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IBGE: Brasil tinha 4,6 milhões de pessoas desalentadas no 1º trimestre

O Nordeste concetra 60,6% dos desalentados, que são pessoas que estão fora da força de trabalho por motivos como falta de experiência ou idade indesejada

Publicado em 17/05/2018, às 12h00

Os dados sobre a subutilização da força de trabalho mostram que a situação do mercado de trabalho não é favorável / Foto: Agência Brasil
Os dados sobre a subutilização da força de trabalho mostram que a situação do mercado de trabalho não é favorável
Foto: Agência Brasil
Estadão Conteúdo

O Brasil tinha 4,6 milhões de pessoas desalentadas no primeiro trimestre deste ano, o que equivale a uma taxa de desalento de 4,1% da força de trabalho ampliada. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tanto o contingente quanto a taxa registraram os recordes da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012.

Segundo o IBGE, 60,6% (2,8 milhões de pessoas) do contingente de desalentados são do Nordeste. Entre as unidades da federação, os maiores contingentes de desalentados estavam na Bahia (805 mil) e Maranhão (430 mil). Mesmo assim, Alagoas tinha a maior taxa de desalento (17,0%), enquanto o Rio de Janeiro e Santa Catarina, a menor (0,8%, ambos).

Na definição do IBGE, a população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho adequado, ou não tinha experiência ou qualificação, ou era considerado muito jovem ou idosa, ou não havia trabalho na localidade em que residia - e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga.

Dessa forma, a população desalentada faz parte da força de trabalho potencial.

Crescimento de 195%

Os dados sobre a subutilização da força de trabalho, divulgados na Pnad Contínua mostram que a situação do mercado de trabalho não é favorável, disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.



"Alguns indicadores mostram avanço, outros mostram que o mercado de trabalho continua em situação delicada", afirmou Azeredo, citando que, nos últimos trimestres, houve queda tanto do número de desocupados quanto do contingente de pessoas ocupadas. "Por isso, é fundamental a divulgação da subutilização", disse.

Mais cedo, o IBGE informou que a taxa de subutilização da força de trabalho atingiu seu nível recorde no primeiro trimestre, com 24,7%. São 27,7 milhões de pessoas nessa situação.

Em quatro anos, do primeiro trimestre de 2014, ano do auge do mercado de trabalho, até o primeiro trimestre deste ano, a população subutilizada cresceu 73%, ou 11,7 milhões de pessoas a mais nesse grupo.

O destaque foi o crescimento da população desalentada (pessoas que estão aptas a trabalhar, mas desistiram de procurar ocupação por falta de oportunidades ou qualificação), que avançou 194,9% na mesma comparação de quatro anos. Das 11,7 milhões de pessoas que ingressaram na população subutilizada, 3 milhões entraram para a população desalentada - ou seja, o desalento responde por 26,2% do aumento.





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