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Ciclistas colaboram para melhorar a economia das cidades

Estudo mostra aumento do PIB municipal e redução nos gastos do SUS em cidades onde a população adota a bicicleta como meio de transporte

Publicado em 10/06/2018, às 09h31

Pesquisa feita pelo Cebrap indicou potencial de aumento do PIB municipal de São Paulo em até R$ 870 milhões em três anos / Bernardo Soares/JC Imagem
Pesquisa feita pelo Cebrap indicou potencial de aumento do PIB municipal de São Paulo em até R$ 870 milhões em três anos
Bernardo Soares/JC Imagem
Edilson Vieira

Que a bicicleta é boa para a mobilidade quando usada como meio de transporte, todo mundo sabe. Mas, o uso diário da bicicleta traz benefícios, também, para a economia de uma cidade. “O impacto econômico é tanto pessoal como para a coletividade”, diz Victor Callil, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e um dos responsáveis pelo estudo que avaliou a influência do uso da bicicleta no município de São Paulo.

Ele afirma que, na capital paulista, substituir o carro pela bicicleta pode representar um alívio de até R$ 450 por mês no bolso do usuário. Já para o PIB (Produto Interno Bruto) municipal, o ganho pode ser de até R$ 870 milhões em até três anos, com o aumento da produtividade por conta de menos tempo perdido com deslocamentos. E até o serviço de saúde pública tem redução de despesas com tratamentos de doenças influenciadas pelo sedentarismo. “O foco da pesquisa foi São Paulo mas pode-se estimar que qualquer metrópole tem ganhos econômicos com o aumento no número de ciclistas”, diz Victor Callil.

CICLISTAS

Após ouvirem 1.100 pessoas, os técnicos do Cebrap avaliaram que 42% dos deslocamentos diários feitos na cidade de São Paulo são “pedaláveis”, ou seja, poderiam ser feitos de bicicleta ao invés de automóvel ou transporte público. Isto envolve viagens de até oito quilômetros, feitas entre 6h e 20h e por pessoas de até 50 anos de idade. Os pesquisadores concluíram que, na média, ciclistas das classes sociais A e B economizam por mês até R$ 311 ao optarem pela bicicleta. Entre os ciclistas das classes C e D, a economia é de R$ 215 mensais. Para quem troca o carro pela bicicleta, computando os gastos como estacionamentos e manutenção do veículo, a redução com o custo do transporte chega a R$ 450 por mês. “Não avaliamos o quanto essa renda extra representa no aumento do consumo das famílias, mas pode-se deduzir que é significativo já que estamos falando de alguns milhares de reais, por ano, a mais, no orçamento familiar”, diz Callil.



Do ponto de vista social, o Cebrap usou como referência o modelo econométrico desenvolvido pelo professor Eduardo Haddad,da Universidade de São Paulo, (USP) para estabelecer o impacto do uso da bicicleta no PIB do município. “Segundo o modelo do professor Haddad, quanto menos tempo uma pessoa leva para chegar ao trabalho, melhor será sua produtividade. Isto envolve menos atrasos, mais estímulo, menos faltas”, diz Victor Callil. Segundo o estudo, quem troca o carro pela bike, reduz o tempo de viagem em nove minutos por dia, e o resultado é um avanço no PIB municipal de R$18,7 milhões em até três anos. Se o trajeto era feito de ônibus, o ganho de tempo extra com uso da bike chega a 19 minutos/dia e o impacto no PIB é de R$ 623 milhões, no mesmo período. Com mais bikes nas ruas haveria menos engarrafamentos. Se os motoristas ganhassem com isso três minutos ao dia, seriam injetados mais R$ 224 milhões na economia, totalizando até R$ 870 milhões de acréscimo no PIB paulista.

Segundo o Cebrap, se o paulistano tivesse o mesmo padrão de atividade física de um ciclista que pedala, ao menos, oito quilômetros, três vezes por semana, o potencial de economia para o SUS apenas com o tratamento e internação de pacientes diabéticos e com doenças coronárias chegaria a 13% do orçamento anual, o que para São Paulo é algo em torno de R$ 34 milhões. “Para chegarmos a este número aplicamos os fatores de riscos para doenças cardiovasculares e diabetes, que é duas vezes maior entre sedentários, e quanto o sistema de saúde de São Paulo gasta com essas pessoas”, explica Victor Callil.




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