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IPCA

Alimentos e combustíveis desaceleram inflação em julho

Recuo nos preços após greve dos caminhoneiros deixou índice oficial da inflação em 0,33% no País e 0,07% na RMR

Publicado em 09/08/2018, às 06h00

Em relação ao grupo Alimentos e bebidas, que possui o maior peso sobre o índice geral, houve redução no País, de 0,12%, e na Região Metropolitana do Recife, de 0,70% / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em relação ao grupo Alimentos e bebidas, que possui o maior peso sobre o índice geral, houve redução no País, de 0,12%, e na Região Metropolitana do Recife, de 0,70%
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Da editoria de Economia

Com os efeitos da greve dos caminhoneiros se dissipando, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, desacelerou em julho. No Brasil, o índice ficou em 0,33%, contra alta de 1,26% registrada em junho. Já na Região Metropolitana do Recife (RMR), houve recuo de 0,07% após o IPCA ter registrado alta de 1,47% no mês anterior.

Tanto no cenário nacional quanto no local, o preço dos combustíveis e dos alimentos ajudaram a diminuir a pressão sobre a inflação. No País, houve queda de 1,80% no preço dos combustíveis. No Grande Recife, também houve variação negativa de 2,53%.

Em relação ao grupo Alimentos e bebidas, que possui o maior peso sobre o índice geral, houve redução no País, de 0,12%, e na Região Metropolitana do Recife, de 0,70%. A cebola apresentou a maior variação negativa de 40,53% na RMR. Já a batata-inglesa, que subiu 38,82% em junho, caiu 37,66% no último mês.

Segundo o gerente do Índice de Preços ao Consumidor do IBGE, Fernando Gonçalves, os preços estão voltando a patamares registrados antes da crise dos transportes, com a estabilização da oferta. “No Recife, o que mais influenciou a taxa negativa foi a gasolina, que caiu 3,28%. Esse item teve participação de -0,11 pontos percentuais no índice geral. O grupo alimentos e bebidas, com destaque para a cebola, batata e carne também pesaram. No início de junho, o valor dos produtos ficaram um pouco mais altos por causa do problema de escoamento da produção. Agora, o movimento é de realinhamento dos preços”, comenta Gonçalves.

Os preços de alguns itens avaliados pelo IPCA, no entanto, aumentaram. É o caso do grupo Habitação, que apresentou a maior variação positiva. O que mais pesou foi a energia elétrica, que subiu 5,33% no País e 2,87% no Grande Recife, devido à continuidade da vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que impõe cobrança adicional de R$ 0,05 por quilowatt consumido a cada hora. O gás de cozinha também ficou 0,94% caro no Recife após elevação da Petrobras, aumentando as despesas com habitação. A passagem aérea subiu 28% na capital pernambucana porque julho é mês de férias.



No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação também apresenta variação positiva de 4,48% no Brasil e de 3,23% na RMR. Quatro grupos importantes para o orçamento familiar apresentaram alta expressiva nos últimos 12 meses no Grande Recife: Habitação (7,31%), Transportes (7,41%), Saúde e Cuidados Pessoais (5,19%) e Educação (5,55%). “Alguns grupos importantes para as famílias apresentam variação positiva alta, acima da meta da inflação de 4% ou até mesmo superior ao teto de 6%, mas não têm peso suficiente para puxar o IPCA para cima. Ou então, a variação do grupo de alimentação é baixa, então, ameniza o índice. Algumas famílias não percebem a queda no IPCA porque a matrícula da escola dos filhos aumentou ou a energia elétrica e o gás de cozinha estão altos”, explica o economista do Instituto Fecomercio de Pernambuco, Rafael Ramos.

PRÓXIMOS MESES

Daqui para frente, dois cenários são considerados pelos especialistas. O primeiro seria de uma inflação mais contida, influenciada pela lenta recuperação econômica. O segundo, de uma inflação acima do esperado, em razão de deterioração do cenário econômico devido às eleições.

No contexto de uma menor pressão inflacionária, o Bradesco destaca, em relatório, a inflação corrente sob controle, a leve apreciação do real e o alívio nos preços do petróleo. Do lado menos favorável, a equipe indica riscos de alta nos preços do frete e a pressão de repasse de custos vinda dos preços de atacado.

A MCM Consultores ressalta que o nível ainda elevado de ociosidade da produção das empresas pode gerar uma inflação mais baixa do que o esperado para este ano. A consultoria também aponta que há uma preocupação com a continuidade da agenda de reformas.


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