tudo que puder ser privatizado. Enquanto milhares de "trabalhadores" brasileiros receberem seus salários nas estatais, sem obrigação de gerar produtividade, continuaremos sendo um país rico de povo pobre. Não se trata de colocar partidos políticos no assunto, já que todos roubam. Precisamos pensar mais no Brasil e menos em partidos políticos.

Por aldir,20/04/2018

o que? privatização da Telefonia??? Lembrei da OPERAÇÃO MACUCO(procure no google) abafada pelo Engavetador Geral da Republica da época. Tão asquerosa quando a Lava-Jato, mas e dai, né??? Telefonia do Brasil ta assim: Muita gente tem telefone celular hoje em dia. Não imposta que é uma das piores do mundo ou se é a de pior custo beneficio do mundo. O que importa é que você manda ZapZap idiota de graça com preço embutido.

Por Mais um Besta,20/04/2018

Vão vender a Refinaria do amigo do Lula também? Assim não dá! Os amigos estão ficando cada vez mais pobres!!!!

Por KATARINA,20/04/2018

e o povo continua acreditando nas bobagens que a midia divulga... Essa empresa tirou um prejuizo de um bando de safados que parte continua em Brasilia em 3 anos. Isso eh uma fabrica de dinheiro!!! Esse rombo não existe foi sanado no ano passado. A gasolina eh vendida a 1,69 e pq teve aumento pq ela era 1,42 e o povo continua acreditando... o resto do valor que pagamos onde será que está? Eh bom mesmo, o povo brasileiro merece a imagem da sua propria realidade, ou seja o pior. Vai privatizar e dps eu quero ver o choro! isso é o desespero de um governo que não tem de onde tirar. Ontem o presidente assinou o decreto para estudos mesmo o congresso ainda não liberando. Isso é o desespero do governo por dinheiro! Não vão vender, vão entregar as riquezas do país.



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