Jornal do Commercio
ELEIÇÕES 2018

Declaração de Bolsonaro derruba Eletrobras na bolsa de valores

Mercado reagiu mal as declarações de Bolsonaro sobre as privatizações, que vai na direção oposta a cartilha liberal de Paulo Guedes, seu guru econômico

Publicado em 11/10/2018, às 09h16

Após críticas, as ações da estatal de energia caíram 9,1% nessa quarta-feira (10) / Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Após críticas, as ações da estatal de energia caíram 9,1% nessa quarta-feira (10)
Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Estadão Conteúdo

O mercado reagiu mal à mudança de tom no discurso do candidato Jair Bolsonaro (PSL) em relação às privatizações. Depois de ele criticar a venda da Eletrobras na noite de terça-feira (9), as ações da estatal de energia caíram 9,1% na quarta-feira (10). O Ibovespa, principal índice da Bolsa, recuou 2,8% e o dólar subiu para R$ 3,76. "A gente vai vender (a Eletrobras) para qualquer capital do mundo? Você vai deixar a nossa energia na mão da China? A gente pode conversar sobre distribuição, mas sobre geração não", afirmou o candidato, na noite de terça, em entrevista à TV Bandeirantes - hoje, os chineses já são os maiores geradores de energia privada do País

O discurso de Bolsonaro vai na direção oposta da cartilha liberal de seu guru econômico, Paulo Guedes, que sempre defendeu a venda das empresas estatais para arrecadar dinheiro para o pagamento da dívida pública e para viabilizar seu projeto de reforma da Previdência.

Na semana passada, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o general Oswaldo de Jesus Ferreira, também da equipe de Bolsonaro, já havia indicado a intenção de não privatizar empresas consideradas estratégicas, como Petrobrás, Furnas, Caixa e Banco do Brasil. Ferreira, porém, havia confirmado que a Eletrobras iria para a iniciativa privada.

Na segunda e na terça-feira, os papéis da empresa avançaram 17,3% e 3,68%, respectivamente, com a possibilidade de a privatização da estatal sair do papel dado o fortalecimento do presidenciável na corrida eleitoral após o primeiro turno.

"Só está surpreso (com a fala de Bolsonaro) quem não fez a lição de casa. Bolsonaro e os que foram eleitos com ele (os parlamentares do PSL) têm visões parecidas: nacionalizantes e contra propostas liberalizantes", disse o economista Marcos Lisboa, presidente da instituição de ensino superior Insper e secretário de Política Econômica no Ministério da Fazenda entre 2003 e 2005.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, também destaca que o candidato tem visão estatizante e critica o fato de o mercado financeiro ter comprado a ideia de que ele mudaria o modo de pensar em apenas um ano. "O mercado acredita no que quer Mas, por 30 anos, ele teve uma postura estatizante. Não seria convertido da noite para o dia."



Desde o começo da campanha eleitoral, Bolsonaro admitiu não entender de economia e destacava sempre que deixaria o assunto nas mãos de Guedes. Quando o economista sugeriu o retorno da CPMF (imposto sobre movimentação financeira), no entanto, o candidato rapidamente o desautorizou.

Para Vale, diante dessas divergências ideológicas - que estão ficando mais expostas no fim da corrida eleitoral -, a permanência de Paulo Guedes em um eventual governo Bolsonaro deve durar menos de um ano.

Petrobrás

A entrevista de Bolsonaro à Bandeirantes também resultou, na quarta-feira, 10, em uma queda de 3,7% nas ações ordinárias (com direito a voto) da Petrobrás. O candidato declarou que a estatal não pode se "salvar" e "matar a economia", em referência à política de paridade internacional praticada pela estatal, que acompanha internamente os preços praticados nas principais bolsas de negociação de commodities. Essa política foi adotada durante o governo de Michel Temer, na gestão de Pedro Parente no comando da petroleira, e foi uma das desencadeadoras da greve dos caminhoneiros.

Esse novo discurso do candidato do PSL em relação às estatais assemelha-se ao projeto petista, destaca Vale. "Acho que se ele (Bolsonaro) que ser diferente (do PT), precisa sinalizar melhor ao mercado", disse Vale. Lisboa compartilha a mesma opinião: "Muitos aspectos econômicos do discurso (de Bolsonaro) são semelhantes ao do governo do PT pós 2008. Mas um candidato (Bolsonaro) vende pela direita e outro (Fernando Haddad) pela esquerda."

O programa de Haddad afirma que pretende "suspender a política de privatização de empresas estratégicas para o desenvolvimento nacional" e que a política de preços da Petrobrás será "reorientada".

"O mercado brasileiro é aberto a importações e, portanto, não é possível manter os preços domésticos desalinhados dos preços internacionais. No entanto, não é necessário que esses ajustes se façam ao sabor da volatilidade diária, diz o documento" Procurados, economistas do programa do PT não quiseram dar entrevistas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Comentários

Por Samuel,17/10/2018

Embora não seja uma notícia falsa, é claramente visível que o JC é contra Bolsonaro. Isso chega à ser vergonhoso, não vejo críticas ao presidenciável do PT. Por favor, sejam mais coerentes e imparciais, deixem que o PT faça sua própria propaganda.

Por ALEXANDRE MAGNO GUEDES ALCOFORADO,12/10/2018

'BOLSONARO=HITLER=MUSSOLINI=PINOCHET=TRUMP...FASCISTA,RACISTA,MENTIROSO...PARECE UMA CINDERELA SEM SAPATO.DESTILA ÓDIO E VIOLÊNCIA.IMAGINO O CCC DE VOLTA,CENSURA TOTAL,ASSASSINATO,TORTURA,AI-5,...STALIN PERDE.QUANTOS MORRERÃO POR CAUSA DELE?NEM ENTROU E JÁ MATARAM INOCENTES.SÓ DEUS SALVA OBRASIL.O PT É UMA JOSTA.BOLSONARO É PIOR=666.'

Por Andre Martins,11/10/2018

Incrivel... voces que so falam mal do candidado Bolsonaro. Vergonha, cada vez mais voces perdem a credibilidade com essa informacoes, ja basta de tanta falta de carater que o PARTIDO DAS TREVAS deixou.

Por Edson J,11/10/2018

Até que enfim, Bolsonaro disse alguma coisa A FAVOR DO BRASIL. Privatizar a Eletrobrás seria de uma irresponsabilidade inacreditável, lembrando que em todos os grandes países do mundo, inclusive os Estados Unidos, o controle das grandes hidrelétricas é estatal. Em resumo, o que é bom para o mercado é péssimo para o país. Aliás, para qualquer país.

Por Manuel Soares,11/10/2018

Seja com o Jair ou com o Hadad, continuamos firmes e fortes em caminho ao CAOS.



Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Papai Noel o ano inteiro Papai Noel o ano inteiro
As luzes na cidade anunciam que o Natal já chegou. É nesta época do ano que o espírito natalino faz aflorar alguns dos sentimentos mais nobres. Agora iremos contar histórias de pessoas, organizações e empresas que fizeram da solidariedade missão de vida
Vida fit todo dia Vida fit todo dia
Apesar de a abertura do Verão no Brasil só acontecer em dezembro, no Nordeste há uma antecipação da data. Por esse motivo, que tal aproveitar esses meses de energia para cultivar bons hábitos e mudar o estilo de vida? Veja várias dicas de como se cuidar
BRT: E agora? BRT: E agora?
Ele está ferido, sofrido. Esquecido. E sem perspectivas de melhoria. Tem sobrevivido como é possível e, apenas pontualmente, esboça reações positivas. O sistema BRT, Bus Rapid Transit, tem sofrido de inanição em todo o País. E poderá se perder.

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM