Jornal do Commercio
PLANOS DE SAÚDE

Sistema de saúde no País deve focar em prevenção, dizem especialistas

Com envelhecimento acelerado da população, especialistas apontam que saída é apostar na prevenção de doenças e acidentes

Publicado em 08/07/2018, às 06h02

Sem prevenção ou acompanhamento do paciente, pode ocorrer prevalência de doenças crônicas  / Foto: Internet/Reprodução
Sem prevenção ou acompanhamento do paciente, pode ocorrer prevalência de doenças crônicas
Foto: Internet/Reprodução
BIANCA BION
btrajano@jc.com.br

Com o envelhecimento acelerado da população, é urgente modificar o sistema da saúde suplementar para suportar a mudança do perfil de doenças e evitar aumento dos custos. A projeção do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é de que em 2030, o número de beneficiários idosos crescerá 57,8% e as despesas poderão chegar a R$ 383,5 bilhões, um aumento de 157,3%. “Não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”, afirma o diretor da KPMG, Daniel Greca sobre a necessidade de mudar o modelo atual.

De acordo com Greca, o que pesa para as operadoras é o enfoque em atendimento de urgência. Além disso, o modelo de remuneração, chamado fee for service, leva os prestadores de serviço a focar em quantidade e não qualidade, ocasionando desperdício e super utilização dos recursos. “O envelhecimento acelerado da população vai obrigar as operadoras de saúde e o governo (com a saúde pública) a fazer o que já deveriam estar fazendo: prestar atenção básica à saúde de forma bem feita, assim o cidadão não precisará usar serviços mais complexos. Hoje, o sistema de saúde não tem vocação para isso. A falta de gestão populacional aliado ao sistema de remuneração perverso, à ineficiência, com população envelhecida, gera uma bomba”, afirma Greca.

Entre os prejuízos de não cuidar do paciente desde cedo, está a prevalência de doenças crônicas que demandam atendimento contínuo. Hoje, algumas doenças crônicas de maior impacto na saúde brasileira, são as cardiovasculares, câncer e diabetes. “Muitas doenças crônicas podem ser prevenidas. Nós não adaptamos a assistência médica, usamos a mesma lógica de tratamento de doenças agudas, em que o paciente toma o remédio e vai para casa. Uma pessoa que tem uma crise de hipertensão tem que perder peso, fazer exercício, ser acompanhada de perto”, diz o coordenador do curso de auditoria na gestão de planos e sistemas de saúde do PEC FGV, Álvaro Escrivão Junior.

INTERNAÇÕES

Isso pode levar ao aumento no número de internações, procedimento de maior representatividade nos gastos com saúde. Segundo o IESS, em 2030, as internações vão passar de 8,7 milhões para 10,4 milhões, principalmente devido ao aumento no número de idosos. Para o superintendente executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro, para reduzir os custos do sistema, é preciso assegurar que a adoção de novas tecnologias se baseie em estudos que considerem a eficiência da tecnologia e os impactos econômicos; mudar o sistema de remuneração em serviços de saúde, prevalecendo o valor por tratamento e qualidade assistencial; além de reduzir o grau de judicialização e promover transparência de desempenhos.



Por nota, a ANS afirmou que o acompanhamento mais próximo do paciente é uma das suas preocupações. Atualmente, realiza estudos para que o setor implemente medidas comprometidas com a gestão de saúde de forma integrada, e não apenas com a oferta de atenção hospitalar em situações de gravidade.

Para o advogado especialista em saúde, Elano Figueiredo, é preciso mudar a visão de que o idoso traz prejuízos para a saúde suplementar. “Algumas operadoras investiram em planos de prevenção que, se aplicados à população de idade mais avançada, diminuem a incidência de custo mais elevado. Mas cerca de 80% das empresas ainda não percebeu isso”, explica.

Procuradas, a Fenasaúde e Abramge, entidades que representam as operadoras de planos, não disponibilizaram porta-vozes ou não responderam.





Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Copa América no Brasil Copa América no Brasil
Confira a relação da Copa América com o Brasil, o histórico e detalhes da edição deste ano, na qual a seleção terá que se virar sem Neymar, cortado do torneio. Catar e Japão participam como convidados
O nome dele era Gabriel Diniz O nome dele era Gabriel Diniz
José Gabriel de Souza Diniz, o Gabriel Diniz, ou simplesmente GD como os fãs o chamavam, morreu precocemente, aos 28 anos, em um acidente com um pequeno avião no litoral sul de Sergipe ocorrido na segunda-feira, 27 de maio de 2019.
Conheça o udigrudi pernambucano Conheça o udigrudi pernambucano
O udigrudi pernambucano reuniu um grupo de talentosos jovens músicos que, na primeira metade dos anos 70, gravou discos absolutamente não comerciais, fez rock and roll na terra do frevo, produziu festivais, insistiram na permanência do sonho.

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM