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AVIAÇÃO

Ações da Embraer sobem 7% após luz verde para fusão com Boeing

A Embraer, terceira maior fabricante de aeronaves do mundo foi privatizada em 1994, mas o governo brasileiro manteve poder de veto sobre questões estratégicas

Publicado em 11/01/2019, às 11h31

O acordo prevê que a Boeing assuma o controle das atividades civis da Embraer por 4,2 bilhões de dólares / Foto: Agência Brasil
O acordo prevê que a Boeing assuma o controle das atividades civis da Embraer por 4,2 bilhões de dólares
Foto: Agência Brasil
AFP

As ações da Embraer na Bolsa de Valores de São Paulo subiam mais de 7% nesta sexta-feira, um dia após o anúncio de que o presidente Jair Bolsonaro não se oporia à fusão da fabricante brasileira de aviões com a gigante norte-americana Boeing. 

Por volta das 11h00 locais (13h00 GMT), as ações ordinárias da Embraer disparavam 7,43%, enquanto o índice Ibovespa dos principais valores recuava 0,28%.

A Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, foi privatizada em 1994, mas o governo brasileiro manteve uma "golden share" que lhe dá poder de veto sobre questões estratégicas.

O presidente Bolsonaro manifestou na semana passada temores de que o acordo, avaliado em 5,26 bilhões de dólares, prejudicaria a capacidade tecnológica do Brasil. Essas declarações causaram uma queda demais de 5% das ações do grupo.

Mas na quinta-feira, depois de se reunir com seus principais ministros e representantes das três armas, anunciou sua decisão.

"O presidente foi informado que os vários cenários foram cuidadosamente avaliados e que a proposta final preserva a soberania e os interesses nacionais. Neste contexto, o poder de veto (golden share) ao negócio não será exercido", afirma um comunicado do governo. 

"Ficou claro que a soberania e os interesses da nação estão preservados, e a União não se opõe à continuidade do processo", escreveu posteriormente Bolsonaro em seu Twitter.

Primeira aplicação

Embora o acordo tenha sido negociado sob a administração de Michel Temer, é a primeira aplicação da agenda neoliberal do ministro da Economia Paulo Guedes, com base em medidas de privatização, abertura ao capital estrangeiro e medidas de ajuste para sanear as contas e dar impulso ao fraco crescimento do país.



A Embraer e a Boeing disseram na quinta-feira em comunicado conjunto que sua aliança "posicionará ambas as companhias para acelerar o crescimento nos mercados aeroespaciais globais" e que esperam concluir o processo de fusão este ano.

O conselho de administração da Embraer deve ratificar o acordo, que então será submetido ao endosso de seus acionistas e das autoridades reguladoras do Brasil e dos Estados Unidos.

O acordo prevê que a Boeing assuma o controle das atividades civis da Embraer por 4,2 bilhões de dólares, o que permitirá controlar 80% do capital do novo grupo. Os 20% restantes permanecerão nas mãos da empresa brasileira.

Isso permitirá que a empresa norte-americana ofereça aeronaves com capacidade de até 150 assentos, um mercado no qual não compete.

O setor de aeronaves militares e aviação executiva da Embraer foram excluídos do acordo. 

As duas empresas também formarão outro grupo para comercializar o cargueiro KC-390, da Embraer, no qual a empresa brasileira terá 51% do capital e a Boeing 49%.

Com um faturamento de cerca de 6 bilhões de dólares e 16.000 funcionários, a Embraer é uma das joias da indústria brasileira, com uma gama variada de aviões civis, militares e jatos empresariais.



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